O Som do Ruído, ou a música subversiva

por max 11. maio 2012 09:10

 

O col legno (ato de encostar e roçar a corda com o dorso do arco) de Berlioz na Sinfonia Fantástica; as serras ondulantes de Tom Waits; John Cage e seu piano preparado; ou seus 4 minutos e 33 segundos de silêncio que "ecoavam" pela sala para escutar a musicalidade do som ambiente; a percussão urbana, cujo exemplo mais conhecido é Stomp ou Blue Man Group; e até a música com vegetais (sim, vegetais) da Vienna Vegetable Orchestra... Sem dúvida, a música está em toda parte. De fato, o próprio Cage chegou a dizer: "Onde quer que estejamos, o que ouvimos é principalmente ruído. Quando o ignoramos, ele nos irrita. Quando o escutamos, achamos que ele é fascinante." Fascinante também é O Som do Ruído (Sound of Noise, 2009), filme sueco, dirigido por Ola Simonsson e Johannes Stjärne Nilsson, que nos leva a um mundo de sons ou de musicalidades conspiradoras, revolucionárias, ocultas e provocadoras sob a figura de uma banda de seis percussionistas mascarados que fazem suas performances por toda a cidade. O assombro, a maravilha de representar em lugares não tradicionais, até mesmo "sagrados", é algo fundamental para todo o filme. Não somente a utilização de objetos cotidianos para a produção de música será importante, mas também deve-se somar o espaço. A música é de todos porque é possível fazer música onde quer que seja. Realmente ela não pertence ao recinto acadêmico, nem ao estúdio de música, nem ao palco da estrela de rock. A música pode estar em todas as partes e, por isso, o espaço neste filme também é vital. A ruptura do espaço representativo para fazer que tudo seja representação, que todo espaço possa ser e fazer arte, inclusive esses lugares "proibidos" pelo poder; lugares solenes e sagrados. A música de O Som do Ruído vira, assim, uma ferramenta anarquista, terrorista digamos, segundo a visão do poder e da correta cidadania. Atrás da pista destes delinquentes tão particulares vai Amadeus Warnebring (Bengt Nilsson), um policial com absoluta nulidade em ouvido musical, em audição para música; alguém que, sem dúvida, detesta música, vindo, sobretudo, de uma família de músicos proeminentes, onde é o único que não destacou-se nessa área. Uma polícia representante dos poderes, de conluios, das pequenas confrarias.

O Som do Ruído é uma comédia original, um musical policial, cabe ressaltar, que nos fará passar bons momentos com essa excelente combinação de música "das ruas", espaços e instrumentos não tradicionais e comédia. Um filme sem grandes orçamentos, que nos faz mergulhar em uma experiência diferente, brilhante, finamente executada. Se há algo grandioso nesse filme é, sem dúvida, a criatividade e a arte de "tirar" música de todas as partes.

O Som do Ruído, neste sábado, 12 de maio. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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