A Special Day, um documentário direto de Cannes para o Max

por max 18. maio 2012 11:47

 

Gilles Jacob é, hoje em dia, o Presidente do festival de Cannes. E passou a ser desde 2001. Mas, de 1978 até esta data, foi o diretor do festival; o que é o mesmo que dizer que ele trabalha duro, duro de verdade. Hoje em dia, não trabalha menos, mas, claro, já é uma lenda, e já merece um pouco de descanso (não muito, mas um pouquinho). Como Gilles Jacob, um crítico de cinema, chegou a ser diretor de um dos festivais cinematográficos mais importantes do mundo? Pois ele mesmo nos conta como. Disse que havia sido despedido do L´Express por um desentendimento e que, durante um torneio de tênis, o cineasta Claude Lelouch lhe apresentou o prefeito de Deauville, Jean-Philippe Lecat, que logo depois foi também Ministro da Cultura. Um dia, depois de uma partida de tênis, se encontravam Jacob e Lecat, nus, nos chuveiros dos banheiros do clube de tênis (cada um em seu chuveiro, juntos, mas não misturados), e o ministro perguntou pra ele, assim, de repente, se ele estava pronto. Pronto para quê, senhor Ministro?, disse Jacob. Para assumir suas funções, respondeu o ministro nu. Desde então, Jacob começou a dirigir o festival. Sua participação, durante 34 anos no festival, tem sido fundamental. Jacob, podemos dizer, deu ao evento o brilho que ele tem hoje em dia. Introduziu sessões importantíssimas como Un Certain Regard e, além disso, incluiu a presença de estrelas no júri, o que deu ao festival o espírito magnífico de elegância que o evento tem atualmente. Em 2007, Jacob publicou um livro intitulado Citizen Cannes, no qual conta sua experiência e histórias engraçadas de todos estes anos no festival e agora, em 2012, neste domingo, 20 de maio e durante o festival de Cannes, estreará A Special Day, um documentário que nos apresenta um dia na vida de vários diretores lendários de cinema, entre eles Roman Polanski, Nanni Moretti —grande amigo de Jacob—, Ken Loach e o próprio Claude Lelouch, outro grande amigo. Em 2007, Jacob seguiu em frente, filmou e entrevistou estes cineastas quando estiveram em Cannes para a celebração dos 60 anos do festival e a apresentação dos 33 curtas-metragens do projeto de Jacob, Cada um com Seu Cinema (Chacun son Cinéma). Dessa experiência daquele ano, surgiu o documentário que estreará com pompa e circunstância neste domingo, em Cannes.

 

 

E por que digo tudo isto? Porque o Max, orgulhosamente, estreará A Special Day, justamente no dia seguinte a sua apresentação em Cannes, na segunda-feira, 21 de maio. Um privilégio único e excepcional que o Max oferece justamente antes da apresentação de Homens e Deuses, de Xavier Beauvois, dentro do clico de filmes ganhadores em Cannes.

Não deixe passar este grandioso momento. Esta segunda-feira, 21 de maio, será um dia realmente especial, com a estreia de A Special Day, de Gilles Jacob. Direto de Cannes para o Max. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

Continua o ciclo de filmes ganhadores em Cannes, desta vez com Homens e Deuses

por max 18. maio 2012 11:43

    

Nesta segunda-feira, dia 21, o Max traz um filme ganhador do Grande Prêmio do Júri e do Prêmio do Júri Ecumênico (um prêmio de cineastas católicos). Trata-se de Homens e Deuses (Des hommes et des dieux, 2010), do cineasta Xavier Beauvois (Nord, Le Petit Lieutenant, N´oublie pas que tu vai vas Mourir), um filme baseado em um fato que aconteceu durante a guerra civil da Argélia, em 1996: o sangrento assassinato de um grupo de monges cistercienses sequestrados no monastério Nossa Senhora do Atlas em Tibhirine, a 60 quilômetros de Argel.

O cineasta centra-se na história dos monges, em seus conflitos internos e toma a via da espiritualidade, da dúvida, do coração e do templo. Busca neles, em seu interior, a decisão que os levará a ficar ali, quando poderiam, claramente, ter partido.

Homens e Deuses é um filme sobre medos e atitudes humanas que vai mostrando o contraste entre a vida pacífica dos monges e o caos que começa a interferir de fora para dentro, à medida que a história avança. Ainda que o filme de Beauvois tenha destaque em vários personagens, não resta dúvida que a força da história recai sobre o personagem do Prior Christian, interpretado por Lambert Wilson. Beauvois segue este prior, este religioso e seus monges desde o começo das ameaças à comunidade, os crimes e o claro antagonismo que os fundamentalistas faziam a eles, sempre, isso sim, centrando no drama espiritual daqueles homens de bem.

Homens e Deuses, ganhador do Grande Prêmio do Júri em Cannes em 2010, nesta segunda-feira, 21 de maio, no ciclo de filmes ganhadores em Cannes. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

 

(E não perca, antes de Homens e Deuses e com exclusividade A Special Day, de Gilles Jacob, documentário que será visto em Cannes, com estreia programada para este domingo, dia 20)

Etiquetas:

Geral

Homens e Deuses, ou a beleza de um filme espiritual

por max 13. janeiro 2012 11:35

 

Neste domingo, 15 de janeiro, o Max nos traz Homens e Deuses (Des Homens et des dieux, 2010), do cineasta Xavier Beauvois (Nord, O Pequeno Tenente/Le petit lieutenant, Don´t Forget you´re Going To Die), um filme baseado em um fato histórico ocorrido durante a guerra civil da Argélia nos anos 90, conflito armado e sangrento que deu-se entre o governo e vários grupos radicais islâmicos e que terminou somando mais de 150 mil mortos, entre eles integrantes de um grupo de monges da Ordem do Cister, abadia da Ordem de São Bernardo, sequestrados em 1996 no monastério de Nossa Senhora de Atlas (Notre Dame de Atlas) em Tibhirine, a 60 quilômetros de Argel. Ainda que os fatos pudessem levar o filme para um tom político, Beauvois decidiu seguir por outro caminho, o caminho que faz deste filme uma verdadeira obra de arte. O cineasta decide centrar-se nos monges e em seus conflitos pessoais, escolhe o espiritual, a dúvida, o coração, o templo, a complexidade do ser humano e suas convicções, decide apostar em uma decisão e ver o que há por trás dela, ou seja, coragem, medos, alturas. Aqueles monges estavam naquela região há várias décadas, as regras da congregação não determinavam a evangelização (é o mesmo que dizer que não estavam ali para levar o islamismo a ninguém), e eles viviam somente para rezar, para a meditação, para a caridade e para ser hospitaleiros com os necessitados. Durante o filme, Beauvois tem a ideia de ir mostrando o contraste da vida dos monges com o que vai acontecendo no mundo exterior; nos mostra o horror, mas também a estreita e fraterna relação dos monges com a comunidade. Aqueles religiosos eram liderados pelo padre Christian de Chergé, um homem admirável de origem francesa que conhecia a Argélia desde jovem e que esteve também ali, lutando do lado dos franceses, durante a guerra de independência da Argélia, quando um amigo muçulmano salvou sua vida. Chergé era um homem profundamente espiritualizado, acreditava na fraternidade entre as pessoas e as religiões, inclusive tinha estudado o Alcorão. Essa sabedoria ele transmitiu desde seu priorado (priorado, vale dizer, é o cargo do pároco ou superior de convento de ordens monásticas) aos membros do monastério, e também para a comunidade. Ainda que o filme de Beauvois funcione de maneira cristã, não resta dúvida que a força da história recai mesmo sobre o personagem de Chergé, interpretado por Lambert Wilson (muitos vão lembrar de seu personagem na trilogia Matrix). Beauvois segue o prior e seus monges desde o momento em que começam as ameaças à comunidade, os crimes nas redondezas, a clara repreensão que os fundamentalistas faziam a eles, e centra-se na trajetória espiritual que devem fazer os mesmos que tomarem a decisão que marcará seus destinos. Contudo, para chegar a isto, dá-se um processo complexo de dúvidas, opiniões, confrontações entre os monges e também com a comunidade. No final, os monges decidem permanecer no lugar e, ao fazê-lo, conscientemente ou não, convertem-se em pessoas perigosas. Você simplesmente não faz o que os demais querem que você faça e se transformará em alguém perigoso. Fique quieto, simplesmente decida-se a ficar no lugar, e verá como os ânimos daqueles que se dizem justiceiros ficam alterados. Piores são os justiceiros de Deus. No filme, o cineasta nos oferece a seguinte citação de Pascal: "Os homens jamais fazem o mal tão completa e alegremente quando não o fazem por convicção religiosa". Duas coisas se pode tirar desta frase em relação ao filme. A primeira é que o diretor não se situa nem a favor, nem contra nenhuma das religiões em jogo; o dano, o horrendo, é o fundamentalismo. A segunda, e esta talvez seja uma avaliação delicada: parecia que a única maneira de atuar diante do radical seria sendo radical também. Mas radical como? Aqui fica demonstrado que ser radical, para os radicais, é não obedecer a eles, não temê-los, não pensar como eles. Os monges, então, poderiam dizer que tomaram uma atitude extrema: ficaram ali, mesmo sabendo que suas vidas estavam em risco. Permaneceram, resistiram sem violência, e resistir assim, a partir da paz, é talvez uma forma de espiritualidade e de ação radical, por assim dizer. Nos dias em que Christian de Chergé achou que a morte estava próxima, escreveu o conhecido "Testamento Espiritual". Em muitas partes da obra, fica mais que claro o amor do monge pela Argélia e por seus irmãos muçulmanos, e também sua clara consciência sobre o conflito em que ele se encontra naquele momento: "Se acontecer de, um dia - e esse dia poderia ser hoje -, ser vítima do terrorismo, que parece querer abarcar a todos os estrangeiros que vivem na Argélia, eu gostaria que minha comunidade, minha Igreja, minha família lembrem que minha vida estava ENTREGUE a Deus e a este país." A vida dele estava entregue, sem dúvida, e estava direcionada ao bem comum. Sabendo inclusive que sua morte iria causar espanto internacional, ele aproveitou para mandar uma mensagem e chamar pela consciência de todos: "Que saibam associar esta morte a tantas outras tão violentas e abandonadas na indiferença do anonimato." E mesmo que tivesse consciência de que seu nome não passaria em vão, com toda a humildade, ressaltou que sua vida não valia mais do que a de qualquer outra pessoa. "Tampouco tem menos. Em todo o caso, não tenho a inocência da infância. Vivi o suficiente para reconhecer que sou cúmplice do mal que parece, desgraçadamente, prevalecer no mundo, inclusive do mal que poderia me golpear cegamente." E assim continuou escrevendo: "Eu não poderia desejar uma morte semelhante. Parece-me importante destacar. Realmente, não vejo como poderia me alegrar com o fato de que este povo que eu amo seja acusado, sem diferença, de meu assassinato." No final do texto, Chergé voltou a explicitar seu amor pela Argélia e seu respeito pelo Islã: "Conheço o desprezo com o qual são tratados os argelinos. Conheço também as caricaturas do Islã fomentadas por um certo islamismo." E logo depois terminou, dando graças a Deus por ter permitido que ele pudesse gozar sua vida; dentro dessas graças incluiu a seus amigos, sua mãe, seu pai, e a aquele que será seu assassino. Assim disse: "E a você também, amigo do último instante, que não sabia o que fazia." Expressava assim não somente seu agradecimento e seu perdão, mas também seu desejo de encontrar seu assassino no Paraíso, "como ladrões felizes". E assim, em uma demonstração profunda de humanidade, Chergé terminou seu testamento da seguinte maneira: "Amém! Im Jallah!"

Homens e Deuses, ganhador do grande prêmio do júri em Cannes e vencedor absoluto dos prêmios César, neste domingo, 15 de janeiro, no Max.

Para reapresentações, clique aqui.

Etiquetas:

Geral

arquivos
 

nuvem