Eterno Amor, ou os truques mágicos de Jeunet

por max 14. novembro 2012 04:19

 

Jean-Pierre Jeunet é um cineasta muito conhecido. Para muitos, é quase um deus, um ser amado à última potência. Jeunet é uma espécie de diretor eternamente juvenil ou universitário, por assim dizer. Um diretor de ilusões e esperanças.

Jeunet sabe escolher os planos, as cores e contar as histórias que dão aos seus filmes certo ar de fábula. Porque é assim: Jeunet é um contador de fábulas com habilidades de mago visual. Basta citar Delicatessen (1991), que o tornou conhecido no mundo todo, junto com Marc Caro, para exemplificar com clareza o que eu digo. Delicatessen, apesar inclusive de ser uma comédia de humor negro, tem uma poesia que supera o corriqueiro, e nos leva a um mundo particular cheio de graça e fascinação. Já separado de Caro, ele realizou O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Amélie, 2001), filme leve, espirituoso, cheio de ideias criativas e comoventes, protagonizado pela não menos empática Audrey Tautou. Amélie, uma moça ingênua ao extremo, mostra todo o esplendor que leva em seu interior quando decide enveredar pelas armadilhas do amor, seguir as pistas, as pistas do amor. Para ela, não há nada mais importante que o amor, que se traduz, por sua vez, em felicidade. O amor, o encontro consigo mesmo, o amor dos outros, o amor dela. O que Amélie leva dentro dela é uma mina de ouro: sua criatividade e persistência a fazem esplêndida, uma garota adorável pela qual a França e meio mundo se apaixonaram. Este mês, o Max apresenta o filme que foi realizado três anos depois do bem sucedido O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Estamos falando de Eterno Amor (Un long dimanche de fiançailles, 2004), baseado em romance de Sébastien Japrisot.

Aqui Jeunet não somente retoma sua protagonista anterior, Audrey Tautou, mas também volta ao tema do amor, e sobre essa espécie de teimosia do amor unida à ingenuidade. Porque se Amélie era teimosa e criativa em sua missão de distribuir amores, Matilde também será perseverante em sua tarefa: ela está convencida de que seu prometido não morreu na guerra, e sai em busca dele. Esta busca é cheia de momentos originais e de histórias incríveis, carregadas de uma visão crítica sobre os governos, a guerra e a perversão do poder. A história de seu prometido, Manech (Gaspard Ulliel), também é fascinante: um soldado que se mutilou para escapar dos horrores da guerra de trincheiras e que, além disso, acaba condenado à terra de ninguém (esse espaço entre a trincheira francesa e a trincheira alemã).

Drama bélico, história detetivesca, condução amorosa, fotografia esplêndida, planos inusitados, Eterno Amor é um filme que quer repetir um sucesso, com o cuidado de não somente usar a fórmula do sucesso, mas que vai além: o diretor trata de respeitar muito bem seu público e lhe apresenta uma história, mesmo que cheia de reminiscências de Amélie Poulain, que busca seus próprios caminhos.

Eterno Amor, nesta sexta-feira, 16 de novembro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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