Nada Pessoal, uma viagem com destino ao amor e à solidão

por max 23. outubro 2012 07:09

 

A solidão é tão temida quanto o amor. Mas, no caso do amor, pode-se atenuar caso este amor seja concebido como uma ação controlada, dirigida, regulada por uma mensagem carregada de códigos benignos e comerciais. Em nossa civilização, sobram estímulos que levam a não ficar sozinho e a amar a coletividade. A publicidade, os padrões de conduta marcados por códigos, por signos contemporâneos, a roupa, o perfume, o penteado, a cor da pele, a maneira de falar, os olhares, a arrumação de uma festa, o que está na moda, o livro, o filme, todo esse universo de sinais nos enfrentam, nos unem, nos tornam rebanho e nos mostram o caminho do amor. Assim, devemos nos apaixonar, como diz a TV, a internet, o rádio, a revista, o pôster.

Como experiência, cabe perguntar como seriam as relações amorosas nessa solidão tão temida. O amor vindo da solidão e vivendo na solidão, nesse lugar verdadeiramente íntimo onde as pessoas se conhecem e estabelecem uma relação. Como se iniciariam os rituais do amor? Como seriam suas dinâmicas?

A cineasta polonesa Urszula Antoniak faz a história de Nada Pessoal (Nothing Personal, 2009) girar em torno destes temas. Uma mulher (Lotte Verbeek) vai para o campo, como se fosse uma turista europeia mochileira que sai para conhecer o mundo. Mas ela é diferente: viaja para lugares distantes, vive na solidão e parece bem confortável com isso. Em determinado momento, ela para, pois conhece Martin (Stephen Rea), um homem solitário que vive em um casarão afastado. Ele oferece alojamento e trabalho para ela e estabelece-se um pacto entre eles: aqui não há nada pessoal, nem poderia haver. No entanto, a dureza das almas e essa solidão bem assumida em ambos irão rachando aos poucos, para abrir caminho a outros sentimentos. Na distância, na desolação, na solidão dos ermitãos, afastados de todos os códigos impostos do amor, o amor também assumirá suas formas. Urszula Antoniak faz um trabalho estético minimalista, moderado, mas delicado, em sua exploração do amor entre estes personagens que, nas cartas do Tarô, poderiam ser O Ermitão e O Louco, neste caso, uma errante que, no fim, parou para fazer uma viagem, como o Ermitão, ao interior de sua alma.

Nada Pessoal, neste sábado, 27 de outubro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

arquivos
 

nuvem