Distrito 9, ou Blomkamp, o herdeiro da arte da ficção-científica

por max 4. novembro 2011 11:27

 

 Em 1950, com Crônicas Marcianas, Ray Bradbury imaginou um conto sobre a chegada do homem a Marte, a colonização do planeta, a extensão da cultura marciana sobrepondo a humanidade. Com isso, o autor nos falava da guerra, da capacidade de destruição do homem, do racismo. A sempre menosprezada ficção-científica é um gênero que, nas mãos de um artista verdadeiro, pode ser considerada arte. Crônicas Marcianas é um dos exemplos que encontramos na literatura. Poderíamos nomear aqui Blade Runner –O Caçador de Andróides, 2001 –Uma Odisséia no Espaço, Solaris no cinema, e há muito mais.

Distrito 9 (2009), dirigido por Neill Blomkamp, é um filme que se apresenta como um dos dignos herdeiros de Crônicas Marcianas. Seu centro, tal qual na referida obra de Bradbury, é o homem e sua capacidade de criar caos, sua insólita capacidade para exercer o mal em nome de um suposto bem para a humanidade. Blomkamp, um jovem diretor de 32 anos (nasceu em 1979), encontra-se em um lugar de prestígio dentro do mundo do cinema de ficção-científica. De fato, em 2009, a revista Time colocou-o entre as 100 pessoas com mais influência no mundo. Blomkamp ficou entre os artistas mais influentes, graças a seu primeiro longa-metragem, precisamente Distrito 9, realizado com poucos recursos e com pouca expectativa comercial, mas que finalmente acabou sendo um sucesso de bilheteria e crítica. Blomkamp, originalmente, dirigiria o filme Halo, baseado no famoso videogame. Halo contava com a produção executiva de Peter Jackson, que havia ficado surpreso com os curta-metragens de Blomkamp, mas depois de muitas tentativas, o financiamento do filme foi por água abaixo, e Jackson, com menos dinheiro nas mãos, decidiu trabalhar com o jovem diretor em um filme inspirado em um de seus curta-metragens. Blomkamp é sul-africano, mas foi morar no Canadá, onde graduou-se no programa de animação 3D e efeitos especiais da Escola de Cinema de Vancouver (Vancouver Film School). Seu conto, Alive in Joburg (2006) é ambientado em Johannesburgo, e nos apresenta um grupo extraterrestres refugiados em uma zona periférica da cidade, onde vivem em condições sub-humanas. O conto tem muito de cinema documental, parece um material feito para uma rede de notícias, com entrevistas de autoridades, testemunhas e extraterrestres. Jackson viu a possibilidade de adaptar para um longa este conto tão particular, e assim o fez junto ao seu diretor. O filme chegou ao circuito sem grandes expectativas, mas acabou surpreendendo público e crítica. Recebeu indicações ao BAFTA, ao Globo de Ouro, aos prêmios dos críticos de Los Angeles, de Chicago, de Toronto e, claro, do Oscar, no qual obteve quatro indicações: Melhor montagem, Melhores efeitos especiais, Melhor roteiro adaptado e Melhor filme. Como muitos já sabem, o prêmio de Melhor filme é dado ao produtor, por isso apareceu Jackson na lista e não Blomkamp. Blomkamp, por sua vez, foi indicado a Melhor roteiro adaptado. Quer dizer, indicaram-no por adaptar sua própria história.

Distrito 9 toma caminhos parecidos com os do curta-metragem, pois ambienta-se no gueto dos extraterrestres, que acabam caindo em nosso planeta por falta de uma energia especial que mova suas naves. A presença de uma nave-mãe inútil, que flutua sobre a cidade, é de uma verdadeira beleza. Como no conto, Blomkamp manteve o estilo documental e de cinema-verdade, trabalha com maestria os efeitos especiais mas, desta vez, aprofunda as histórias dos alienígenas-insetos, a quem o cineasta converte em protagonistas do filme. Uma história de liberdade, paternidade, que nos mostra que o mal habita nos seres humanos, sejam eles oprimidos ou poderosos, que o racismo é medo e ignorância, e que essa mesma ignorância não sabe responder de outra maneira senão com violência. Trata-se da mesma ignorância, do mesmo medo, da mesma soberba, do mesmo egoísmo (a ignorância parece ser soberba) e a mesma violência que levou os espanhóis a acabar com as culturas indígenas na América, o mesmo coquetel letal que Bradbury nos apresenta em Crônicas Marcianas.

Distrito 9, neste domingo, 6 de novembro, no Max.

E não perca aqui, o que o Max também preparou para você.

Mais de Hammer e Christopher Lee, no presente e no futuro

por max 9. março 2011 08:44

 


Enquanto Hammer foi fundada em 1934 e seu apogeu foi entre os anos sessenta e setenta, com os famosos filmes de terror, a empresa retomou as suas atividades para o cinema no início do século XXI com Let me in, a adaptação de Let the Right One In (Låt den rätte komma in, 2008) do diretor sueco Tomas Alfredson, um dos filmes de vampiros mais originais e de melhor qualidade plástica na primeira década deste século e, que pudemos assistir no Max. A versão da Hammer foi lançada nos cinemas em outubro de 2010 e é um filme dirigido por Matt Reeves, o criador da série de televisão Felicity. Ironicamente, Reeves é um fã de filmes de terror. Let me in está protagonizada por dois jovens atores, Kodi Smit-McPhee, que fez um papel muito difícil, em The Road (2009), filme baseado no romance de Cormac McCarthy que ganhou o Pulitzer,e, Chloe Moretz, que neste momento está filmando Hugo Cabret de Martin Scorsese.

Hammer prepara outros dois filmes para 2011. The Woman in Black, uma história, naturalmente, de terror, estrelada por Daniel Radcliffe, o ilustre Harry Potter da telona e, The Resident, filme dirigido pelo famoso diretor de vídeo clipes, o finlandês Antti Jokinen. The Resident, trabalho fortemente influenciado pelo suspense é interpretado por Hilary Swank e o elenco inclui Christopher Lee. Sabemos que Lee, nos últimos anos viu um notável ressurgimento de sua carreira, graças, principalmente, a dois diretores muito famosos no campo da fantasia: Tim Burton e Peter Jakson. Com Jakson, sempre na saga de The Lord of the Rings, onde ele interpreta o bruxo das trevas Saruman; também será visto em breve nos filmes de The Hobbit. Com Burton em filmes como Sleepy Hollow (1999) e Charlie and the Chocolate Factory (2005). Sua voz profunda, é claro, também teve trabalho na série de televisão de Star Wars e nos filmes de Burton Corpse Bride (2005) e Alice in Wonderland (2010). Lee está trabalhando atualmente com Scorsese em Hugo Cabret.

Este mês, assista Christopher Lee e as produções da Hammer na Max. 

E lembre-se, no próximo sábado, o grupo completo.

Descubra Max.

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