A Coleta, uma história (verdadeira) para não esquecer

por max 20. julho 2012 09:00

 

Estamos em julho, e em julho faz 70 anos que terminou um evento abominável chamado "Operação Vento da Primavera". Se você acredita que os nazistas foram os únicos vilões na história da Segunda Guerra Mundial, está equivocado. Aquele que consente, que deixa passar, também tem sua grande parcela de culpa.

Em 1940, o Terceiro Reich tinha tomado a França, sem maiores esforços. A Wehrmacht ocupava o território e o general Philippe Pétain e o político Pierre Laval, com seu novo Estado pseudonacionalista conhecido como governo de Vichy (que durou de 1940 a 1944), deixaram que os novos aliados fizessem o que lhes parecia melhor. Foi assim que, pelo compromisso com a tristemente célebre Seção IVB4, escritório responsável pela localização e deportação de judeus sob as ordens de Adolf Eichmann, foi realizada, em julho de 1942, a Operação Vento da Primavera, um vento que visava "limpar" a França da presença judia, o que aconteceu em grande parte.

A polícia francesa se mobilizou. Fala-se que cerca de nove mil policiais e militares participaram desta ação, que se deram ao trabalho de buscar, em cada residência, os judeus franceses, já fichados pelo regime nazista desde 1940. As instruções já estavam dadas desde o dia 12 de julho e no dia 16 as prisões foram realizadas. Sem levar em conta o estado de saúde nem as reclamações, sem permitir que avisassem ninguém ou pudessem se arrumar direito, com a maior rapidez e o máximo silêncio, ou seja, sem explicações, na madrugada de 16 de julho foram presos mais de 13 mil judeus (a previsão era capturar mais de 27 mil; por sorte, houve fugas e muita desobediência civil e de funcionários), que depois foram conduzidos ao campo de Drancy, ao norte de Paris, e ao chamado Velódromo de inverno.

As condições de prisão não poderiam ser piores. As crianças, cerca de quatro mil, foram separadas de seus pais, e todos, adultos e crianças, passavam dias inteiros sem comer nem beber água. Houve cerca de cem suicídios, aqueles que tentaram escapar foram fuzilados. Não é para menos que houve suicídios e tentativas de fuga, já que muitos deles seriam enviados a Auschwitz. Voltando às crianças, cabe destacar que foram enviadas diretamente a este campo de concentração e, dali, direto para as câmaras de gás. Eram crianças entre dois e doze anos de idade.

A Coleta (La Rafle, 2010), de Rose Bosch, explora este momento histórico a partir da ficção, através da visão de Jo Weissman (interpretado por Hugo Leverdez), uma das quatro mil crianças que sofreram toda aquela terrível humilhação. Baseada em testemunhos dos sobreviventes e tendo uma rigorosa documentação como guia, a cineasta nos apresenta este filme, um dos poucos que aponta, sem medo, a responsabilidade do governo francês na tragédia. De fato, foi só em 1995 que o presidente Jacques Chirac reconheceu publicamente a responsabilidade do Estado.

Com realismo e, ao mesmo tempo, fotografia e ambientação de primeira, Bosch se abre diante da dor e da profunda emoção de recriar uma das tantas histórias que não deveriam ter acontecido mas que, uma vez que aconteceram, não devem ser esquecidas. No elenco estão Jean Reno, Thierry Fremont Gad Elmaleh e Melanie Laurent.

A Coleta, nos 70 anos da tragédia, domingo, 22 de julho. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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