Um Inferno, ou celebrando o fim do mundo

por max 20. dezembro 2012 07:57

 

Como não podemos mudar a nós mesmos, algo externo nos faz mudar. A profecia é um texto que declara nosso fracasso.

 

Fartos da razão e suas superficialidades, fugimos para o espírito e suas superficialidades. O espírito, sim, também pode ser superficial. Ver: Nova Era.

 

Não sabemos nadar no fundo de nós mesmos.

 

Pouco importa que Ultraman use roupa de mergulho. Ultraman, esse ser do espaço, é quem nos salva de nossos monstros.

 

De fato, Ultraman não usa roupa de mergulho. Sua pele é uma roupa de mergulho. Ultraman traz a própria redenção em sua pele.

 

Como Ultraman, possivelemente o salvador venha do espaço para destruir os monstros internos. Dinâmica de profecia.

 

As profecias Maias estão na moda. Não porque os Maias eram sábios, mas porque já que os terráqueos nunca confiaram em si mesmos, há quem pense que os maias obtiveram o conhecimento de alguém superior.

 

Encanta-nos um estrangeiro sofisticado, que venha do espaço para nos destruir.

 

Se o fim do mundo chegar, que seja graças aos Maias, e não ao vigarista Nostradamus.

 

Ainda que, é bom lembrar: se é compreensível, não é profecia.

 

A profecia é um poema mal escrito. O clarividente é um poeta frustrado. E os Maias somente queriam saber quando ia fazer tempo bom.

 

Há poemas que são verdadeiras profecias. Os poetas, sim, são clarividentes.

 

Mas o Apocalipse dos poetas é o amor.

 

Também sua gênese, claro.

 

Nunca saberemos quem é pior, se o clarividente ou aquele que interpreta o que ele diz.

 

O bom do fim do mundo é que também acabarão os vigaristas.

 

O bom do fim do mundo é que ninguém poderá vir e dizer: "eu lhe disse".

 

Depois do mundo vem a ressurreição da carne, diz a Igreja. Ou seja, ou seja, os zumbis.

 

O sobreviventes do fim do mundo têm sua moda, a mesma dos hipsters. Tão profetas que já estão preparados para dominar o planeta. Menos mal que não estarei por aqui.

 

O ruim do fim do mundo é que já não haverá coca-cola. Assim dizem as profecias Maias.

 

Veremos o fim do mundo na televisão, comodamente, em nossas casas. Obrigado, Baudrillard.

 

Assim, mesmo que seja um enorme meteorito, sempre será nossa culpa.

 

Se poucos ficarem, ainda seremos os mesmos. Os problemas também os mesmos. Então, não é que tinha chegado o fim do mundo?

 

Os Maias: Oh, e agora, quem poderá nos defender? (Atenção, Chapolin Colorado)

 

Acreditar demasiadamente em algo não é bom sintoma de saúde mental.

 

Se o mundo chegar ao fim, me lembrem, por favor, no dia seguinte, que me enganei.

    

Nesta sexta-feira, 21 de dezembro, o Max apresenta, neste dia somente, Um Inferno (Hell), do diretor alemão Tim Fehlbaum. Uma história pós-apocalíptica de sol tóxico, poeira e escassez de água. Uma maneira, digamos, de celebrar o fim do mundo. Afinal, vai que...

 

Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Um inferno, ou da água no fim dos tempos

por max 22. outubro 2012 11:13

 

Em uma página do site das Nações Unidas (aqui deixo o link, com conteúdo em inglês), leio o seguinte: "A escassez de água já afeta todos os continentes. Cerca de 1.2 bilhões de pessoas, quase um quinto da população mundial, vive em áreas de escassez de água, enquanto que 500 milhões estão próximos desta situação. Outros 1.6 bilhões, cerca de um quarto da população mundial, enfrentam situações de escassez de água, onde países carecem da infraestrutura necessária para transportar água a partir de rios e aquedutos)." Mais adiante, falaremos disso.

 

"— Atualmente, existem cerca de 700 milhões de pessoas, em 43 diferentes países, que sofrem com a escassez de água.

— Em 2025, 1.8 bilhões de pessoas viverão em países ou regiões com escassez absoluta de água e dois terços da população mundial poderão viver em condições de estresse hídrico.

— Sob o contexto atual de mudança climática, no ano de 2030, quase a metade da população mundial viverá em áreas de estresse hídrico, inclusive entre 75 e 250 milhões de pessoas da África. Além disso, a escassez da água em áreas áridas ou semiáridas provocará o deslocamento de 24 a 700 milhões de pessoas.

— Na África-subsaariana encontra-se o maior número de países com estresse hídrico."

 

Mas, o que é esse estresse hídrico? Aqui segue a resposta: "Uma área experimentará estresse hídrico quando seu fornecimento anual de água caia para menos de 1.700 m3 por pessoa. Quando esse mesmo fornecimento anual cai para menos de 1.000 m3 por pessoa, então se fala em escassez de água. E de escassez absoluta de água quando a taxa é menor do que 500 m3."

 

Estes parágrafos copiados falam melhor do tema do que se eu tivesse feito o mesmo, e são perfeitos para introduzir Um Inferno (2011), um filme de ficção-científica nem tão distanciado da realidade, dirigido pelo alemão Tim Fehlbaum. E mesmo que nosso diretor situe a história no ano de 2016 e atribua as causas da escassez da água ao reaquecimento solar, não podemos deixar de ver este enredo como uma grande advertência ao que seria o mundo afetado pelo aquecimento global (que é outro grande problema que aqui prefiro não tocar) e pelo fim das fontes de água.

Um Inferno é um thriller pós-apocalíptico, que se alimenta de todas as fontes cinematográficas conhecidas do gênero para apresentar um elemento original e contar o terrível destino de um grupo de pessoas que devem lutar muito para sobreviver em um mundo carregado de obscuridade. Em algum lugar da Alemanha, em um certo 22 de setembro deste futuro horrendo, Marie (Hannah Herzsprung), sua irmã Leonie (Lisa Vicari) e Phillip (Lars Eidinger) vão em seu Volvo por um caminho através das devastadas montanhas da Bavária, na busca de uma região onde a água talvez ainda exista. Claro, o perigo vem de todos os lados, e o diretor não é benevolente quando se trata de mostrar o quão sinistra pode ser a alma humana, inclusive a própria alma dos protagonistas.

Um Inferno, um filme sem água... e sem almas caridosas. Não perca, nesta quinta, 25 de outubro. Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

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