Bert Stern: O Primeiro Mad Man, ou o lugar do desejo

por max 13. janeiro 2014 14:04

 

 

Os homens de Avenida Madison viraram moda. Eles são mostrados na série da HBO, Mad Men, os homens da Madison. Apesar desta série se basear em personagens totalmente fictícios, os mad men existiram de verdade. David Ogilvy é, talvez, o mais famoso deles. O homem da "grande ideia" publicitária. Mas, se perguntarem para você "por que estes publicitários dos anos 60 são tão importantes?" Porque eles mudaram a maneira de fazer publicidade nos Estados Unidos e, claro, no mundo. O que até então era um trabalho de apresentação de desenhos e ilustrações, de grandes textos, de simplesmente mostrar o produto e sua necessidade comercial, se transformou em algo a mais com os novos publicitários. Da necessidade comercial passamos ao desejo. Ao desejo puro. Os novos publicitários foram os arautos do capitalismo, os arautos do consumo, os criadores da marca, dos signos que giram ao redor deles mesmos na espiral da aparência e do desejo. Menciono Jean Baudrillard, que argumenta, justamente, que estamos nos tempos dos meios de massa e da cibernética, nos tempos em que as imagens criam seus próprios universos autossuficientes, nos tempos em que o olhar é o desejo. Olhar e desejar. Uma imagem, uma fotografia, uma explosão de estética e de beleza que nos altera e nos dá prazer.

Bert Stern sabia disto. Foi fotógrafo e sabia muito da beleza, pois sempre se viu rodeado de mulheres bonitas. De modelos a atrizes. Stern foi um desses primeiros mad men que começaram a mudar a maneira de fazer anúncios, de fotografar produtos, de apresentar a cena com uma estética diferente, estilizada, elegante, onde o sapato da mulher era algo a mais que um sapato feminino, ou o perfume era mais que um perfume, uma paisagem, uma mulher bonita, um desejo. Dizem que Stern tinha um olhar magnífico para fazer as mulheres bonitas ficarem ainda mais bonitas, um olhar definitivo, um olhar único. Assim também acabou fotografando estrelas do cinema e atores também.

O documentário Bert Stern – O Primeiro Mad Man (Bert Stern – Original Madman, 2011) da atriz e diretora Shannah Laumeister, que nos conta a vida, as agonias e os êxitos deste grande publicitário e artista da fotografia. Cabe esclarecer que Shannah foi uma das esposas de Stern e que, quando casados, ela registrou cada momento de sua vida. O próprio Stern fala sobre isso, quase como uma queixa, e também vemos as imagens dela com ele, juntos, no documentário. Stern e Shannah se casaram, segundo o que ela disse na morte de Stern, eles se casaram em segredo em 2009. Stern tinha 40 anos a mais que ela. E ela, claro, uma mulher muito bonita. Como já dissemos, Stern estava sempre rodeado da beleza. Por isso é irônico vê-lo no documentário, aos seus 80 anos, falando da vida que levava naquele momento. Um homem que chegou a ser o último fotógrafo de Marilyn, que a fotografou nua em duas ocasiões e também belíssima em trajes de gala na sessão dupla que hoje se conhece como Last Sitting (clique aqui para saber mais), esse homem vai caminhando lentamente até sua casa, e logo se senta e diz com voz de idoso que gostaria de ter guardado bons momentos para a velhice, mas não, gastou todos no passado. Depois ele falou como é a sua vida: como bom e digno idoso americano, agora só tem que se preocupar em fazer algumas compras no mercado, renovar o seguro do carro e cuidar de sua saúde, de viver a vida normal como qualquer homem, muito distante daquela vida em que fez o grande pôster de Lolita, filme de Stanley Kubrick e da vida em que fotografou as belas Liz Taylor, Audrey Hepburn, Twiggy (nessa maravilhosa montagem com televisores onde também se via o rosto dela), Madonna ou Kate Moss (clique aqui para saber mais). O documentário de Shannah Laumeister vai do passado ao presente e tem a voz do próprio Stern narrando sua vida, desde os mais gloriosos até os mais patéticos momentos, aqueles em que Stern esteve sumido nos labirintos do vício e da fama. A parte em que ele conta como voltou após sua grande queda é fenomenal, pois ali ele fala do livro das pílulas, conhecido como The Pill Book. A ideia, muito simples: Stern se colocou a fotografar comprimidos, comprimidos e mais comprimidos depois de saber que o livro mais roubado das bibliotecas dos Estados Unidos era o manual sobre diagnósticos e terapias médicas dos farmacêuticos. Claro, ele não se equivocou ao fazer isso, pois o livro foi um sucesso comercial.

Stern morreu em 23 de junho de 2013. Tinha 83 anos. Sua vida e sua obra, este maravilhoso documentário coloca no lugar onde deve estar, na história da publicidade, junto a Ogilvy e aos outros grandes criadores do desejo, na história da cultura popular contemporânea, na história dos homens que tiveram o fogo da criação.

Bert Stern: O Primeiro Mad Man, terça, 14 de janeiro, no Max.

O que você vê quando vê o Max?

Para reapresentações, clique aqui.

arquivos
 

nuvem