El premio, a ferida da ditadura

por max 19. novembro 2012 03:39

 

Os países curam suas feridas, relembram, repassam, repensam cada uma delas. No cinema argentino, as ditaduras militares e as Ilhas Malvinas são dois temas fundamentais no imaginário político e humano e fazem parte da cultura da dor e da vergonha que a nação toda carrega nas costas. No filme El Premio (2011), da cineasta argentina residente no México, Paula Markovitch, assistimos a história da pequena Cecilia e sua mãe em um contexto histórico dominado pela ditadura. Cecilia tem sete anos e parece ser uma criança como todas as outras, mas não é; Cecilia vive camuflada o tempo todo. Sua mãe é uma mulher apaixonada, com ideais políticos opostos ao poder e, por causa desta paixão, é obrigada a se mudar constantemente e esconder sua identidade e de sua filha. O filme as coloca em San Clemente del Tuyú, uma tranquila cidade turística da Argentina. Cecilia, claro, vai para a escola. Lá, a pequena deve esconder sua verdadeira identidade pois, naquele lugar, a soberania do regime militar se mostra com descarada contundência, e se reflete, por exemplo, na professora que é a favor da acusação política. A presença da morte, da ditadura, do ódio e do terror está em todas as partes. Apesar do filme ser baseado em fatos biográficos da própria diretora, remete àquele maravilhoso conto do chileno Antonio Skármeta «La composición», no qual um garoto deve escrever uma redação onde explica (nos tempos da ditadura) o que fazem seus pais durante as noites. Claro, essa redação era uma abominável maneira dos militares entrarem na intimidade dos lares através da inocência das crianças. No filme de Paula Markovitch existe também uma composição, uma redação cujo tema principal é contar as maravilhas da vida no militarismo. Ceci ganhará o concurso e o prêmio será entregue pelos militares a quem sua mãe se opõe e que, possivelmente, foram responsáveis pelo "desaparecimento" de seu pai.

Mão muito delicada e poética com imagens, às vezes, fora de foco para enfatizar a lembrança, o que foi vivido, o que foi e se reconstrói, e a atuação formidável das meninas Paula Galinelli Hertzog e Sharon Herrera acabam por deixar bem redonda esta história sobre ditaduras, que foi premiada nos festivais de Berlim, Havana, Jerusalém e México.

El premio, nesta segunda, 19 de novembro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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