Os Acompanhantes, ou a elegância do excêntrico

por max 13. junho 2013 14:27

 

Elegante, fresco, repleto de personagens peculiares, Os Acompanhantes (The Extra Man - 2010) de Robert Pulcini e Shari Springer Berman (os criadores do magnífico Anti-Herói Americano – American Splendor - 2003), é uma comédia que nos mostra Kevin Kline como um dramaturgo que não consegue meios para viver e que presta serviços como acompanhante para senhoras viúvas da cidade, com quem faz sexo, pois ele é publicamente...assexuado. O filme, leve em sua imagem, em sua música e em seus olhares, tem tudo com leveza e diversão. Diverte com Kline fazendo Henry Harrison, e diverte também com Paul Dano fazendo Louis Ives, um jovem aspirante a escritor que é fascinado por lingerie feminina – e as veste – mas que também busca se vestir como os personagens dos romances de Fitzgerald. Sim, são todos raros, todos particulares, todos excêntricos... Pergunte a Wes Anderson se a excentricidade não dá rendimentos. Mas no fim... Por essas excentricidades, Ives deixa a escola que lecionava e vai direto a Nova Iorque tentar a sorte como escritor. Bem, você sabe, para encontrar a si mesmo. E assim, encontrando-se ele se encontra com Harrison, e entre eles começa uma relação, não amorosa, muito menos sexual (já sabemos, Harrison não é Cole Porter), mas sim de senhorio / inquilino e de mestre / discípulo.

Os personagens de Os Acompanhantes são e não são do mundo. Eles se movem, se deslocam, giram, entram e saem, vão pelos cantos ao redor das portas do grande mundo. São esquisitos e gostam de arte, de teatro, de literatura, vivem para entreter os outros, os poucos, os que vivem nesse grande mundo, que é nada mais e nada menos que Nova Iorque, a colossal, a extremamente difícil e mesmo assim, extremamente sofisticada.

Sim, o filme, sem dúvida nenhuma, é elegante, fresco, mas também triste e reflexivo, e no fundo, aos olhos destes personagens que nos enchem de felicidade, mas também de compaixão, e para alguns, até mesmo de melancolia.

Os Acompanhantes, sexta-feira 14 de junho. Excentricidade, elegância, fina comédia. O que você vê quando vê o Max?

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