O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood, documentário que homenageia o rebelde número um do cinema americano

por max 5. maio 2014 04:12

 

Roger Corman é o homem da rebeldia, o rei do cinema independente por excelência. Claro, atualmente quando se fala de cinema independente fala-se, na maioria dos casos, sobre um trabalho artístico um pouco mais intelectual e requintado, certo? Na verdade, o verdadeiro cinema independente começou com os realizadores do chamado "Cinema B". Vale lembrar que, no início, os filmes do cinema B eram aqueles que entravam na sessão dupla das salas de cinema (os grandes estúdios detinham, naquele momento, o poder da distribuição e das salas de cinema); quer dizer, o filme A é a grande produção do estúdio, aquela que custou muito dinheiro, enquanto o filme B, projetado antes do grande evento, é a produção de baixo orçamento e de pouca qualidade, que está lá só para rechear, como um extra para que o público sinta que recebe mais pelo mesmo dinheiro.

Foram várias as razões que levaram os estúdios a realizar filmes B: Primeiro, como evolução lógica do espetáculo de variedades que era apresentado antes da exibição do filme principal. Tal espetáculo, no início, consistia em uma pequena cena burlesca ou na projeção de um curta-metragem. Logicamente, esta sessão prévia foi evoluindo, tornando-se cada vez mais complexa, até chegar a um filme. Em segundo lugar, a crise americana também teve influência, pois, desde os anos vinte, afastou o público das salas de cinema. Pode-se dizer que os filmes B surgiram como um incentivo para o público decidir gastar o pouco dinheiro que tinha nos bolsos. Mas, afinal, o que estes filmes B tinham especificamente? Eram filmes muito baratos, produzidos com orçamento muito, muito mínimo e com temática de cultura popular, como terror ou ficção científica.

Com o tempo, este cinema B se transformou em um negócio. Junto dos grandes estúdios (que foram os produtores originais destes filmes) surgiriam empresas dedicadas exclusivamente a esta produção. Por isso, nos anos quarenta, quando uma lei derrubou o monopólio de distribuição dos grandes estúdios, os filmes B continuaram a ser produzidos. E, no final dos anos sessenta, quando os códigos de censura foram flexibilizados, estes filmes começaram a explorar temáticas ainda mais atrevidas. Digo ainda mais porque, trinta anos antes, o cinema B já estava fazendo praticamente tudo o que queria. Como eram filmes que estavam lá para encher o espaço, ninguém tinha interesse e, por isso, ninguém os vigiava muito de perto. Isto abriu espaço para a experimentação tanto de temas como de formatos. Na época em que as leis de censura foram relaxadas, o terreno já estava preparado para abordar e explorar novos temas. Observe que usei a palavra "explorar", pois a qualificação que os novos filmes tipo B receberam foi exploitation: explorou-se sexo, raça (eram os anos das lutas por direitos civis), violência, sangue, vulgaridade.

Roger Corman surgiu nestes anos. Ele era diretor de filmes B e trabalhava para uma empresa que fazia filmes B, a American International Pictures (AIP), onde Corman fez uma série de filmes baseados nos contos de Edgar Allan Poe. Estes filmes, já sabemos, foram o começo da lenda Corman, um diretor que queria fazer filmes que agradassem ao público, filmes interessantes e assustadores, que divertissem. Claro, isto é o mesmo que Hollywood queria. A diferença é que Corman não se deixava enrolar pelos grandes executivos e fazia os filmes com baixíssimo orçamento. Nosso homem até chegou a virar independente, fundando sua própria empresa para continuar a fazer o que achasse melhor, com roteiros rápidos, produções baratas (inclusive em cenários de outros filmes) e filmagens onde não se exigia nada dos atores nem se repetiam as cenas. Vale dizer que, em muitas destas filmagens, passaram nomes que depois seriam grandes artistas da indústria, como Jack Nicholson, Martin Scorsese e Peter Fonda, entre outros.

O documentário O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood (Corman's World: Exploits of a Hollywood Rebel, 2011), de Alex Stapleton, fala sobre este cineasta lendário que, naquela época, chegou a dizer que já tinha realizado mais de cem filmes sem gastar um centavo. Na realidade, agora são mais de quatrocentos… sem gastar um centavo. No documentário, para fazer uma homenagem, estão aqueles que devem ao diretor a paixão pela arte: Tarantino, Scorsese, Nicholson, Robert De Niro, Jonathan Demme, Peter Fonda, Bruce Dern, Peter Bogdanovich, William Shatner, entre muitos outros.

O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood, terça, 6 de maio, no Max.

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Início do Ciclo EUA Independentes com o filme 28 Quartos de Hotel

por max 4. setembro 2013 12:27

 

Isso que tem entre os ancestrais de Roger Corman, Orson Welles, Samuel Fuller, John Cassavetes, entre outros. Isso que chegou ao auge com os novos cineastas de Hollywood (Scorsese, Coppola, entre outros) e que todavia, sob o controle dos estúdios tinha seu ar de independente. Isso que promoveu e promove com sucesso o festival de Sundance (paradoxalmente como negócio que Hollywood havia descoberto). Isso que relacionamos com Tarantino, mas talvez não seja Tarantino. Isso que se caracteriza por filmes sem enredo convencional, por contar histórias de famílias disfuncionais, por acumular personagens fora do comum que lutam para se manterem dignos neste mundo quadriculado e cruel. Isso que pode ser encurralado por prostitutas, homossexuais, anões, pessoas solitárias e drogas. Isso com raras músicas de fundo; com preservação de diálogos ou com diálogos agudos. E claro, isso qye não faz festa com grandes orçamentos e nem efeitos especiais… ou pelo menos, não ao estilo dos grandes estúdios. Isso que chamamos de cinema independente, esse amplo espectro de maravilhas, terá seu espaço este mês de setembro, no Max, com exibição toda quinta. Começa nesta com 28 Quartos de Hotel (28 Hotel Rooms, 2012), de Matt Ross. Na próxima semana, quinta dia 12, tem Inverno de Alma (Winter´s Bone, 2010), de Debra Granik, e dia 19, 96 Minutos (96 Minutes, 2011), de Aimee Lagos. E o ciclo EUA Independentes encerra com O Futuro (The Future, 2011), de Miranda July, na quinta, dia 29.

 

 

Para começar, 28 observações sobre 28 Quartos de Hotel do estreante Matt Ross:

 

  1. Uma história de amor que no início não pretende o amor, é uma verdadeira história de amor.
  2. Os amantes se calam, não dizem que se amam. Seus corpos falam por eles. Seus corpos gritam o amor.
  3. Lá fora está o mundo, o mundo que esmaga.
  4. Entra, vê a porta aberta e entra. Depois não sabe como sair. Assim é o amor que cresce dentro dos amantes.
  5. Existe um pacto. Que não iriam se apaixonar. Mas começam a sonhar outra vida. Neste instante, eles sabem, estão perdidos.
  6. Um quarto de hotel não salva de nada. Desta porta o amor também tem as chaves.
  7. Quarto de hotel, pacto de não se apaixonar. Fracasso certo... do pacto.
  8. Quarto de hotel, refúgio atômico contra a realidade. A realidade é o Apocalipse dos amantes.
  9. Os amantes querem ser como os aeroportos. Esquecem que os voos sempre atrasam, que sempre ficam mais tempo do que realmente era necessário.
  10. Para os corpos nada é passageiro.
  11. Não saber nada do outro não garante o esquecimento.
  12. Nada é certo, menos que se apaixonará.
  13. E a morte.
  14. Mas o amor é como a morte.
  15. Quando percebe que comprou uma passagem sem volta. Ali, naquele lugar.
  16. Quando começa a não saber o que fazer com sua vida. Ali, naquele lugar.
  17. Quando quer uma bola de cristal. Ali, naquele lugar.
  18. Quando entende que o destino existe, mas a vida é sua inimiga. Ali, naquele lugar.
  19. O amor ri dos que dizem: "Não vamos nos apaixonar".
  20. O amor os faz dizer: "Não vamos nos apaixonar".
  21. O amor tem três pernas. É uma mesa de mago. Um mago é um ilusionista... e uma fraude fascina.
  22. Quando foi isso? Foi ontem que disse que não se apaixonaria?
  23. Ontem sim.
  24. E hoje já.
  25. E hoje não há remédio.
  26. Você já esteve em 26 quartos, e desde o primeiro você já sabia.
  27. 28 Quartos de Hotel, quinta, 5 de setembro, no ciclo EUA Independentes. No Max.

O mundo de Roger Corman, ou essa fibra profunda de nossa alma

por max 19. agosto 2013 12:24

 

Quando você se senta para lembrar de um filme antigo, aquele que te impressionou pelo terror, apesar de você se lembrar de efeitos especiais ruins, então você está lembrando de Roger Corman. Isso, essa clara situação na memória de uma história de Edgar Allan Poe, estrelada por um homem jovem que logo é reconhecido como Jack Nicholson, esse posicionamento nítido (diria um expert em marketing) é o império de Roger Corman sobre todos nós. Os filmes de Roger Corman foram produzidos há muito tempo (embora ainda ele esteja produzindo), ocorreram em uma época em que você não se interessava em saber o custo e quantos efeitos computadorizados foram inseridos em apenas poucos segundos, uma época em que você se assustava de verdade, mas ao mesmo tempo se sentia protegido na tranquilidade do seu lar, no sofá, ou debaixo do cobertor em sua cama. Roger Corman pertence a um tempo sagrado em que fomos mais felizes, em que ainda éramos capazes de nos assustar. Esse é seu verdadeiro alcance. Quando levamos o pensamento até Corman, também vamos a uma área de nossa alma que está intacta.

Existem outras explicações, é claro, que têm a ver com a história, com a rebeldia, com o cinema independente. Corman queria fazer filmes que ele gostasse para pessoas que queriam ter um bom momento. Isso também é o que Hollywood quer. A diferença é que Corman não se deixava levar pelos grandes executivos. Nosso homem lenda fazia as coisas distantes deles. Fazia seus roteiros, conseguia cenários (geralmente a partir de outros filmes e que ele usava sem problemas), gravava em tempo recorde e era um excelente caçador de jovens talentos, entre eles, Jack Nicholson e Martin Scorsese.

O documentário O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood (Corman's World: Exploits of a Hollywood Rebel, 2011), de Alex Stapleton, fala deste cineasta lendário que em sua época chegou a dizer que havia produzido mais de cem filmes sem gastar um centavo. Na realidade, agora são mais de quatrocentos... Sem gastar um centavo. E lá estão para fazer homenagem, aqueles que devem a ele e que deveriam a ele a paixão e a praticidade da arte (Tarantino, Scorsese e Nicholson, entre outros).

Não há dúvidas, é difícil encontrar um homem prático hoje em dia. Um homem que é como é, não tem nenhum protocolo, nem esnobismo, nem ostentação. Roger Corman é este tipo de homem, esse que quis fazer filmes e ganhar dinheiro com isso, sem se enganar com intelectualismo, sem alegar que estava fazendo a sétima arte. Como diria Foucault, eu acho, Corman se preocupava mais em cuidar de si mesmo do que conhecer a si mesmo. Ele já se conhecia, ele queria se cuidar, ser prático, se ocupar estando bem e fazendo o que gosta: criar filmes engraçados, que chegam às profundidades de nosso espírito imortal. A essência do que os outros pretendiam com temas mais inteligentes e falharam. O bom cinema é para poucos.

O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood, terça, 20 de agosto. Cinema B, biografia, arte, rebeldia, entretenimento. O que você vê quando vê o Max?

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Jack Nicholson, ou um cara diabólico

por max 10. novembro 2011 05:03

 

Se fizéssemos cartas de Tarô com atores de Hollywood, certamente Jack Nicholson seria O Diabo. Mas claro, seria um diabo com sorriso dissimulado, brincalhão, simpático, sedutor, herdeiro desse Satanás que começou a configurar-se, pode-se dizer, desde o Renascimento, quando o homem começa a tomar consciência de si mesmo, de sua individualidade, pelo menos no que refere-se à arte. Tal como disse Rüdiger Safranski em Le Mal, o homem do Renascimento continua sua reflexão sobre Deus, que agora se acentua com orgulho consciente na "criação e liberdade que gritam nele". Safranski disse que era esse criacionismo, essa necessidade de criar mundos do nada, do sem forma, esse colocar-se à altura de Deus, "não podia ser considerada menos do que uma suspeita de heresia." O homem, necessitado de liberdade e criação, resultava maligno. Não é de se estranhar, então, que começara a configurar-se uma ideia distinta do mal, e por isso mesmo, do demônio. Os românticos também acreditam no descenso e vivem com o olhar vidrado no mistério. Esse caminho, obviamente, é obscuro. Por volta de 1800, as visões do mal já são outras. A visão do diabo também. No entanto, tal como disse Umberto Eco em A História da Beleza, já em 1667 John Milton redime Satanás, identificando-o como um modelo de rebelião contra o poder. Percy Bysshe Shelley, em 1882, por sua vez, diz em seu Defesa da Poesia que o demônio de Milton é superior ao Deus que ele enfrenta. Escreve Eco: "Satanás não se arrepende no sentido da honra, não aceita submeter-se a quem ele tenha vencido, e se nega a pedir perdão: "Melhor reinar no inferno do que servir nos céus". Estamos falando de um ser que nega entregar-se à escravidão, da energia de rebelião, um ser livre, um ser profundamente humano. Como não identificar-se com o anjo caído, com o libertário? Não esqueçamos que a mesma ideia do Iluminismo trai a semente da obscuridade. Ali está o homem culto, que enaltece sua inteligência, sua razão, ele que vai contra os poderes estabelecidos, do Estado monárquico. O demônio simpático se esgueira por baixo da porta. Com Jacques Cazotte e O Diabo Enamorado, a criatura do mal é uma mulher sedutora, apaixonada. Em Goethe, tal como apresentava Eco, mostra-se como um homem corretamente vestido, clérigo errante, intelectual. É um diabo dialético e convincente que atua sobre Fausto "como o gato com o rato". No século XX, Eco continua, esse diabo será completamente "laico". Em Os Irmãos Karamazov, é um gentleman russo. Para Giovanni Papini, é alto e magro, para Anthony Mann veste um boné inglês e parece um vagabundo com a voz e a dicção de um ator... Percebeu? Mann nos fala de um ator.

Nicholson, sem dúvida, acabou sendo o herdeiro, esse magnífico ator diabo. Com mais ou menos poder, com mais ou menos véus, Nicholson sempre interpretará, dará à luz aquele demônio que também grita na escuridão, com seus olhos. Inclusive, ele foi o diabo em pessoa em As Bruxas de Eastwick (1987), encantador, orgíaco, mas também um demônio cheio de maldade. No entanto, sua obscuridade mais demoníaca ele deixa brotar em O Iluminado (1980). O demônio da abstinência e o demônio da loucura possuem-no nesse filme de Kubrick, e levam-no a circular pelos salões do hotel Overlook com abertas conversas com seres condenados, malditos, diabólicos. Mesmo quando fez o astronauta aposentado em um drama, ele tinha algo de demoníaco. Sem falar de seu Coringa em Batman, de Tim Burton. Esse Coringa é um diabo que ri, e o riso, já havia dito Baudelaire, sempre teve algo de demoníaco, de espírito livre. A maldade de Nicholson fascina. É uma maldade que estava nele e que ele aprendeu a explorar desde seus primeiros filmes B com Roger Corman. Ali esteve durante quase uma década fazendo filmes de baixo orçamento. No momento em que começa a pensar em Sem Destino (Easy Rider), Jack não tinha grandes esperanças de sair daquele buraco existencial. Muito menos se esperava que Sem Destino se convertesse em um enorme sucesso de bilheteria. Era um filme de contracultura, concebido por um dos loucos cabeludos, com barbas e roupas encardidas, que bebiam sem parar, que fumavam maconha de montão e que usavam todo o tipo de droga. Para Peter Fonda nada importava, além de estar sobre sua nuvem de psicotrópicos, e Dennis Hopper estava "muito chapado", andava com duas armas e achando-se o diretor mais talentoso do universo. Conta-se que as filmagens durante o Mardi Gras foram um desastre. Toda a equipe abandonou Fonda e Hopper, e no final, totalmente drogados, ambos acabaram brigando no cemitério. Aquela desavença duraria somente até que as filmagens terminassem. Nicholson, por sua vez, conta que passou todo o filme fumando maconha. Na famosa cena do fogaréu, garante que estava absolutamente drogado.

A montagem não foi menos desastrosa. Hopper pensava que havia feito uma obra magnânima, queria uma edição de quatro horas. Fonda se queixava dos montadores também. Mas, no final, as coisas se encaixaram e o filme deles tinha feito história. Estava nascendo a nova Hollywood, a contracultura atacava, as pessoas queriam uma nova arte. Sem Destino foi um grande sucesso comercial e cultural. Havia custado 500 mil dólares e terminou faturando 19 milhões de dólares, mais o prêmio de Melhor Filme de Diretor Estreante em Cannes. Cada um teve seu quinhão: Hopper transformou-se em grande diretor, Fonda no ator roteirista, e Nicholson, que no filme aparecia em um primeiro momento como um homem diminuído, nada interessante, demonstrou do que era capaz quando explodiu, com toda sua obscuridade demoníaca. Desde então, continuou surpreendendo como em Chinatown, Cada Um Vive Como Quer (Five Easy Pieces), Um Estranho no Ninho, entre outros tantos que fizeram dele um dos atores mais importantes do cinema norte-americano. Como bom filho do Actors Studio, Jack Nicholson soube tirar proveito de suas obscuridades e de seus medos, mas sempre mostrando, no rosto, esse ar mefistofélico muito particular e, com isso, tem nos mantido hipnotizados, até hoje.

Não precisamos dizer mais nada; nesta quinta-feira, 10 de novembro, dentro do ciclo Ícones do Cinema, teremos, claro, Jack Nicholson em... Sem Destino. Não perca.

Descubra seus ícones do cinema, descubra Max.

Ciclo de Filmes B de Terror, segunda quinta-feira com A Pequena Loja Dos Horrores

por max 7. setembro 2011 11:18

 

À meia-noite, quando aparecem os fantasmas, monstros, vampiros e bruxas, à meia-noite, quando as portas ficam abertas para o além, para a dimensão desconhecida, Max continua a sua série especial de Filmes B e desta vez nós traz o filme A Pequena Loja dos Horrores (The Little Shop Of Horrors, 1960), um clássico, um filme de terror, temperado com humor pelo mestre do cinema B, o grande director Roger Corman.

Corman atingiu uma categoria que muitos querem e poucos conseguem: diretor de cinema cult. Porque ele é isso definitivamente, um diretor cult. Um homem teimoso, que tem estado apaixonado pelo cinema de horror, ficção científica, westerns, filmes eróticos e mais, por muitas décadas, e sempre com um toque pessoal que o posiciona acima de toda a mediocridade. Com Corman também começaram diretores e atores de talento reconhecido. Entre os diretores estão Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Ron Howard, Peter Bogdanovich, e entre os atores Jack Nicholson, Peter Fonda, Dennis Hopper e Robert De Niro, entre outros. Corman também trabalhou com Vincent Price e Boris Karloff quando a sua carreira não estava no melhor momento (assim o produtor diretor tinha um grande ator por baixo custo). Corman é o mágico dos baixos orçamentos, que se aproveitava e usava os estúdios vazios dos outros filmes para fazer o filme dele, foi o diretor que fez filmes em um piscar de olhos.

Corman começou como mensageiro, então se tornou um analista de roteiros e finalmente em 1955 começou a fazer filmes. Se você visitor a IMDB, você verá o listado onde ele aparece como produtor de 396 filmes e diretor de 56. Supostamente se aposentou no início dos anos setenta, mas não é verdade, Corman continuou produzindo e em 1990 dirigiu Frankenstein Unbound. Roger Corman fazia filmes a toda velocidade, não parava. Um de seus filmes de maior sucesso, na verdade, foi filmado em dois dias e uma noite. Corman e o roteirista escreveram o roteiro em uma sessão e depois, o filme foi ensaiado durante três dias e finalmente, foi feito no tempo determinado, com um ou outro material extra duas semanas depois. Sabe-se que Corman filmou com três câmeras de uma só vez, sem repetir tomadas (naquels dois dias, mas depois teve que repetir e filmar algo a mais) e não prestando muita atenção à iluminação. O cenário utilizado foi o de um filme que estava prestes a começar a ser filmado; Corman fez algumas mudanças no cenário e assim ficou pronto para filmar. O filme custou entre 20 mil e 30 mil dólares. Como informação adicional a esta lista de curiosidades, o filme foi o quarto do ator Jack Nicholson e o primeiro como ator de Roger Corman.

A Pequena Loja dos Horrores é considerado o clássico dos clássicos do cinema B. Em 1986 foi feita uma versão do filme com os atores cômicos daquele momento (Rick Moranis, Steve Martin, James Belushi, John Candy, Christopher Guest, entre outros) e ainda passou por uma versão da Broadway que foi um sucesso. Aparentemente, há uma outra versão para o cinema em caminho.

A Pequena Loja dos Horrores, não perca a série de filmes B, meia-noite, quinta-feira, 8 de setembro na Max.

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