A série Millenium, seis capítulos de emoção e suspense no Max

por max 30. abril 2012 13:07

 

Um livro, sabe-se, não cabe num filme. Sempre tem quem fique esperando alguma coisa que acaba de fora da adaptação. E isto também reconhece o produtor Soren Staermose, o responsável pela adaptação cinematográfica da trilogia Millenium, de Steig Larsson, e que, através de sua empresa Yellow Bird, adquiriu os direitos audiovisuais dos romances.

Sabe-se que foram filmadas mais cenas do que as exibidas nos três filmes. Por quê? Porque desde o início existia o plano de filmar material extra para depois realizar a série, nada mais, nada menos que dois capítulos de noventa minutos para cada romance de Larsson: no total, seis capítulos. De novo sob a direção de Niels Arden Oplev e de Daniel Alfredson, e, claro, com Noomi Rapace e Michael Nyqvist nos papéis de protagonistas.

O Max apresenta, a partir desta quarta, 2 de maio e durante as próximas cinco quartas, mais da série Millenium, de Steig Larsson. São seis fascinantes capítulos com as tomadas, as tramas e os momentos de suspense que você não viu nos filmes. Não esqueça, a partir desta quarta, 2 de maio, continuamos com a nossa programação de séries únicas, exclusivas, originais e de distintas partes do mundo. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

A Rainha do Castelo de Ar, ou as leis do poder aplicadas por Lisbeth Salander

por max 3. fevereiro 2012 03:07

 

Vendo o último episódio da trilogia Millenium, pensei em O Profeta, de Jacques Audiard. Pensei em Malik El Djebena, pensei em Lisbeth Salander e pensei que eles têm semelhanças. Malik e Lisbeth são duas pessoas periféricas da sociedade, apartados, reclusos. Malik foi para a prisão, Lisbeth a uma instituição psiquiátrica. Nenhum dos dois é louco perigoso ou psicopata assassino. Estão mais para pessoas indefesas que acabam esmagadas uma vez ou outra, pessoas que são anuladas, que são mantidas no vazio absoluto: não são nada, são brinquedos velhos, são coisas. O que os agressores não sabem é que a coisa que eles pretendem anular, na verdade, volta-se contra eles, defendendo-se agressivamente, quando sua vida é ameaçada. A coisa, desgastada, mínima, deixada de lado, acumula obscuridade e cresce e devolve o mesmo que foi ensinado a ela. Malik e Lisbeth transformam-se em figuras cerebrais e silenciosas, que mantêm seu aspecto frágil, inocente. Eles descobriram o mundo dos que gritam, sobreviver é uma questão de silêncios. De fato, além do tema do gênero, de violência contra a mulher e todo aquele assunto absolutamente importante e sério, o que me impressiona nestes filmes é a capacidade de ambos os personagens para, com o uso supremo da inteligência e das mesmas armas do poder, conseguir o que pretendem, que é exatamente derrotar aqueles que detêm o domínio do mundo. De As 48 Leis do Poder, de Robert Greene, extraio três elementos utilizados magistralmente por Lisbeth Salander, personagem ao qual me limitarei neste texto.

A lei número 4 do livro de Greene nos diz: "Diga sempre menos do que o necessário". Em A Rainha do Castelo de Ar (The Girl Who Kicked the Hornet´s Nest / Luftslottet Som Sprängdes, 2009), Lisbeth Salander fala o estritamente necessário e, às vezes, menos. Quando o fiscal pergunta, não responde, de fato, quase como se tratasse de um processo kafkiano, e lhe acusa de silêncio. Mas Lisbeth Salander somente espera para responder no momento adequado, obedecendo assim à lei do poder que, ao seu tempo, como já disse, é uma lei de sobrevivência. Disse Greene no critério da lei 4, que é uma espécie de resumo: "Leve em conta que, quanto mais você diz, mais vulnerável estará e menor controle da situação terá." Salander, uma vez mais, parece saber isto e, por causa disso, guarda um silêncio prudente, que somente dura até o momento que as suas palavras realmente são necessárias. Claro, Lisbeth Salander esconde suas intenções e, enquanto todos trabalham contra, ela trabalha em silêncio. Oculte suas intenções, que é a terceira lei de Greene. Mas, além disso, espione seus inimigos, e faça isso através da tecnologia, de seus amigos hackers. Tal como Sun Tzu explica, Maquiavel e o próprio Greene, na lei 14: "Mostre-se como um amigo, mas atue como um espião." Lisbeth Salander, em contrapartida, não age precisamente de forma amável, mas espiona, sim, a seus inimigos, a fundo. Greene diz: "É de fundamental importância saber tudo sobre seu rival. Utilize espiões para reunir informações valiosas que lhe permitam manter sempre uma vantagem sobre ele. "Nossa heroína, claro, faz isso. Graças aos seus conhecimentos da internet, chega às mais profundas sujeiras, baixarias dos seus inimigos, daqueles que pretendem voltar e trancá-la, para sempre, em uma clínica psiquiátrica. Mas Lisbeth Salander, além disso, faz algo maravilhoso: utiliza de forma perfeita o papel que lhe foi designado: a da louca, da boba. A lei número 21 de Greene é específica: "Finja inocência para armar contra os ingênuos: mostre-se mais bobo que sua vítima." E sigo citando Greene para que fique ainda mais claro: "O truque consiste em fazer as vítimas se sentirem sagazes e inteligentes e, sobretudo, mais sagazes e inteligentes que você mesmo. Uma vez que as tenha convencido disto, nunca suspeitarão que você tem motivações ocultas contra elas (as vítimas)." Isso é o que faz Lisbeth Salander, ela se mantém no quadro que pintaram para ela, se mantém como esse ser estranho que parece não pensar muito, não entender o mundo, não ser profundo. Esta maneira de ser de Lisbeth Salander conhecemos desde os primeiros filmes mas, neste último, ganha maior importância, pois nesta parte final estão em jogo a liberdade e sua própria vida.

Para resumir, A Rainha do Castelo de Ar é, sob essa visão, uma demonstração de estratégias e táticas das lutas de poder. Lisbeth Salander esmagou, anulou, estragou para sempre o Estado e seus negócios sujos, o Estado e seus interesses, seu poder. Ela, por sua vez, entende que, para sobreviver, deve usar armas parecidas, não as mesmas, não tão baixas, mas similares, retiradas da mesma entranha, do monstro, onde se move a obscuridade do poder.

A Rainha do Castelo de Ar, última produção da série Millenium de Steig Larsson, neste domingo, 5 de fevereiro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, ou educando Lisbeth Salander

por max 3. setembro 2011 03:34

 

Eu li um artigo em um jornal local. A notícia era que um mexicano de 16 anos de idade tinha se formado como psicólogo. Andrew Almazan Anaya, dotado de um alto QI (tem 162, 2 pontos a mais do que Einstein, de acordo com a notícia). O interessante sobre esta história, ao contrário de muitas outras que descobrem um gênio o tempo todo em qualquer lugar do mundo, afirma que o menino, em algum momento de sua vida, foi considerado uma aberração, uma criança com problemas e que experimentou a rejeição de seus professores. Aos quatro anos, relata a notícia, ele foi mal diagnosticado com desordem de atenção e défice de hiperatividade, assim como também foi considerado um insubordinado. Felizmente, Andrew foi capaz de ir sobrepondo os estigmas de ser uma criança muito inteligente e hoje é psicólogo e também estudou medicina. No entanto, sabendo o que ele sofreu e da falta de atenção às crianças como ele (de acordo com a notícia no México poderia ter 3 milhões de crianças na mesma situação), o jovem psicólogo junto com seus pais, fundaram o Centro de Assistência ao Talento, que atende crianças de grande capacidade intelectual, que são mal interpretadas ou rejeitadas em outras escolas e cujo talento pode ser perdido sob o peso da educação formal. Agora, o ponto aqui não é apenas que crianças superdotadas sofrem deste problema. Lembro-me de uma conferência que vi recentemente, ditada por Sir Ken Robinson, especialista em criatividade, consultor internacional para governos, empresas e multinacionais. Robinson falou sobre os problemas atuais da educação e da criatividade, lembrando que a educação de hoje foi desenhada e concebida em uma época diferente e distante. Robinson diz-nos que o sistema educacional foi criado durante a Era do Iluminismo (sua mais forte base) e durante as circunstâncias econômicas da Revolução Industrial. Houve, digamos, um modelo intelectual da mente que estava assentado nas bases do assim chamado conhecimento acadêmico (inteligência dedutiva e conhecimento dos clássicos). O conhecimento acadêmico fazia com que uma pessoa fosse inteligente. Existiam, naturalmente, aqueles que não eram inteligentes. Inteligente e não inteligente, é simples. Isso continua sendo verdade e é aí que está o problema. Devido a este sistema, muitas pessoas brilhantes que não têm conhecimento acadêmico, não são consideradas inteligentes. Assim, Robinson continua a argumentar, que esta maneira de compreender o mundo, criou o caos na mente de muitas pessoas, um caos que tem levado a uma epidemia contemporânea, que segundo ele não existe: o chamado Transtorno de Déficit de Atenção. O autor esclarece que ele não quer dizer que este problema não existe, ele quer dizer que o rótulo é aplicado a todos com a facilidade de um gatilho, e não é, como se quer fazer ver, uma epidemia. Nossos filhos hoje, continua ele, estão vivendo em uma era de comunicação e estímulos intensos: computadores, Internet, telefones celulares, videogames, centenas de canais de televisão, sobrecarregados de publicidade. Tudo isso, diz Robinson, é perturbador. Distrai as crianças do quê? De um sistema de educação que já não vai com o tempo, um sistema de educação chato. E com certeza, se eles têm um problema com atenção, a questão é que sua atenção está em outro lugar, onde eles aprendem mais rápido, onde eles aprendem o que lhes interessa, onde aprendem o que os seus tempos obrigá-los a aprender. Em muitos casos, surge a rejeição, o isolamento, o tratamento com drogas que supostamente servem para mantê-los em foco, é quando começa a surgir o que a sociedade considera como loucos. Eles são realmente loucos? Existe realmente algo de errado com eles? Não há necessidade de ser dotado para sofrer tais rejeições, apenas é preciso ser um pouco diferente. Quando a escola de fábrica, ou social, detecta uma dessas exceções, começa o processo de humilhação, de expulsão, de castração, mental. Eles são anestesiados, adormecidos, afastados, para que não se tornem maçãs podres que afetem outras maçãs.

Agora, por que eu pensei em tudo isso e por que estou escrevendo sobre esse assunto aqui? Porque tudo isso me fez pensar em Lisbeth Salander. Pense nisso, caro leitor, acho que esta jovem desde cedo foi considerada anormal, retardada, inútil, uma rebelde, uma rebelde violenta. Ela nunca trabalhou bem dentro da educação formal, ela aprendeu outras coisas, mais interessantes, de outras formas, em colaboração com outros seres mais ou menos invisíveis, outros como ela, do outro lado do teclado. Ela é o fracasso final de um sistema de educação, ditatorial, industrial, parte do que Michel Foucault chamou de uma sociedade de controle. A escola é como uma fábrica (sinos que anunciam o início e o fim do dia, postos de trabalho seriados, etiquetas como um método de classificação), um lugar onde você vai ser moldado para produzir de forma eficiente segundo o que as necessidades econômicas e sociais precisem. Lisbeth Salander, uma alegoria absoluta aos jovens dos nossos tempos, não encaixa na educação de fábrica. Suas habilidades, conhecimento, inteligência e criatividade estão em outro lugar. O mundo acha que Lisbeth Salander está dormindo, anestesiada perante os olhos que não podem ver de outra forma, mas na realidade ela está acordada em qualquer outra área do tempo ao qual ela pertence e onde realmente quer estar. Não sei se Lisbeth Salander é como o menino mexicano talentoso do que falei no início, mas posso dizer-lhe que ela é subsidiária integral da nossa época. O presente é sempre difícil de explicar, de definir e teorizar. Mas, ocasionalmente, alguém vem, um artista que nos dá uma imagem, uma alegoria, uma metáfora, que revela aspectos inusitados de nossa realidade. Eu acredito que Steig Larsson teve essa sorte. Sua personagem, Lisbeth Salander, é um espelho do que está fora de nossas mãos e não podemos entender claramente, mas ela está lá e ajuda-nos a concentrar um pouco mais a nossa mente, pois Lisbeth é precisamente o presente encarnado e portanto, é tão fascinante. Um tratado filosófico não poderia explicar melhor os jovens dos nossos tempos.

Aqui deixo o link para a conferência de Sir Ken Robinson, espero que goste.

E não perca a estréia exclusiva do filme  Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Domingo 4 de setembro, na Max.

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, ou Lisbeth Salander a herdeira

por max 1. setembro 2011 07:50

 

Há algum tempo o detetive (detetive da polícia) não é mais o protagonista do romance. Ou pelo menos não completamente. Claro, o detetive ainda está lá, muitas vezes sendo exatamente o que ele é: um homem de lei, mais ou menos áspero, mais ou menos problemático. Lembre-se do tenente Abel Ferrara, um viciado interpretado por Harvey Keytel, um personagem realmente problemático, sem dúvida. Perry Mason, advogado criado por Erle Stanley Gardner, é porém um exemplo de como o detetive deixa inteiramente seu terreno para usar outros rostos, em outras profissões. Um grande descendente desses advogados é o grande detetive Mandrake de Rubem Fonseca, que não só é um jovem advogado, também é um grande satirista. Em busca da originalidade, cansado das mesmas coisas; a explosão dos clichês e os tempos e a passagem do tempo sobre a realidade da investigação criminal, geram mudanças inevitáveis ​​e é claro, rentáveis. O seriado CSI é o rosto incontornável dos avanços científicos em criminologia. Hoje é absurdo pensar em um detetive que persegue pistas no estilo Holmes ou que bate em alguém para obter alguma coisa interessante. Sim, não há dúvida de que a tradição está lá e que muitas coisas ainda são feitas da mesma maneira. Mas virar de costas para o passado é um absurdo. Grissom e companhia são os novos tempos da investigação criminal, o presente. É claro, também temos escritores, psicólogos e jornalistas. O escritor Paul Auster é um escritor protagonista e detetive dos seus próprios romances. Lembro-me bem da série da HBO, Bore to Death, com Jason Schwartzman, em que um jovem e desajeitado escritor deve fazer o papel de detetive, enquanto não para de fumar maconha em seu caminho de falhas. Com relação aos psicólogos, fomos a fio na série Wire in the Blood baseada nos personagens criados por Val McDermid. Um deles, como muitos sabem, é um psicólogo clínico, o Dr. Anthony Hill. O escritor Paco Ignacio Taibo II tem seu jornalista escritor o já famoso Daniel Fierro. Alberto Fuguet com Tinta Vermelha, introduz um aprendiz de jornalista que por sua vez torna-se numa espécie de detetive aprendiz. Assim, cada autor (com variados graus de sucesso) e cada tempo, apresentam as suas variantes. O sueco Steig Larsson introduziu as suas. Por um lado, tem o seu escritor jornalista Mikael Blomkvist, um homem com uma consciência social, um parceiro em uma revista de jornalismo investigativo. Mas enquanto a personagens como Mikael estamos mais ou menos habituados, além disso, Larsson mostra-nos o seu personagem mais original e radical: um detetive hacker. Lisbeth Salander é especialista em computadores, uma garota que sabe como entrar nesses mundos desconhecidos dos hacker. Quem vai negar que agora, no nosso tempo, todos os segredos do mundo são armazenados em nossos computadores? Nossas casas, empresas, governos, todas as nossas vidas estão lá, nesse ar carregado de energia elétrica que é à rede, o chat, o Facebook, a pasta, o Twitter, os blogs, os arquivos digitais do jornal. Um dos grandes segredos do sucesso vertiginoso do personagem de Lisbeth Salander é esse: Lisbeth é o detetive do nosso tempo, justo, exato, o que correspondia. É também uma mulher, e a pós-modernidade (em seus aspectos artísticos, sociais, políticos) quis trazê-las ao centro das cenas, dando-lhes o seu lugar no mundo, seu papel necessário às mulheres. Lisbeth é uma heroína absoluta: não só tomou o lugar anteriormente ocupado de maneira predominante pelos homens (o detetive clássico), porém é a voz de um corpo, de uma alma e de um espírito, consideradas como objetos em um país onde tudo parece perfeito, justo e equilibrado como a Suécia. Lisbeth Salander é a voz das mulheres contra o poder masculino branco que sob sua decência aparente, categoria e educação só servem para deprecia-las. A garota Salander é rebelde para os poderosos... mais do que rebelde, mas querem julga-la como se estivesse estragada, com a cabeça fora do lugar. Assim, a julgam só porque ela é diferente, porque não encaixa, porque ela sabe que por trás de tudo o que está aparentemente perfeito se escondem os esgotos da força dominante. Lisbeth é uma vítima, e a vítima em um ponto se eleva acima do tormento, para se tornar a heroína das histórias de Larsson. Não fala muito, mas faz, faz no teclado, a partir de sua capacidade de mergulhar na lama dos homens, do seu comportamento em relação ao mundo, de suas ações justas, a partir de sua rebelião fascinante. Lisbeth Salander é certamente uma herdeira digna de Holmes, de Irene Adler, de Miss Marpple, de Maigret, de Sam Spade, do pessoal científico da CSI, de Nikita. Ela é a concentração de todos os personagens que a precedem e acompanham no presente. Ela é o personagem tatuado, pós-moderno, gótico, que visitou Larsson, o escritor que foi tatuado com sua revelação no lugar certo, no momento certo para fazer história.

Max tem orgulho em apresentar a estreia mundial de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, o filme sueco dirigido por Niels Arden Oplev e estrelado por Michael Nyqvist e a incrível Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander. Não perca, domingo 04 de setembro, na Max.

Clique aqui para outras exibições.

arquivos
 

nuvem