Love Comes Lately ou a atraente solidão de um escritor idoso

por max 4. junho 2011 01:58

 

Solidão e escritor são sinônimos. O escritor é um solitário que não ama muito o mundo. Seu tempo passa em outros mundos, não pertence a lugar nenhum em particular. Eu estou aqui de passagem, diz Jorge Drexler em uma canção. A solidão do escritor é procurada, desejada, natural. O escritor sabe viver sozinho, ou isso pensamos, ou nisso confiamos. A maioria das pessoas não. As pessoas não podem suportar a solidão. Claro, há exemplos de casos. Existem mulheres que atingem a maturidade sozinhas, por causa do divórcio ou porque nunca encontraram um parceiro ideal. Nelas existe um limbo, uma existência fantasmagórica que faz com que elas se questonem as suas vidas. De repente, elas sentem necessidade de se libertar, sentem que devem trazer algo de novo em suas vidas. Seu corpo e espírito sente a necessidade de explodir, de buscar a luz. A poesia, a literatura, a música. Escritores, aqueles especialistas em solidão, tornam-se heróis. Em geral, as pessoas acreditam que a vida de um escritor é diferente. Alguns até têm uma reputação, e tornam-se fascinantes para as pessoas. Viajam, vivem uma vida nômade para dar palestras e promover seus livros. E eles são "sensíveis". Algumas mulheres pensam que são "diferentes" de todos os homens, pensam que são melhores homens porque eles têm uma maior sensibilidade, ou algo assim. Então acontece a abordagem, tentam penetrar nesse mundo que é um mistério. Querem entrar e descobrir, encontrar refúgio ali. Há uma necessidade de proteção e também de proteger. Para unir solidões. Encontram proteção no mestre da solidão, mas também visam protegê-lo dessa mesma solidão. A atração, naturalmente, implica um elemento erótico muito forte, que termina na cama ou não.

A velhice, também é sinônimo de solidão. A velhice é que separa os homens da sociedade, do resto do povo. Sua constituição física o impede. A mental também. Mas assim esteja bem mentalmente, com todos os seus sentidos trabalhando, o físico afeta. Mas a velhice tem um certo apelo entre as pessoas, há algo no homem velho que impõe respeito. O velho é sábio, e a sabedoria pode espalhar paz, tranqüilidade.

Agora, se combinarmos a solidão da velhice com a solidão do escritor, quanto mais a fantasia de seus mundos, mas a atratividade que inspira o escritor em mulheres, temos uma história ou três histórias que podem se tornar uma grande história, depois, um filme. O Prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer escreveu três histórias que tocam o assunto, três histórias magistrais. Anos mais tarde, o diretor alemão Jan Schütte (Drachenfutter, Supertex, Fette Welt) uniu estas três histórias e fez o filme Love Comes Lately (2007). A história de um escritor que aos oitenta anos ainda continua viajando pelos circuitos de leitura, com a mente desperta e tendo plenamente em conta a sua idade e seu corpo. Max Kohn (Otto Tausig) experiência neste filme uma viagem entre o seu mundo interior, cheio de histórias imaginárias, e a realidade, vaga, enevoada, onde as mulheres se tornaram uma parte fundamental da trama. Encontros corporais, amorosos, encontros da alma e no filme todo, escuridão sobre essa mistura de imaginação e realidade da que estamos falando. Love Comes Lately é um drama com delicados toques de comédia com um caráter muito particular, que nos fala, como já se vê, de solidão, de velhice, de escrever, de sexo e amor. Uma história que acontece com calma, mas com uma delicadeza que lembra que entre a vida e a imaginação há uma separação muito pequena, e que a juventude está na mente, não no corpo.

Love Comes Lately, segunda-feira 06 de junho. Descubra Max.

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