Liberté, ou o grande genocídio cigano

por max 12. abril 2012 04:32

 

Costuma-se falar do extermínio ao qual os judeus foram submetidos na Segunda Guerra Mundial. Porém, também houve um genocídio cigano. Um genocídio que, no seu início, teve particularidades. Sabe-se que os ciganos provêm, em sua mais longínqua origem, da Índia. Assim, à primeira vista, os ciganos falam um idioma que vem do idioma ariano e são herdeiros da raça ariana. Vale dizer que alguns etnólogos do século XIX propuseram que os povos indo-europeus eram descendentes de um suposto povo antigo, conhecido como ariano. Os nazistas se diziam descendentes deles e prontamente a palavra "ariano" ficou fatalmente unida ao nazismo. Para o Terceiro Reich, o fato de os ciganos serem arianos era, portanto, um dilema. Mas prontamente a explicação surgiu e resolveu tudo: sim, os ciganos eram de origem ariana, mas eram pobres e nômades e, no decorrer dos séculos, haviam se mesclado com outras raças, e isso os tornava impuros. Por causa disso, tomou-se a decisão de torná-los estéreis e exterminá-los. Calcula-se que morreram mais de 200 mil ciganos (há quem fale de mais de um milhão) durante a guerra, no que passou a chamar Porajmos, ou o Holocausto cigano.

A história de Liberté (Korkoro, 2009), filme dirigido por Tony Gatlif tem a ver com os ciganos e com aquela Europa mergulhada na guerra, onde alguns homens de diversas nacionalidades decidiram agir para salvar a vida dos que eram perseguidos, neste caso, os ciganos. O filme de Gatlif se desenvolve na França rural daquele período. Um grupo de ciganos chega a um povoado no campo e, claro, encontram quem os receba e quem os repudie. Entre estes ciganos está uma criança francesa órfã, que foi criada por eles. Este menino (interpretado por Mathias Laliberté) é chamado Korkoro, o que significa "ele que é livre". Do lado francês, dos que seriam chamados de "os justos", encontram-se Théodore Rosier (Marc Lavoine), prefeito do povoado e veterinário, e Mademoiselle Lundi (Marie-Josée Croze), professora. Como pano de fundo, encontra-se o perigo nazista, o medo ganhando seu poderio, mas também a sensibilidade cigana, essa compreensão do mundo baseada no desapego e na liberdade. Em certo momento, será dado aos ciganos um lugar no mundo, segundo a visão de quem deseja ajudá-los, e também se conseguirá uma educação para o pequeno Korkoro. Mas os ciganos reagirão de uma maneira totalmente diferente da esperada, e serão seus princípios, sua dignidade que determinarão seu destino frente à ameaça nazista. O destino do jovem Korkoro também se verá estreitamente ligado a essas visões do mundo dos ciganos, ao agradecimento e ao amor.

Desde os anos 70, Gatlif vem estudando e buscando histórias do holocausto cigano. Os personagens principais do filme são baseados em pessoas de verdade, reais, e em duas piadas, claro, também reais. Uma parte da amarga lembrança do passado dos ciganos se recupera com este filme, à medida que eles se erguem sobre o que foi esquecido para lembrar ao mundo que o cigano existe, que o cigano também sofreu.

Liberté, sábado, 14 de abril. Reinvente, imagine de novo … Descubra o Max.

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