Pina, documentário de Wim Wenders indicado ao Oscar, continua o ciclo Na Mira do Oscar

por max 20. fevereiro 2014 13:46

 

Pina Bausch foi uma das coreógrafas mais importantes dos nossos tempos, a precursora do que chamamos de dança-teatro. Fundadora do célebre Tanztheater de Wuppertal, abriu novas portas da expressão corporal onde se fundiram o sexo, a dor, o amor e o delírio sobre cenários que buscavam romper o limite entre os palcos e a paisagem urbana.

Pina Bausch, mulher fascinante e fumante inveterada, foi o foco das lentes de diretores como Felini, Almodóvar ou Wim Wenders. Wenders é o diretor de Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987) e de Tão Longe, Tão Perto (In Weiter Ferne, So Nah, 1994), histórias sobre anjos que comoveram a todos; autor também de obras como O Amigo Americano (Der Amerikanische Freund, 1977), com Dennis Hopper, baseado no famoso romance de Patricia Highsmit; Paris, Texas (1984), com roteiro de Sam Shepard e atuação de Nastassja Kinski; e também de Buena Vista Social Club (1999), documentário que fez com o guitarrista Ry Cooder e com o produtor Nick Gold, e que resgata do esquecimento um grupo de músicos cubanos. Em 2011, Wim Wenders continuou seus caminhos musicais ou artísticos com Pina, que foi indicado ao Oscar como Melhor Documentário em 2012.

Pina não é exatamente um documentário. De fato, a artista morreu durante o processo de realização. Pina é parte documentário e parte teatro-dança fora dos palcos. O filme é constituído por quatro obras da coreógrafa realizadas nas ruas. O espírito desta fabulosa mulher percorre o trabalho com sua energia, com sua inteligência e suas intuições radicais. Claro, com a morte dela tão recente, há muitas recordações. Sem dúvida, uma obra-prima do cinema documentário que faz homenagem a uma artista fundamental dos nossos tempos.

Pina, de Wim Wenders, domingo, 23 de fevereiro, continuando o ciclo Na Mira do Oscar com filmes indicados e ganhadores do prêmio da Academia. O que você vê quando vê o Max?

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Pina, os encontros dentro do ciclo de documentários dedicados à arte

por max 9. setembro 2013 10:52

 

Primeiro encontro

Pina Bausch foi uma das coreógrafas mais importantes dos nossos tempos, a precursora da dança-teatro, herdeira do expressionismo (muito alemão, certamente) e de toda aquela dança surgida na vanguarda que fez uma mudança radical no que era, até então, uma série de regras acadêmicas, de pesos, engessados ao tradicional balé clássico. Fundadora da célebre Tanztheater de Wuppertal, Bausch abriu as portas no início dos anos sessenta, época da liberdade artística, da revolução cultural e jovem; também podemos dizer que foi a época do pós-modernismo, onde os jogos, o cruzamento das disciplinas e a beleza do heterogêneo criaram um campo fértil.

O medo, a violência, o sexo, a dor, o amor, o delírio, a alma fragmentada, nossa alma, eram os temas da coreógrafa, tudo isso dentro de cenários que buscavam romper os limites entre os palcos e a realidade, entre os palcos e a paisagem externa, principalmente urbana.

Odiada, adorada, Pina Bausch, a fumante inveterada, se tornou uma lenda. A grande lenda das artes e, embora ela sempre se mantivesse nos bastidores, foi o objeto da lente de diretores como Fellini, Almodóvar ou Win Wenders.

 

 

Segundo encontro

Win Wenders é um diretor alemão que nos apaixonou com filmes como Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987) e Tão Longe, Tão Perto (In Weiter Ferne, So Nah, 1994), essas histórias sobre anjos com certo elemento rilkeano. Mas Wenders é também o autor de obras como O Amigo Americano (Der Amerikanische Freund, 1977), com Dennis Hopper (baseado no famoso romance de Patricia Highsmith), e também de Paris, Texas (1984), com roteiro de Sam Shepard e atuação de Nastassja Kinski. Wenders era amigo de Pina Bausch.

 

 

Terceiro encontro

Nos últimos anos o cineasta alemão tem se interessado por música. Como Pina Bausch, procurou fazer o cinema sair de seus limites. Assim, fez documentários onde o cinema e a música se encontram. Seu trabalho mais conhecido sobre essa busca é, sem dúvida, Buena Vista Social Club (1999), documentário que, com o guitarrista Ry Cooder e o produtor Nick Gold, resgatou do esquecimento um grupo de músicos cubanos. Wenders também realizou trabalhos com U2; e documentários sobre Willie Nelson e sobre o blues, e com a banda de rock alemã BAP, com a finalidade de homenagear sua cidade natal, Colônia.

Há um tempo, Wenders está buscando o encontro desses caminhos: o documentário, a ficção, a música, as artes, o cinema. Em 2011, alcançou o auge (não sabemos se haverá outro) dessa busca com Pina, filme que foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2012.

 

 

Quarto encontro

Pina não é só um documentário sobre Pina Bausch. De fato, Pina morreu durante o processo de realização do documentário. Wenders que, como já havíamos dito, era amigo dela, decidiu deixar seu trabalho para trás, mas os alunos de Pina o convenceram a continuar. Wenders, então, continuou as filmagens de Pina que não é um documentário sobre Pina, e nem sequer é um documentário propriamente dito.

Pina é parte documentário e parte teatro-dança fora dos palcos. O filme tem quatro obras da coreógrafa realizadas nas ruas e também é filmado em 3D, um 3D que nas salas de cinema contribuiu para mostrar a magnífica profundidade do formato. Wenders, um cineasta que sabe realmente o que fazer com a tecnologia, fez do formato uma ferramenta para mesclar corpos, cenário e música em uma peça cinematográfica de primeira classe.

O espírito de Pina Bausch passeia por este trabalho de Wenders com sua energia, com sua inteligência e intuição radicais. Claro, com sua morte repentina, há muito de sua melancolia, de suas lembranças. Mas a tristeza se torna uma presença benevolente, que realça o filme, esta estranha e maravilhosa mistura de documentário com dança e homenagem póstuma.

 

 

Despedida

Pina, de Win Wenders, terça 10 de setembro, dentro do ciclo de documentários dedicados às artes. Dança, paixão, tristeza, arte. O que você vê quando vê o Max?

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Documentários sobre arte, começando em setembro com El Gusto

por max 2. setembro 2013 04:47

 

 

Em setembro, o Max continua com sua promessa de um documentário toda terça-feira. Como estreia especial, teremos À Procura de Sugar Man (Searching For Sugar Man, 2012), de Malik Bendjelloul, filme ganhador do Oscar de Melhor Documentário. Este será exibido na terça dia 17. Mas também, tudo será dedicado às artes. Assim, teremos os documentários El Gusto (2011), de Safinez Bousbia, magnífica peça que reúne muçulmanos e judeus pela música; Pina (2011), de Wim Wenders, um passeio, ou melhor, um bailado através da dança contemporânea da figura de Pina Bausch; e Sunset Strip (2012) de Hans Fjellestad, um olhar para a famosa avenida de Los Angeles. As datas, 03, 10 e 24 de setembro respectivamente (lembrando que à Procura de Sugar Man será dia 17).

 

Mas, vamos falar um pouco de El Gusto.

 

El Gusto (2011), com direção de Safinez Bousbia, apresenta um grupo de músicos, muçulmanos e judeus, juntos, tocando um estilo musical muito particular. Esse estilo se chama Chaabi, um gênero popular da Argélia e que teve grande desenvolvimento durante os anos 50, ocorrido por causa da mistura de música berber, canções religiosas e cânticos andaluzes. Mas o ponto é que este grupo de músicos se reúne neste documentário porque a guerra os separou ao longo dos anos. Bousbia, que é argelina de nascimento, segue o caminho que marcou Wim Wenders e Nick Gould com Buena Vista Social Club em 1990, e reúne estes antigos músicos de ambas as religiões em um documentário emotivo e profundo, que estava na mente da diretora desde o ano de 2004. Um documentário que combina música chaabi, as histórias dos intérpretes, sua imigração, seu sofrimento ou sorte em outro país e, em geral, a história de casbah, ou o lendário bairro popular argelino daqueles anos em que eles eram jovens.

Não esqueça, El Gusto, terça, 3 de setembro. Arte, música, documentários, humanidade. O que você vê quando vê o Max?

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Pina, os encontros da arte

por max 23. fevereiro 2013 04:56

 

 

Primeiro encontro

Pina Bausch foi uma das coreógrafas mais importantes dos nossos tempos. Foi a precursora do que chamamos de dança-teatro, herdeira do expressionismo (muito alemão, certamente) e de toda aquela dança surgida na vanguarda que fez uma mudança radical no que era, até então, uma série de regras acadêmicas, de pesos, engessados ao tradicional balé clássico. Fundadora da célebre Tanztheater de Wuppertal, Bausch abriu as portas no início dos anos sessenta, época da liberdade artística, da revolução cultural e jovem; também podemos dizer que foi época do pós-modernismo, onde os jogos, o cruzamento das disciplinas e a beleza do heterogêneo criaram um campo fértil.

O medo, a violência, o sexo, a dor, o amor, o delírio, a alma fragmentada, nossa alma, eram os temas da coreógrafa, tudo isso dentro de cenários que buscavam romper os limites entre os palcos e a realidade, entre os palcos e a paisagem externa, principalmente urbana.

Odiada, adorada, Pina Bausch, a fumante inveterada, se tornou uma lenda. A grande lenda das artes, que alguns podem chamar de pós-moderna e, embora ela sempre se mantivesse nos bastidores, foi o objeto da lente de diretores como Fellini, Almodóvar ou Wim Wenders.

 

Segundo encontro

Wim Wenders é um diretor alemão que nos apaixonou com filmes como Asas do Desejo (1987) e Tão Longe, Tão Perto (1994), essas histórias sobre anjos com um certo elemento rilkeano. Mas Wenders é também o autor de obras como O Amigo Americano (1977), com Dennis Hopper (baseado no famoso romance de Patricia Highsmith), e também de Paris, Texas (1984), com roteiro de Sam Shepard e atuação de Nastassja Kinski. Wenders era amigo de Pina Bausch.

 

Terceiro encontro

Nos últimos anos o cineasta alemão tem se interessado por música. Como Pina Bausch, procurou fazer o cinema sair de seus limites. Assim, fez documentários onde o cinema e a música se encontram. Seu trabalho mais conhecido sobre essa busca é, sem dúvida, Buena Vista Social Club (1999), documentário que, com o guitarrista Ry Cooder e o produtor Nick Gold, resgatou do esquecimento um grupo de músicos cubanos. Wenders também realizou trabalhos com U2; e documentários sobre Willie Nelson, no blues, e com a banda de rock alemã BAP, com a finalidade de homenagear sua cidade natal, Colônia.

Há um tempo, Wenders está buscando o encontro desses caminhos: o documentário, a ficção, a música, as artes, o cinema. Em 2011, alcançou o auge (não sabemos se haverá outro) dessa busca com Pina, filme que foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2012.

 

Quarto encontro

Pina não é só um documentário sobre Pina Bausch. De fato, Pina morreu durante o processo de realização do documentário. Wenders que, como já havíamos dito, era amigo dela, decidiu deixar seu trabalho para trás, mas os alunos de Pina o convenceram a continuar. Wenders, então, continuou as filmagens de Pina que não é um documentário sobre Pina, e nem sequer é um documentário propriamente dito.

Pina é parte documentário e parte teatro-dança fora dos palcos. O filme tem quatro obras da coreógrafa realizadas nas ruas e também é filmado em 3D, um 3D que nas salas de cinema contribuiu para mostrar a magnífica profundidade do formato. Wenders, um cineasta que sabe realmente o que fazer com a tecnologia, fez do formato uma ferramenta para mesclar corpos, cenário e música em uma peça cinematográfica de primeira classe.

O espírito de Pina Bausch passeia por este trabalho de Wenders com sua energia, com sua inteligência e intuição radicais. Claro, com sua morte repentina, há muito de suas melancolia, de suas lembranças. Mas a tristeza se torna uma presença benevolente, que realça o filme, esta estranha e maravilhosa mistura de documentário com dança e homenagem póstuma.

 

Despedida

Pina, de Wim Wenders, domingo 24 de fevereiro. Dança, paixão, tristeza, arte. O que você vê quando vê o Max?

 

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