Eva e Lola, ou uma exploração de identidade

por max 1. março 2011 02:52

 

 

Eva e Lola (2010), o terceiro longa da argentina Sabrina Farji é um filme com uma base política forte para explorar a questão das crianças desaparecidas e apropriadas pelos militares. À partir de seus personagens e da técnica, Farji nos dá uma visão delicada, feminina e muito contemporânea de um assunto que tem sido tratado com profusão em várias artes na Argentina. Neste caso, temos Eva e Lola, duas meninas do nosso tempo, com muitos elementos em comum. Elas são amigas, são delicadas, bonitas, trabalham juntas numa boate, onde elas realizam uma performance artística. Mas a ditadura do passado é também um elo comum. Eva fala pelo celular —imagina que fala— com o seu pai desaparecido, Lola vai descobrir que os seus pais não são os seus pais. Sem dúvida, o filme de Sabrina Faji  tem uma dívida e uma filiação com outro filme de quase três décadas atrás, o inesquecível trabalho de Luis Puenzo, A História Oficial. De Puenzo, Sabrina Farji pega a questão das crianças roubadas pelos militares e também o elemento profundamente humano. Porque este filme, que obviamente começa sendo sobre política pretende alcançar alturas maiores, os espaços humanos e espirituais através do tema da identidade e da feminilidade. O espaço da política, da juventude, do amor e da família se reúne em profundidade com o cuidado para permitir o jogo de exploração dos personagens, tudo levado com talento e paixão por duas jovens atrizes Celeste Cid e Mariela Vitale, ambas muito bonitas e sensuais. Mas o filme Eva e Lola não fala só dos políticos e da identidade, também permite momentos de ternura, humor e erotismo. Cinema jovem, com uma fotografia ousada e uma proposta estética diferente. Uma voz feminina e talentosa por trás das câmeras que conta uma história de horror e tem a intençao de continuar sendo algo interessante que doa à Argentina e ao mundo. Sem a identidade uma parte da nossa alma, está morta.

Eva e Lola, quarta-feira 02 março. Descubra Max.

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