Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child, ou a vida e morte de Dionísio

por max 16. dezembro 2013 13:49

 

Muita gente lembra de Basquiat, de Julian Schnabel, com Jeffrey Wright interpretando o artista de rua que morreu aos 27 anos por causa de seu vício no caos, na destruição, em vinhos e em drogas. O filme estreou em 1996, oito anos depois da morte deste jovem artista dionisíaco. Em 2010, 14 anos depois do filme de Schnabel e 22 da morte de Basquiat, a diretora Tamra Davis fez uma homenagem ao seu grande amigo, no documentário Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child (2010).

O trabalho em questão utiliza uma entrevista inédita com Jean-Michel que a diretora realizou. Nela, ele estava tranquilo, lúcido, cheio de um humor alegre e leve, que não demonstra nada do mundo escuro do bacanal. Através dessa entrevista, Davis vai entrando na vida de Basquiat, colhendo outros depoimentos de pessoas que o conheceram, que foram muito próximas a ele e recorre também a muitas imagens de arquivo. Desde a infância nas ruas até a rápida ascensão do garoto que da noite para o dia já não sabia o que fazer com todo o dinheiro que estava ganhando, com todas as bijuterias e brinquedos que vieram de repente. Por um lado, vemos a evolução de sua arte, a opinião de especialistas sobre a volumosa, radical, desenfreada e rápida obra de Basquiat, e por outro lado também testemunhamos como a fama foi entrando em sua vida. Sua relação com Warhol, a quantidade de bajuladores e de amigos verdadeiros que o acompanharam nesta floresta iluminada que também o levou ao caos. Somos também testemunhas de seu apetite pelo trabalho, de sua necessidade e sua lucidez quando ele decide se fechar para trabalhar. Vemos Basquiat trabalhando, ele se diverte trabalhando, cria o momento, desenha, pinta, escreve sobre a tela, risca. Vemos Basquiat criando e destruindo uma forma de arte de rua, expressionista e pop ao mesmo tempo. Porque Basquiat tinha isso, sua obra era um grafite qualquer, mas também entrava em formas de arte de vanguarda ao mesmo tempo em que ignorava o pop e o mercado de fetiche.

A sociedade se deslumbra diante do gênio, e se o gênio é um garoto terrível, esse olhar alucinado é ainda maior e leva, no paroxismo e na emoção, ao desmembramento, à destruição. Basquiat, como se tem observado, teria fundido a figura de Dionísio, o deus menino, o menino divino, e quem, como já sabemos, é o deus da embriaguez, do excesso sensual, da liberação do irracional. Basquiat é uma imagem clara de todas essas coisas e também, para irmos a Nietzsche e às ideias expressadas em O Nascimento da Tragédia, é também a metáfora dessa forma de ser dionisíaca dobrada, controlada, contida no controle apolíneo, na arte. No entanto, esse garoto Dionísio não poderia ficar dentro desse controle apolíneo, e terminou se destruindo, de algum modo, desmembrado por essa sociedade que o rodeava. Lembramos que em algumas histórias da Grécia antiga o deus menino Dionísio é esquartejado quando criança (as Ménades praticam o ritual conhecido como Sparagmos) pelos titãs, seres selvagens que o seduziram com bijuterias, brinquedos.

Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child, aproveite nesta quarta, 17 de dezembro.

O que você vê, quando vê o Max?

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Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child

por max 25. janeiro 2013 07:45

 

Muita gente lembra de Basquiat, de Julian Schnabel, com Jeffrey Wright interpretando o artista de rua que morreu aos 27 anos por causa de seu vício em drogas. O filme estrou em 1996, oito anos depois da morte do artista. Em 2010, 14 anos depois do filme de Schnabel e 22 da morte de Basquiat, a diretora Tamra Davis faz uma homenagem ao seu grande amigo, no documentário Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child.

Delicie-se, neste domingo, 27 de janeiro. Arte, fama, decadência, o drama humano nos melhores documentários. O que você vê, quando vê o Max? Por enquanto, fique com uma mostra do trabalho do artista.

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