Bunny e o Touro, o melhor do humor britânico

por max 24. outubro 2011 05:42

 

Os ingleses são especialistas em humor. E, quando digo humor, não estou falando de piadinha barata, que simplesmente faz rir. Entendo o humor como uma operação intelectual profunda, que percebe a realidade para criticá-la, para assinalar com uma "aparente" leveza ou com uma intensa crueldade que possa levar as pessoas do riso ao sorriso. O humor não é qualquer coisa, ele nos ajuda a ser perseverante no mundo. Os ingleses sempre souberam criar um excelente humor. Transcrevo para vocês uma pequena relação de autores ingleses feita por Oscar Sacristán na introdução ao Con la risa en los huesos (Com o riso nos ossos), magnífica antologia de humor do Clube Diógenes Valdemar: «a sátira corrosiva de Thomas De Quincey, o disparate de Lewis Carroll, as situações cômicas de Saki, e até mesmo o humor negro herdeiro da tradição gótica de Walpole ou Swift.» O humor britânico é, sem dúvida, muito variado, mas tem sido, desde sempre, extremo, duro, intelectual e impiedoso. O humor britânico gosta do absurdo, dessas situações existenciais próximas do ridículo e que mostram a tolice da vida. Desse lado do absurdo, o humor britânico também tem se situado muito perto do surrealismo, desse mundo dos sonhos que mora acima da realidade ou, talvez, por debaixo dela, com leis próprias, com suas próprias imagens delirantes, mas sempre ligadas à realidade, com os desejos reprimidos, referindo-nos a Freud. Esses desejos reprimidos, quando aparecem na superfície, batem com a realidade, e digamos que, de algum jeito, desmascaram as leis, ridículas, pretensiosas e inclusive tirânicas que governam a vida dos homens.

Falar de humor britânico não é somente lembrar a Literatura. As referências cinematográficas e televisivas também estão próximas. Claro que não podemos deixar de lado a turma do Monty Python, dos anos sessenta e setenta, e mais recentemente programas como The Mighty Boosh, série quase que totalmente por conta de Paul King, cineasta que trabalha estreitamente com o humor e que estreou no cinema, em 2009, com o filme Bunny e o Touro (Bunny and the Bull).

Bunny e o Touro é um road movie sem estrada, pelo menos de forma explícita. Uma história feita de lembranças, ou mais do que lembranças, de alucinações em torno de uma viagem de dois amigos que saem por aí, por causa de uma desilusão amorosa e um golpe de sorte. Nesta viagem (não sabemos se verdadeira, ou, como já dissemos, psicodélica), irão aparecendo várias situações e personagens insólitos que são o espelho bizarro da realidade, e que além de mostrar-nos situações cômicas, expõem o drama humano do amor, da amizade e da solidão.

Bunny e o Touro, este mês, no Max.

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