Inquietos, ou paixões juvenis de Gus Van Sant

por max 8. março 2013 11:57

 

Gus Van Sant ficou por mais de três décadas explorando a inquieta alma juvenil e seus extremos. O mundo das drogas em Drugstore Cowboy (1989), a prostituição em Garotos de Programa (My Own Private Idaho - 1991), a loucura e o horror dos assassinatos nas escolas em Elefante (Elephant - 2003), a decadência, a pressão da fama e o suicídio de um jovem astro do rock em Últimos Dias (Last Days - 2005), a culpa de um skatista e o assassinato em Paranoid Park (2007).

Depois de flertar com grandes estúdios e dar um tapa na mesa do Oscar com Milk – A Voz da Igualdade (Milk) em 2008, o cineasta está de volta com as velhas obsessões em Inquietos (Restless – 2011), o drama de um jovem casal que vive rodeado pela presença da morte. Ela, Annabel (Mia Wasikowska), sofre de um câncer fatal (tumor cerebral), uma garota bela e doce, obcecada por Darwim e pássaros aquáticos. Ele é Enoc (Henry Hopper), um rapaz que tem o hábito de visitar funerais de pessoas desconhecidas e que também conversa com o fantasma (supõe-se que é um fantasma) de um kamikaze japonês. Ambos personagens esboçam uma maturidade resolvida apesar de tão jovens (idade que pressupõe inquietude do espírito), dada pela relação estreita com a morte, que os faz sentir finitos, e sua admiração pela existência. A maturidade alinhava todo o filme, mas também vem acompanhada dos conceitos do horror e da nobreza (daí o kamikaze), elementos que ajudam a enfrentar e assumir a morte. Assim, com esse retorno a um estilo muito indie, orçamento muito baixo, filme pequeno e delicado, Van Sant nos leva através do labirinto da morte e do amor; o amor como forma de combater a morte, e não morrer na vida exaltada pela paixão. A inquietude juvenil dos filmes de Van Sant continua aqui presente (restless, inquietude, por isso minha insistência com a palavra em todo texto), mas agora colorida por esse destino implacável – essa grande presença – que é o fim da vida. Inquietos é uma fábula romântica, mas ao mesmo tempo gótica, uma fábula mórbida, ao estilo de Gus Van Sant, ainda mais delicada do que muitas vezes o autor realizou.

Inquietos, domingo, 10 de março. Amor, morte, juventude. O que você vê quando vê o Max?

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