Elizabeth Taylor, ou a arte de lutar contra a beleza

por max 11. novembro 2011 11:57

 

A beleza e a dor. Se Frida Kahlo tivesse sido bonita, teria sido igualmente sofrida e, com a dor, também teria descido às profundezas da alma. A dor faz descer. A dor física se converte em dor metafísica, filosófica, existencial; é uma espécie de Nirvana amargo amarrado aos ossos. Se Frida tivesse sido bela e, além disso, atriz e também vítima da dor, não teria se chamado Frida, mas sim Elizabeth Taylor. Porque La Taylor era bonita e era atriz, uma grande atriz cheia de dor. Porque a beleza pode ser outra forma de dor. É assim, há mulheres que são dominadas por sua beleza, e se perdem por causa dela. Algumas lutam contra ela, desejam que sua inteligência ganhe a batalha. Mas também, ao mesmo tempo, há algo na beleza que produz a sensualidade. Para algumas, a beleza é isso, um demônio que vai dentro da pessoa, um ser que as domina. Elizabeth Taylor foi uma mulher dominada por sua beleza, pelo demônio da beleza? A dor, real, física, a dominava. Uma deformação eterna, um tumor cerebral. Algo profundo feria Elizabeth. Teve problemas com o vício. Sem dúvida, algo a machucava. E continuamos dizendo, era bela. É só vê-la em Cleópatra (1963). Grande atriz também. Basta vê-la em Quem Tem Medo de Virginia Wolf? (Who´s Affraid of Virginia Wolf?, 1963). Famosa, talentosa, dominada por sua beleza, Elizabeth casou-se oito vezes, duas delas com o mesmo homem: Richard Burton. Acreditava no amor, era uma apaixonada, mas o amor não durava muito para ela. Fica a pergunta: a beleza talvez lhe trouxesse esses problemas? Viveu entregando pedaços do seu enorme coração, e morreu de uma insuficiência cardíaca. Assim foi Elizabeth, uma mulher belíssima que lutava contra a dor, contra a dor física, e contra a dor espiritual. Uma mulher que se empenhou em demonstrar, durante toda a sua vida, que a beleza não era seu único ponto forte. Seus olhos, devo dizer, sempre foram os mesmos. Os olhos de Frida falam de tristeza, os de Elizabeth são misteriosos. Eram belos e diziam pouco, não podiam ser decifrados. Talvez buscassem o que se passava por dentro dela, sua alma e as razões de sua alma. Cansada de sua beleza externa, não queria ser dos outros, mas sim dela mesma e, quem sabe por isso, seus olhos escondiam a luz que ela precisava para iluminar suas próprias verdades.

Sempre pensei que ela devia morrer jovem, porque tinha sido extremamente bela. Velha teria arruinado sua imagem, seu mito. Mas não, La Taylor foi além da esplêndida Cleópatra. E prosseguiu mostrando-se ao mundo para provar que, apesar de sua beleza perdida, continuava sendo Elizabeth Taylor, a atriz, a diva, a verdadeira estrela de Hollywood, como poucas.

Como grande atriz que procurou ser, conquistou três Oscars, um em 1961 de Melhor Atriz em Disque Buttefield 8 (Butterfield 8), outro em 1966, na mesma categoria por Quem Tem Medo de Virginia Wolf? (Who´s Afraid of Virginia Wolf?). Em 1993, deram-lhe o Prêmio Humanitário Jean Hersholt. Vale a pena ressaltar que em Disque Butterfield 8, seu papel tinha a beleza como aspecto fundamental. No filme, ela interpretava uma bela modelo, que também era garota de programa, e cuja vida romântica ia sempre da felicidade extrema ao tormento. Vale dizer que bela, sim, e igualmente grande atriz.

Nesta sexta-feira, dia 11, dentro do ciclo Ícones do Cinema, Elizabeth Taylor interpreta uma fera nada domada em A Megera Domada (The Taming of the Shrew, 1967), um papel nada fácil porque, obviamente, estamos falando de Shakespeare e, quando se fala de Shakespeare, o foco vai para os atores e porque, além disso, a personagem de La Taylor, Katherina é, como já sabemos, uma moça rebelde, cheia de vida, que cresce rapidamente, e que transita entre momentos de humor e drama, entre a indiferença e o amor.

Lembre-se: Elizabeth Taylor será seu Ícone do Cinema em A Megera Domada, nesta sexta-feira, 11 de novembro, no Max.

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