Tous les Soleils, ou tarantela à francesa

por max 8. junho 2012 12:49

 

Bem longe do poder corrupto, do circo, do homem que usa maquiagem e tem um império televisivo, do homem bufão e de suas prostitutas, bem longe do mal Berlusconi, em Estrasburgo, Alessandro (Stefano Accorsi) circula em sua moto, como também circulava Nani Moretti pelas ruas italianas em seu filme Caro Diário (Caro Diario, 1993). Moretti, como sabemos, nunca deixou de criticar o governo de Berlusconi; neste ponto, fazer o paralelo entre a moto de Alessandro em Tous les Soleils (2011) e a moto de Moretti é totalmente válido. Só que no filme de Philippe Claudel, Berlusconi está muito presente na memória de um expatriado, de um "exiliado" por motivos próprios.

Alessandro vive um tempo árido, um tempo vazio e vazio ele se sente por dentro: ele é viúvo mas ainda ama a esposa, tem uma filha de quinze anos que começa a exigir que ele respeite sua identidade e, ainda mais, precisa conviver com um irmão anarquista que odeia Berlusconi mais que o próprio Moretti.

Assim, na França de Philippe Claudel, na Estrasburgo fundada pelos romanos, naquele centro de terror de maus políticos, esta história triste e ao mesmo tempo divertida vai tomando forma como um canto à boa vida (e o canto não é gratuito), à vida simples, aos instantes que nos fazem humanos e que não têm a ver com o rugido dos políticos mas que, de forma irremediável, cria tensão, preocupação, dor, nos afeta.

Do duro drama de seu primeiro filme, Há Tanto Tempo Que Te Amo (Il Y a longtemps que je t'aime, 2008), Claudel salta neste segundo trabalho para a comédia italiana e, através dela, bate duro nos poderes do mundo, principalmente em Berlusconi. Mas também apresenta cinema francês, pois traz um músico pequeno burguês (professor de música barroca) que, apesar das tentativas de ser bom pai e bom homem que presta serviço em hospitais, tem uma vida que se esvaziou, sem amor e sem pátria. Alessandro, poderíamos dizer, é um homem duplamente exiliado, um homem duplamente perdido que, durante o filme, vai experimentar uma crise existencial no caminho das mudanças. A música, a poesia, o amor e até a dança terão um papel fundamental. Em Tous les Soleils, a música e a trama estão intrinsecamente relacionadas, até o próprio Claudel declarou que a história teve sua gênese em
uma tarantela italiana, ritmo que para muitos pode estar cheio de alegria, mas também cheio de uma profunda saudade. É isso que Claudel fez, uma tarantela cheia de alegria e de tristeza, de política, crise e amor, uma tarantela que faz rir e ao mesmo tempo comove.

Tous les Soleils, neste domingo, 10 de junho. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Ciclo de filmes premiados em Cannes

por max 4. maio 2012 11:13

 

Vem aí a 65ª edição do festival de Cannes. O evento será realizado entre 16 e 27 de maio. No cartaz do festival dos festivais está Marilyn Monroe, em homenagem aos 50 anos de sua morte. E o presidente do Júri é Nani Moretti, diretor do já clássico O Quarto do Filho (La stanza del figlio, 2001).

Aproveitando esta celebração da arte cinematográfica, o Max exibe cinco premiados em Cannes. Toda segunda de maio e na primeira de junho, às 22h, delicie-se com grandes momentos do cinema: Ninguém Conhece os Gatos Persas (No one Knows about Persian Cats) em 7 de maio, Um Homem que Grita (Un homme qui crie) em 11 de maio, Homens e Deuses (Des hommes et des dieux) em 21 de maio, Outubro (Octubre) em 28 de maio e Ano Bissexto (Año bisiesto) em 4 de junho.


 

 

Para começar, o iraniano Ninguém Conhece os Gatos Persas (2009), de Bahman Ghobadi. O diretor de 43 anos já vinha, desde 2000, marcando presença em Cannes e especialmente no Un Certain Regard, mostra paralela que premia filmes com estilos originais, diferentes, inovadores e com histórias desafiadoras. Ninguém Conhece os Gatos Persas ganhou o prêmio do júri dessa mostra.

No centro da trama, a imagem do gato como animal noturno, que anda pelas esquinas, que se esconde, que conhece cada cantinho. O gato como um animal arisco, que ama a noite mesmo sabendo que ela é perigosa e que na noite pode perder a vida. Mas, na verdade, ninguém sabe o que fazem os gatos na escuridão. E ninguém sabe porque eles se fundem com a noite, porque sua essência é o desfrute no mistério.

A partir destas ideias, Ghobadi criou uma história de atrevimentos, de valentia juvenil contra um regime obtuso, de radicalismo religioso, que quer se manter fechado, à parte do mundo contemporâneo, e considera que as atuais manifestações culturais, como por exemplo o rock, são perversão, maldade e loucura. Os dois jovens do filme estão tentando formar uma banda de rock, viver de uma maneira universal, se expressar e se sentirem livres. Tudo bem normal, não é mesmo? Mas não no Irã e o filme mostra esta situação absurda e a luta para passar por ela.

Ninguém Conhece os Gatos Persas, segunda, 7 de maio, no Ciclo Cannes. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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