Príncipe das Lágrimas, ou lágrimas em tempos turbulentos

por max 23. agosto 2011 11:46

 

O desaparecimento forçado é a pior forma de perda. No desaparecimento forçado está envolvido o abuso de poder, a loucura da bota, o egoísmo político, as mentes estreitas. O desaparecimento forçado é frequentemente justificado com uma traição, quem deve desaparecer é um traidor. Mas, o desaparecimento forçado começa com uma traição. Alguém próximo trai alguém, que mais tarde será acusado de ser um traidor. Por trás dessas acusações, normalmente não há um patriotismo magnânimo, escondem a covardia, a inveja, o medo, as paixões mais baixas. O desaparecimento forçado emerge da escuridão da alma, e polui o meio ambiente que é a escuridão. O desaparecimento forçado, deixe-me dizer, pode se vestir de prisão por traição, e em seguida de exemplo e execução justa. Em qualquer caso, enquanto que o desaparecimento não é confirmado como morte, na alma poluída de quem vive a perda, aparece ao mesmo tempo uma luz, é uma preocupação que atordoa: a esperança, um dos muitos passes que usa o ser humano para sobreviver em tempos de escuridão. A esperança anima, mas também desespera, gasta. A esperança é uma resistência, mas em tempos turbulentos, geralmente guarda em silêncio, a resignação. Em tempos de loucura sobrevivemos, deixando apenas lágrimas, em silêncio, outra forma de perda. Porque em tempos turbulentos, ampliemos o campo, tudo está perdido. E a lágrima é só impotência, como no conto de fadas Príncipe das Lágrimas (Prince of Tears, 2009), filme onde o desaparecimento, a traição, a esperança, em tempos de escuridão e demissões, são as principais preocupações do cineasta Yonfan. No Taiwan, as vezes chamado de Terror Branco, sob o governo nacionalista de Chiang Kai-shek militar chinês, a lei marcial foi um justificativo para o excesso de qualquer acusação a qualquer desempenho injusto. O filme se passa em uma aldeia remota em Taiwan, onde um casal vive com suas duas filhas, muito confortavelmente, pois ele é um oficial militar aposentado. Um dia, as meninas chegam em casa e descobrem que seus pais não estão. Desapareceram, foram prendidos, o pai foi acusado de traição e de ser pró-comunista. Assim, o filme se desenrola através dos olhos das meninas e do jogo de ocultação, de resistência, de esperanças e desejos, egoístas ou não, do amor. No final, há apenas lágrimas, essa outra perda, essa outra maneira de suportar, em silêncio.

Príncipe das Lágrimas, quarta-feira 24 de agosto, na Max.

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