Falando de jazz, quatro filmes sobre jazz e com jazz em julho…

por max 3. julho 2013 09:09

 

O jazz é uma palavra tão cheia de significados que, em última análise, é uma palavra absolutamente única.

Quando não é possível definir o jazz, mas você gosta de jazz, está tudo bem. Porque nunca é possível saber tudo sobre jazz. Saber tudo sobre jazz seria como colocar a alma em um aquário que está em um museu.

Eu gosto de jazz, sim, mas sem grandes erudições.

Gosto de jazz e sempre penso que os músicos de jazz são heróis que vieram de outra dimensão. Heróis que fogem um pouco para estes lados e nos deixam algo, sua língua, o que se fala em outra terra.

O jazz é um livro do francês Boris Vian, que aliás, tocou jazz.

O jazz é Alfred Jarry, Marcel Duchamp.

O jazz é um monge dedicado, como às vezes monge era Thelonious.

O jazz é uma luz que percorre as matemáticas mais profundas.

O jazz simplesmente soa.

O músico de jazz é um homem discreto, que faz seu trabalho em silêncio, um monge com voto de silêncio. O músico de jazz é um monge com voto de castidade.

O jazz é um roadmovie.

Sempre exige um pouco de loucura e jazz.

O Jazz tem sabor de cachimbo, melhor se for de Magritte.

No mundo do jazz é permitido fumar, mesmo que ninguém fume.

Jazz, não sei bem o que é jazz, mas este mês o Max traz, a partir de quinta, 4 de julho e toda quinta do mês, um filme sobre jazz. Porque no Max, não se escuta somente jazz, mas também fala-se sobre o que se vê.

 

 

Começamos na quinta, 4 de julho, com Por Volta da Meia-Noite (Round Midnight, 1986), um clássico do cinema que fala sobre o jazz. Por Volta da Meia-Noite é um filme franco-americano dirigido por Bertrand Tavernier. O filme mergulha na vida do músico de jazz, mas o mais interessante é que é protagonizado por verdadeiros astros do jazz, como Dexter Gordon, François Cluzet e Herbie Hancock. Este músico fictício de jazz que percorre o filme é inspirado por músicos famosos do jazz, como Lester Gordon e o pianista Bud Powell. O personagem do filme, Dale Turner (Dexter Gordon), é um saxofonista que trabalha em Paris durante a década de cinquenta. Turner tenta largar o vício, mas irremediavelmente tem recaídas, e é aí que conhece o cartunista Francis Borler (François Cluzet), que o admira e tenta resgatá-lo de seu vício levando-o para sua casa. Um drama de amizade e redenção, com uma trilha sonora maravilhosa criada pelo grande Herbie Hancock. Melhor abertura para esse ciclo de jazz não poderia existir.

 

 

Na quinta, dia 11, continuamos com A Vida e a Música de Thelonious Monk (Thelonious Monk: Straight, No Chaser, 1989). Documentário que usa magistralmente 14 horas da turnê europeia de Monk. O filme, feito por Christian Blackwood entre 1967 e 1968, mostra um Monk em todo o seu mistério e sua complexidade. Seu afastamento, seu gênio, o apoio de sua esposa, sua maneira de enfrentar os ensaios, os sucessos e os fracassos. Também acompanha este pacote magnífico europeu um bom resumo de entrevistas de amigos e familiares, bem como um período de sua infância, de suas origens e do auge dentro do bebop dos anos quarenta. Monk, um músico estranho e experimental, um músico que aprendeu a tocar saxofone como um animal, que se revelou, como Picasso com a pintura, tocando quando criança, tocando, batendo, ficando de pé, reinventando. O produtor executivo desta obra é Clint Eastwood, que amadureceu essa ideia desde que trabalhou no projeto de Bird.

 

 

Na quinta, dia 18, o Max traz Bird (1988), poderoso filme dirigido por Clint Eastwood e maravilhosamente protagonizado por Forest Whitaker, que retrata a vida de um dos maiores saxofonistas de jazz (de sax alto), Charlie Parker, também conhecido como Bird. O forte drama que o músico enfrenta em um mundo duro, em um mundo que não foi feito para a arte nem para a sensibilidade dos artistas, de onde ele escapa, irremediavelmente, através dos vícios.

 

 

E para terminar, na quinta-feira dia 25, teremos Michel Petrucciani (2011), documentário dirigido por Michael Radford sobre o genial pianista Michel Petricciani, o segundo filme francês dentro deste ciclo. Petrucciani nasceu com uma deficiência física significativa, com osteogênese imperfeita (conhecida também como a doença dos "ossos de vidro"), uma condição muito rara que acontece em uma em cada vinte mil pessoas. Mesmo assim, Petrucciani foi um dos pianistas de jazz de maior destaque na história e, embora tenha morrido aos 36 anos de idade, sua história merece ser contada. E é isso que Radford faz através de entrevistas (entrevistou mais de trinta pessoas), arquivos de vídeo e fotografias, neste documentário humano e sóbrio sobre a vida de um homem genial que conheceu todas as paixões, os amores, os vícios, as ociosidades e as glórias da fama.

 

O Max fala de jazz em julho, ouviremos sobre jazz e curtiremos a música e as imagens que traz o canal neste ciclo magnífico. Arte, música, paixões humanas, criação. O que você vê quando vê o Max?

 

(Ah, qualquer coisa, podem me presentear com um chapéu como os que Thelonious Monk usava. Obrigado.)

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