Veer e Zaara, amor e sacrifício, segundo Bollywood

por max 20. janeiro 2012 13:14

 

A ideia do sacrifício é fundamental para muitas religiões. Desde o princípio dos tempos, o homem sente a necessidade de fazer algo sagrado (sacro facere), que o aproxime dos deuses. Com a necessidade dessa aproximação vem também o distanciamento deste mundo, dos males deste mundo e o desejo de permanecer – mesmo que seja por alguns instantes – em um tempo alheio ao que se vive, tão saturado de caos e loucura. Quem se sacrifica obtém um instante de eternidade. Quem se sacrifica, além disso, se purifica, se livra do pecado. Por quê? Porque quem chega à mesma altura de deus, somente pode fazê-lo livrando-se de toda sujeira. Essa purificação, essa salvação, costuma ser não somente individual, mas também estender-se ao outro, ou a outros, ou seja, com a purificação de quem se sacrifica ou sacrifica, por extensão, se purificam outros. Isso faziam os sacerdotes, aqueles que conheciam as maneiras exclusivas de chegar aos deuses. Eles se sacrificavam pelos demais. Com o tempo, o sacrifício começa a ser interior, espiritual e requer cada vez menos um mediador burocrático. Então, alguém se sacrifica pelos demais. Jesus Cristo se sacrificou pela humanidade, nada mais e nada menos. Essa ideia do sacrifício a partir de uma pessoa para outras pessoas permanece no vocábulo da palavra, ou seja, passou ao mundo secular, profano, ali, onde se instauram outras formas de religiosidade, como, por exemplo, o amor. No mundo separado do místico, dos deuses, ou do Deus, permanece a noção de sacrifício por amor à outra pessoa. Grandes homens da humanidade renunciaram às coisas materiais da vida, aos prazeres da vida, e à própria vida por amor a todos os homens. No nível individual, no nível profano, a repetição do ato persiste: um homem pode sacrificar-se por amor, pelo amor, no caso menos mítico e místico – disse alguém -, pelo amor a uma mulher. Veer e Zaara (Veer-zaara, 2004), dirigido por Yash Chopra, o diretor do cinema romântico por excelência na Índia, conta uma história de amor que, como muitos filmes de Bollywood, está mergulhado nas dificuldades das diferenças de classes, dos casamentos arranjados previamente e dos interesses pelo dinheiro. O filme abre com Veer (contamos novamente com Shah Rukh Khan) na prisão. Veer é um homem aprisionado em si mesmo, que não fala com ninguém, a não ser com Saamiya (Rani Mukerji), a jovem advogada, compreensiva e humana, que veio para ajudar a encaminhar o julgamento. Neste obscuro presente, Veer viajará 20 anos no passado e contará as causas de sua prisão através dos detalhes da sociedade a qual pertence, das castas, das raças, de dois países que inclusive, certa vez, formavam um só: Índia e Paquistão. Veer se apaixona perdidamente por Zaara (Preity Zynta), mas em seu caminho, o amor não conhece, não tem espaço para mais nada além de impossibilidades, e finalmente, sacrifício. Ao sacrificar-se, Veer converte-se (como não?) em uma espécie de mártir (na confusão das fronteiras, ele acredita estar inclusive morto por causa do incêndio do ônibus no qual viajava), a quem a prisão já não prende mais, pois ele fica com a sensação de ter superado até este mundo. Veer não cometeu nenhum crime, a não ser o de ter ousado sonhar com um amor impossível. Mas ele não somente não cometeu nenhuma falta... ele foi além e se sacrificou para salvar a honra de sua amada.

Amor e sacrifício, nesta segunda-feira, 23 de janeiro, em Veer e Zaara, dentro do ciclo do cinema de Bollywood, no Max.

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