Auto Focus, ou as obsessões sexuais de Paul Scharader

por max 12. junho 2013 13:50

 

O sexo é um dos temas principais de Paul Schrader, como roteirista ou como diretor. Bom lembrar que ele ganhou conhecimento mundial graças ao roteiro de Taxi Driver (1976), aquele filme que também lançou Martin Scorsese. Schrader, conta Peter Biskind no livro Como a Geração Sexo, Drogas e Rock´n´Roll Salvou Hollywood (Easy Riders, Raging Bulls – 2004), pertence à segunda geração da chamada "Nova Hollywood", constituída pelos <<primeiros filhos do baby boom, nascidos durante e, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial, a geração que se formou nas escolas de cinema, nos chamados movie brats, os pirralhos, os "meninos mimados" da indústria cinematográfica>>. Ali, Biskind coloca Scorsese, Spielberg, Lucas, De Palma, Malick e claro, Schrader, que, como muitos destes novos diretores, era tudo um caso. Ele se envolveu com drogas, se embriagou, era dono de um ego enrome e, dizem, escrevia com um revólver calibre 38 ao lado da máquina, e às vezes, colocava sobre a cabeça uma coroa de espinhos de bronze que o fazia sangrar pela testa (seus pais eram calvinistas muito rígidos). Talento, isso sim ele tinha de sobra. Então, não é de se estranhar sua transformação em um dos roteiristas mais cruéis e temidos de Hollywood. Lembramos mais uma vez que, em 1976 saíram Taxi Driver, mas também Trágica Obsessão (Obsession), de Brian de Palma, ambos com roteiro de Schrader, ambos com temática realista e cruel. Em Taxi Driver, a vertente do assunto sexual está na figura da prostituta Iris, interpretada por Jodie Foster, a jovenzinha que é <<salva>> no final por Travis Bickle, aquele pequeno e solitário motorista de táxi interpretado por Robert De Niro. Uma influência marcante de seu passado religioso, faz com que, talvez, a visão de Schrader em relação ao sexo seja escura e punitiva. Em Taxi Driver o sexo está coberto de uma pátina coisificada, que o devolve como mercadoria e o priva de todo o espírito. O sexo reduz o ser humano, está representando com toda sua força e torna-se o símbolo máximo do filme de Scorsese.

Em Hardcore - No Submundo do Sexo (Hardcore – 1979), segundo filme como diretor (o primeiro foi Vivendo na Corda Bamba – Blue Collar), o tema sexo volta a aparecer, mas como tema central, desta vez sob a forma do espírito da pornografia. Um homem de negócios (George C. Scott) mergulha na sordidez do submundo para encontrar a filha menor de idade, que está desaparecida.

Gigolô Americano (American Gigoglo), no ano seguinte, volta a mergulhar nas profundezas do sexo como negócio apresentando Richard Gere como um garoto de programa que atende senhoras maduras. Ele acaba esse envolvendo com a mulher de um policial e também numa investigação criminal pela morte de uma suas clientes.

Mais um ano, e o tema sexual é novamente relevante na refilmagem de Sangue de Pantera (Cat People, 1946). Com o título A Marca da Pantera e forte carga erótica, Schrader mostra uma história de despertar sexual estrelada por Nastassja Kinski. O pior de tudo: a jovem não só desperta para o sexo, mas também se transforma em uma terrível pantera negra. Alguém tem dúvidas? Mais uma vez tem o sexo e a escuridão claramente entrelaçados.

Depois de alguns anos cambaleando em projetos mais ou menos interessantes, Schrader volta com suas obsessões sexuais em Uma Estranha Passagem em Veneza (The Comfort of Strangers – 1990). O filme mistura o erótico comercial (Veneza, casal bonito, mistério e sedução), e o amargo drama psicológico em que o sexo tem um papel profundo e perverso. O Dono da Noite (Light Sleeper), dois anos depois, retoma indiretamente algo dessa tensão sexual através de uma série de assassinatos de mulheres. O mundo da droga, o resgate, a morte, e claro, o sexo estão ali com uma forte intensidade. Em 1999 veio A Sombra de Uma Vingança (Forever Mine), um thriller em que a infidelidade, a vingança e a morte fazem um cocktail esmagador. O sexual sempre aberto, sempre dominando os corpos e as mentes, sempre escuro e distorcido.

Schrader mantém sua visãode todos esses anos, e em 2002 expandiu com Auto Focus, um filme biográfico que foca na vida de Bob Crane, em suas idas e vindas pelo mundo da fama, desde que era um simples DJ até seu papel principal e de sucesso na série dos anos sessenta Hogan´s Heroes. Compartilhando o protagonismo estão Greg Kinnear, como Bob Crane, e Willem Defoe (reincidente com Schrader) no papel de John Henry Carpenter, um gerente regional de vendas da Sony Eletronics. Onde está o escuro tema sexual nisto tudo? Bem, desde que Crane conheceu Carpenter, começou a procurar mulheres em bares. Cada vez que Crane estava em turnê pelos circuitos da comédia, Carpenter o acompanhava e, após as apresentações, eles iam a lugares para conhecer mulheres. Aproveitando a incerta fama de Crane (homem casado que não bebia), seduziam as mulheres e logo as levavam para a cama. A verdadeira diversão de tudo aquilo estava em gravar sessões sexuais com os novos e maravilhosos aparatos que o técnico da Sony facilitava (estamos no início dos aparelhos de vídeos caseiros).

Assim, como se vê, o tema do abismo sexual está muito presente. Crane se transformou em um viciado em sexo que começou a ver como o pouco que restava de sua carreira e de sua vida familiar estava desmoronando no desespero da paranoia e da culpa. A crise profunda, eventualmente resolvida em morte, pois Crane foi golpeado brutalmente – e morto – pelo que parecia ser um tripé de câmera. Carpenter, claro, foi acusado, apesar de nunca ter provado nada. Não é demais dizer que o assassinato de Crane segue sem solução até hoje.

Schrader, que retrata essa vida e essa obsessão sexual neste filme pouco convencional que vai, desde as cores de um sitcom dos anos cinquenta até uma cinematografia mais suja e lavada que obedece a queda no abismo da indulgência sexual e a culpa. Auto Focus é uma peça fundamental na obra de Schrader. Aqui, ainda mais forte que em Taxi Driver, vai revelar questões do sexo, do pecado, da culpa e da natureza da fama. Esses são seus problemas, esses são seus olhares, suas obsessões.

Auto Focus, quinta 13 de junho. Obsessão, sexo, desejo, morte, o melhor do cinema de Hollywood. O que você vê quando vê o Max?

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Dia especial com Joel Schumacher (e uma filmografia)

por max 19. janeiro 2012 11:14

 

Às ordens para dirigir

Sobre Joel Schumacher podemos dizer que ele é daqueles diretores sempre às ordens para dirigir. Poderíamos dizer que não é um autor da maneira como se estabeleceram autores – ou como nos referimos a autores - como Scorsese, Coppola ou Allen. Mas, paradoxalmente, Schumacher acabou sendo um diretor de filmes de gênero (o thriller seguro, a comédia segura, o terror seguro; o seguro entre aspas, por favor) que não podemos qualificar como fundamentais na história da cinematografia mundial, podemos dizer que são peças que tiveram seu momento, peças que inclusive lembramos e que fazem parte da história do cinema norte-americano.

 

Design de moda e os anos oitenta

Schumacher estudou moda, design de moda, e tem esse gosto para a estética que estabeleceu-se em sua obra como um interesse e uma qualidade visual que estão acima da média. Fez-se conhecer nos anos 80, quando o furor do novo cinema de Hollywood já havia se assentado (não me atrevo a dizer que havia passado) e os executivos, aproveitando aquele impulso, começavam a tomar pulso e aproveitar a situação, desta vez tendo como base o trabalho prévio daqueles que revolucionaram a maneira de entender, fazer e ganhar dinheiro no cinema no final dos anos 60. Mas, não tenha dúvida, Schumacher esteve lá nesses anos explosivos. Já em 1973, o encontramos em Los Angeles (ele é de Nova York) fazendo o figurino de Dorminhoco (Sleeper), de Woody Allen (também de Nova York). Cabe destacar que o figurino nessa obra dos primeiros anos do mestre Allen tem um papel muito importante, muito marcante e é assim porque está magnificamente perfeito e encaixado na delirante fantasia futurista de Allen. Talvez já naquela época, Schumacher estivesse guardando para si o sonho da direção, porque, no ano seguinte (1974), dirige seu primeiro filme para televisão, Virginia Hill, a história de uma prostituta amiga do famoso criminoso Bugsy Seagal. Schumacher escreveu o roteiro e dirigiu o filme, e isso é preciso destacar: naqueles anos (estamos falando dos anos 70), quem queria ser autor devia escrever, produzir e dirigir seu próprio filme. Não é de se estranhar que ele, naquela época, quis fazer parte do grupo de cineastas da nova Hollywood, e trabalhou para ela.

 

 

O salto às estrelas

Depois de outro filme para televisão em 1975, Amateur Night at the Dixie Bar and Grill, o diretor recém-estreado finalmente dá o salto para o cinema com a comédia fantástica A Incrível Mulher que Encolheu (The Incredible Shrinking Woman, 1981), para logo repetir com outra comédia dois anos mais tarde, D.C. Cab, protagonizada por Mr. T, comédia (como já se disse) com muito de ação. Neste momento, Schumacher tinha tomado um caminho que se distancia respeitosamente do cinema autoral. É um diretor bem sucedido sim, mas emoldurado, engessado pela moda e pelos formatos que o cinema comercial impõe. Em 1985, entrega O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo´s Fire), filme que faria parte do pacote de produções estreladas por jovens promissores. Lembremos de Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles, 1984), Clube dos Cinco (Breakfast Club, 1985), A Garota de Rosa Schocking (Pretty in Pink, 1986), Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller´s Day Off, 1986), entre outros. O mestre absoluto deste tipo de filmes, naquela época, era o roteirista e diretor John Hughes. Assim, Schumacher apareceu, não para tomar um lugar e fixar-se, mas sim para dar sua contribuição, mais glamourosa e com estrelas um pouco mais adultas e sensuais como Demi Moore e Rob Lowe, e os já clássicos do cinema juvenil Emilio Estevez, Ally Sheedy e Judd Nelson. A esta altura, Schumacher já tinha uma certa fama, seus filmes eram bem acabados, faziam boas bilheterias e, além disso, ele sabia dirigir estrelas. Começaria assim a ser um diretor para estrelas e a oscilar entre os filmes de fantasia e suspense e os dramas e as comédias leves, protagonizados por grandes astros.

 

Entre a luz e a escuridão

Em 1987, Schumacher apresenta Os Garotos Perdidos (The Lost Boys), um filme de vampiros estrelado por figuras juvenis que, naquele momento estavam em ascensão: Kiefer Sutherland, Jason Patric e Corey Haim. Uma história de vampiros na América, vampiros juvenis, bonitos e muito bem vestidos (lembremos que Schumacher estudou moda), mas também, ao mesmo tempo, aterrorizantes e violentos. O jovem espectador que naquele momento não tenha ficado fascinado com Os Garotos Perdidos devia estar vivendo em um lugar onde não havia salas de cinema.

Depois, em 1989, o diretor voltaria a fazer uma comédia eloquente com Ted Danson e Isabella Rosselini, Um Toque de Infidelidade (Cousins) e, no ano seguinte, pularia para o suspense metafísico ou científico com Linha Mortal (Flatliners), outro dos grandes acertos de sua carreira. Ali teria Julia Roberts e Kiefer Sutherland, mas desta vez estaria mais cômodo, pois se moveria em um terreno onde já se sentia mais à vontade. Linha Mortal foi outro grande estouro de bilheteria e um motivo adicional para perceber Schumacher como um excelente diretor de filmes de gênero. Os grandes estúdios sentiram firmeza nele, Julia Roberts o queria, e com ele esteve de novo no ano seguinte em Tudo por Amor (Dying Young), um drama eloquente, nada de outro mundo, mas com ela no elenco, e isso era o que importava. Seguindo na tônica de um para a luz e outro para a escuridão (você escolhe quais filmes são da luz e quais são da escuridão), no ano seguinte a Tudo por Amor, Schumacher dirige aquele que talvez seja o filme mais original e mais alheio ou distante de todas as fórmulas de Hollywood: Um Dia de Fúria (Falling Down), uma verdadeira obra prima cheia de ruído e ira, protagonizada por Mchael Douglas, no papel de um desempregado que tem um dia de fúria absoluta. O que aquele homem faz, a maneira como se joga contra toda a estupidez humana é tão dura e ao mesmo tempo tão sincera, que acabamos nos identificando com o personagem. Uma peça rara, uma peça que poderia ter sido feita por Scorsese, um filme que poderíamos chamar de autor.


 

Batman, Grisham, a queda

Depois viria um período da carreira de Schumacher que oscilaria entre John Grisham e Batman. O Cliente seguido de Batman Eternamente (Batman Forever) e logo Tempo de Matar (A Time to Kill), para voltar ao mascarado com Batman & Robin, filme que lançou-o ao fosso da desgraça, pois foi um estrondoso fracasso de bilheteria e de crítica, tanto que os estúdios lhe negaram a sequência e recusaram sua direção. Os fãs e o público odiaram o filme e, em uma entrevista, Schumacher apareceu pedindo perdão por ter cometido o horrendo crime artístico, que incluía, para espanto de todos, ter mexido nas roupas de Batman e Robin.

 

Salva-vidas e outras lições

No final desta década, Schumacher se entrega completamente a dois filmes no mesmo ano: 8MM – Oito Milímetros (8MM) e Ninguém é Perfeito (Flawless). Com 8MM – Oito Milímetros (1999), o cineasta insiste em uma volta à obscuridade, às profundezas da alma, onde se faz (como já disse) o melhor cinema. 8MM – Oito Milímetros, protagonizado por Nicholas Cage e Joaquin Phoenix, mergulha no mundo dos filmes snuff, da pornografia, do sexo abjeto, da vingança e da morte. Lembra, sem dúvida, Tesis (1996), de Alejandro Amenábar, mas também Hardcore (1979), de Paul Schrader, uma referência talvez muito mais próxima para Schumacher – Schrader fez parte dessa nova onda de diretores de Hollywood – referência também para Andrew Kevin Walker (roteirista de 8MM – Oito Milímetros). 8MM – Oito Milímetros é um filme que se enfronha nas obscuridades da alma, expõe os conflitos morais e destrincha a natureza do mal. Ninguém é Perfeito, por sua vez, é um drama com toques de comédia e traços de obscuridade. Claro que dois grandes atores dão apoio à obra: Robert De Niro e Philip Seymour Hoffman. De Niro faz um policial aposentado a ponto de ter um enfarte, e Philip Seymour Hoffman interpreta um adorável travesti.

 

E com a lição aprendida

Voltam então a subir os números de Schumacher, que parece ter aprendido a lição, ou seja, que seu lugar é onde estão o thriller, as obscuridades do homem, ali onde há guerras, drogas, assassinatos e muito suspense para prender a todos em suas cadeiras. Nesse caminho, ele segue e nos entrega vários filmes de respeitável repercussão: Tigerland – A Caminho da Guerra (Tigerland, 2000), seu único filme de guerra com Colin Farrell liderando o elenco; Em Má Companhia (Bad Company, 2002), sobre as correntes ocultas que envolvem a CIA, aqui com Anthony Hopkins e Chris Rock; Por um Fio (Phone Booth, também de 2002), outra vez com Colin Farrell e com o velho amigo Kiefer Sutherland, um filme tenso, milimétrico, que explora também o mundo da moral e dos instintos dentro de uma cabine telefônica; O Custo da Coragem (Veronica Guerin), história que não se distancia do caminho das obscuridades da alma, do suspense e tampouco dos dilemas morais e sociais, neste caso com a participação de Cate Blachett como heroína. No ano seguinte, Schumacher nos traz seu primeiro musical, O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera), baseado na obra de Gaston Leroux, mas principalmente na produção da Broadway. Muita decoração, muita música, muito figurino, muita teatralidade; certamente Schumacher sentiu-se muito livre e muito confortável contando essa história, que não deixa de ter sua fascinação pelo lado obscuro. Três anos depois, em 2007, Schumacher volta com Número 23 (The Number 23), com Jim Carrey, um filme que explora a natureza da loucura, da literatura de ficção e do crime. 2009 é o ano de Renascido das Trevas (Blood Creek) e aqui o diretor faz uso dos elementos da vingança, das relações entre os irmãos e da maldade do nazismo. Em 2010 apresenta Twelve – Vidas Sem Rumo, baseado no livro de Nick McDonell, publicado em 2002, quando McDonell tinha somente 17 anos. Trata-se da história de um jovem que vive em Nova York e que, depois de abandonar a escola, transforma-se em um traficante de drogas para garotos ricos; retrato de uma geração, um olhar frio e distanciado da juventude de nossos tempos, herdeira de muitos vícios e poucas virtudes. No final do ano passado estreou Trespass, produção estrelada por Nicolas Cage e Nicole Kidman. Aqui, Schumacher volta a explorar o mundo da alta burguesia, que tem sua tranquilidade quebrada por causa de um sequestro dentro de casa. O final carregado de tensão é um caminho perfeito para aprofundar os conflitos e obscuridades dos sequestradores e sequestrados.

 

 

Na balança da glória e da culpa

Joel Schumacher é um diretor que não pode ser deixado de lado. Apesar de alguns de seus filmes parecerem realmente descartáveis. São produções que, por terem ido em busca de bilheteria, perderam seu norte, seu horizonte; mas Schumacher é também um diretor que realizou peças cinematográficas de grande repercussão, com excelentes histórias e excelentes atuações. Estamos falando de um diretor que entre ir e vir como cavalo de batalha dos grandes estúdios, continua procurando seus temas, suas obsessões e as histórias com as quais se sente confortável, evitando chegar tão baixo quanto foi na época de seu segundo Batman. Tem conseguido? Está trabalhando nisso, me parece, e além disso tem rolos de filmes guardados em casa.

 

O que Max nos traz

Este mês, o Max oferece três filmes de Joel Schumacher. Nesta quinta-feira, 19 de janeiro, aproveite para ver 8MM – Oito Milímetros, Twelve – Vidas Sem Rumo e Os Garotos Perdidos, uma perfeita oportunidade para recordar os anos 80, para dar o salto dos anos 80 ao século XXI, e para reviver a jovem geração daquela época. A sociedade, seus horrores, seus pesadelos e suas realidades, tudo, através do olhar de Joel Schumacher.

Lembre-se, nesta quinta-feira, 19 de janeiro, Joel Schumacher estará no Max.

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