Audrey Hepburn, a namorada elegante

por max 2. dezembro 2011 06:29

 

A verdadeira elegância é uma forma de dignidade. Audrey sabia ser elegante, ou seja, sabia ser digna, levava isso nas veias. Era filha de aristocratas, mas também havia passado pela miséria durante a Segunda Guerra Mundial. De fato, em certo momento, Audrey chegou a ver claramente semelhanças, paralelos, entre ela e Anne Frank. Assim, não é de estranhar que, já adulta, a atriz transpirasse por cada um dos seus poros esse jeito contido de sofisticação. Quis ser bailarina. A vida a levou para a atuação e, em sua atuação havia, sem dúvida, muito desse garbo que aprendeu na dança. Mais elegante seria impossível: levava a nobreza em seu sangue, sofreu com a pobreza e foi bailarina. Não sei porque, mas as bailarinas sempre sofrem, não acham?

Audrey Hepburn interpretou mulheres extrovertidas, espontâneas, leves, inteligentes, intelectuais inclusive, mas com algo de superficialidade, com algo da indiferença das pessoas realmente elegantes. Esse foi seu papel, essa foi sua revolução, sua contribuição cultural. É preciso considerar que nos anos 50, Marilyn Monroe estava em seu apogeu. A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday), o filme que lançou Audrey à fama, é de 1953, como também de 53 é Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes), filme estrelado pela voluptuosa, provocativa e loura Marilyn. Nesse ano se enfrentavam nas telas dois opostos: Marilyn, que já era Marilyn, e Audrey, que não era ninguém, mas que saltou para a fama com este filme. Cabe dizer que ela não chegou para ocupar o espaço de Marilyn; não a tirou do seu lugar, escolheu outra opção, outro lugar: da garota normal, mas bonita e elegante; a namorada perfeita que seu pai e sua mãe aceitariam encantados. Nesse ano de 1953, ganharia um Oscar e, a partir de então, sua influência duraria anos e anos. Em 1962, Marilyn morre, já é um mito, e não deixará de sê-lo. Nesse mesmo ano, Audrey é indicada outra vez ao Oscar por Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany´s). Foi sua quarta indicação ao Oscar, contando que ela já ganhou na primeira vez. Audrey era a favorita de todos. Do público, dos críticos, da Academia, a rainha de Hollywood. Somente em 1966, Raquel Welch aparecerá com todas suas forças. Mas Raquel foi outra coisa. Audrey continuou sendo a grande atriz sempre jovem, a pequena protegida. De fato, em 1967, recebeu outra indicação ao Oscar por Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark), um dos poucos filmes de temática diferente da comédia ou romance, onde a atriz demonstraria, naquela que foi sua última indicação, que o horror e o drama também eram seus territórios. Nestes anos, explora novos caminhos, o mistério, o detetivesco, mas rapidamente também saberia retirar-se. Porém, Audrey teve seus tempos, suas décadas de elegância minimalista e de frescor. Ela foi a namorada perfeita, a namorada que todos sonhamos ter e com a qual sonhou um velho Gary Cooper em Um Amor na Tarde (Love in the Afternnon) em 1957, filme que você poderá ver no Max, como homenagem, claro, e lá está a perfeita e elegante namorada.

Amor na Tarde, estrelado por Audrey Hepburn, último filme do ciclo Ícones do Cinema, nesta sexta-feira, 2 de dezembro, no Max.

Começa o ciclo Ícones do Cinema com o corpo de Raquel Welch

por max 5. novembro 2011 08:10

 

Quando se fala em cultura e contracultura, é preciso dizer as razões pelas quais Raquel Welch é um ícone cult. Eu vejo suas fotos e penso que não há mais nada a dizer. Chamavam-na de "o corpo". Ela era o corpo. E houve momento em que O Corpo deixou-se mostrar: na segunda parte dos anos 70; ali, em plena ebulição da segunda onda do feminismo.

Em 1953, havia sido traduzido para o inglês O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir. Em 1961, John F. Kennedy criou a Comissão Presidencial multidisciplinar sobre o status da mulher; o relatório encontrou discriminação em quase todos os aspectos da vida da mulher. Nesse mesmo ano, 60 cidades do país testemunharam os protestos de rua de milhares de mulheres contra as armas nucleares. Em 1963, Betty Friedan, a estudiosa e líder do movimento feminista norte-americano publicou o trabalho A Mística da Feminilidade, no qual criticava o papel feminino na sociedade e suas numerosas formas de alienação. Em 1966, Friedan fundou a NOW (National Organization for Women – Organização Nacional das Mulheres), um conjunto de grupos feministas distribuídos pelos Estados Unidos, que chegou a ter mais de 500 mil ativistas nos 50 estados. Eram os anos do feminismo radical, movimento que falava da luta de poderes, da derrocada do patriarcado e do novo equilíbrio social, onde a mulher teria um papel preponderante. Eram os anos do poder do amor, os anos do poder hippie. No mundo da moda, Mary Quant fazia da contracultura um negócio, comercializando roupas hippies de fábrica para os hippies. Twiggy, a modelo por excelência de Quant, era uma garota magra, mirrada, sem curvas, sem carnes. Twiggy era o novo modelo de beleza, uma beleza diferente, mais de acordo com as ideias de feminilidade que eram ressaltadas pelas representantes dos direitos civis das mulheres.

 

(Twiggy)

 

Twiggy era linda, a câmera a amava, mas NÃO tinha o corpo do desejo. De fato, em 1996, Twiggy foi nomeada como o rosto do ano pela publicação Daily Express na Inglaterra. O rosto, não o corpo. Por aqueles lados da Europa, também outra garota causava sensação, era Uschi Obermaier, uma modelo e atriz que chegou a ser considerada como o ícone sexual da geração de 1968. Podemos dizer que a deusa hippie da revolução sexual era magra e pequena, e seus seios, pequenos e infantis, foram idolatrados, fotografados frontalmente para revistas em várias ocasiões, para representar a nova beleza.

 

(Uschi)

Assim estavam as coisas com as mulheres naquele tempo; essa era a estética que a contracultura (sempre de mãos dadas com a cultura) buscava impor e impunha. E então, em 1966, é lançado nos Estados Unidos um filme onde os dinossauros e os homens conviviam em uma não muito feliz harmonia. Tratava-se de uma produção da companhia Hammer, uma nova versão de um sucesso dos anos 40. Um Milhão de Anos Antes de Cristo (One Million Year B.C.) é uma história de luta e sobrevivência, um filme bem simpático que teve grande sucesso em mostrar, num maiô do tempo das cavernas, a espetacular atriz que já havia feito um ou outro filme mas que, agora, com tão pouca roupa, deslumbrava a todos.

 

 

Estamos falando da jovem Raquel Welch, Loana no filme, uma mulher das cavernas guerreira, mas com um corpo que explodia em curvas, em carnes, em delícias. Raquel não era Twiggy, Raquel não era Uschi. Raquel era uma beleza completa, uma beleza absoluta; Raquel era o corpo. Todos os homens do planeta e todas as mulheres a queriam, a idolatravam, a desejavam, pregavam seu pôster na parede do quarto. Não importava quanto o feminismo gritava e criticava. Ela foi uma deusa, e como deusa estava investida de um poder supremo. Era superior ao macho, superior a qualquer patriarcado. Aquele produto cultural, no fundo, terminaria sendo, no meu modo de ver, uma magnífica expressão do que era a contracultura. Raquel Welch lembrava a todos, mas especialmente a todas, que o corpo também era parte da revolução, parte fundamental da mulher, e que não devia ser depreciado de maneira alguma. Talvez sem estar muito consciente do que fazia, Raquel Welch trouxe essa nova dimensão, esses novos significados para uma época convulsionada pelos desejos de liberação das mulheres. Ela, e seu corpo, estiveram ali para transmitir uma mensagem tão antiga quanto a própria humanidade.

 

 

Nesta segunda-feira, 7 de novembro, o Max começa um ciclo muito especial intitulado Ícones do Cinema, centrado em atores e diretores que deixaram sua marca na cultura e na contracultura da arte e do entretenimento. São 20 artistas em 20 filmes que você poder ver a partir desta segunda-feira, até 2 de dezembro. Woody Allen, Jack Nicholson, Stanley Kubrick, Divine, Daniel Day-Lewis, George Lucas, Martin Scorsese, Warren Beatty, Clint Eastwood, Al Pacino, Natalie Wood, Elizabeth Taylor, entre outros, estarão presentes no maravilhoso ciclo que começa com o corpo de Raquel Welch.

Lembre-se: Um Milhão de Anos Antes de Cristo dá início ao ciclo Ícones do Cinema. Nesta segunda-feira, 7 de novembro, no Max.

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