Persécution ou o vórtice de sentimentos

por max 9. junho 2011 10:56


Os sentimentos não têm limites, correm livres. Os sentimentos são egoístas. Digamos que, de alguma forma, os sentimentos não têm sentimentos, não sentem compaixão pelos outros. Precisam ser satisfeitos, e só se importam com isso. Esses sentimentos, projetados sobre uma pessoa, podem levar à violência, ao assédio. As impossibilidades aumentam essas manias. Quando o sentimento não é correspondido pela outra pessoa, o sentimento torna-se mais teimoso, até mesmo perigoso. Os sentimentos são algo para tomar cuidado. Portanto, a sociedade precisa controlá-los. A sociedade nos diz o que é o amor, e dentro desses padrões deve evoluir com cautela, sem escutar à voz dos sentimentos. Algumas pessoas brincam de amar ao próximo, que supostamente é a melhor maneira de viver dentro dos sentimentos mais valiosos. No entanto, às vezes, isso tampouco satisfaz, e faz com que os homens vivam em um vácuo, do outro lado do muro, separados de si mesmos, porque separados de si mesmos estão separados dos seus sentimentos. Algumas pessoas estão tão ocupadas com as coisas do mundo, que não olham para dentro. E há aqueles que ignoram todas as leis, e fugem com os seus sentimentos. Eles são levados por isso, pelo arrebatamento do amor, eles se tornam perigosos para a sociedade, para os outros e para si mesmos.

No âmbito do típico triângulo amoroso, tão amado pelos cineastas franceses (embora com uma variante homossexual), o famoso diretor Patrice Chéreau mergulha no complicado mundo dos sentimentos do egoísmo e da raiva, da obsessão e do assédio no filme Persécution (2009). Chéraeu, premiado em Berlim pelos filmes His Brother (2003) e Intimacy (2001) e em Cannes por Queen Margot (1994), também é um diretor de teatro, de ópera e um dos mais respeitados da França. Sua experiência com personagens, sentimentos e atores é mais que suficiente, e ele aproveitou para fazer filmes (já são quinze), onde o drama dos personagens é fundamental para a trama. Nesse sentido, podemos dizer, que Chéreau é muito francês, faz parte de uma longa tradição de diretores de excelência que também trabalham com atores de primeira linha. Desta vez, Romain Duris, Charlotte Gainsbourg (incrível em Antichrist de Lars von Trier) e Jean-Hugues Anglade. Persécution, um drama às vezes desapaixonadao, frio e estranho, é tanto uma obra que explora o mais complexo dos sentimentos, da sua explosão e sua inibição, e mostra como ambos os lados podem acabar matando a alma das pessoas.

Persécution de Patrice Chéreau, na segunda-feira 13 de Junho. Descubra Max.

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