O futuro, ou um filme pessoal de Miranda July

por max 5. abril 2013 06:38

 

Muito estilo, muita pesquisa para contar de outra forma, momentos altamente oníricos e outros poéticos: é o que Miranda July traz em seu segundo filme, O Futuro (The Future, 2011). A diretora, atriz, escritora e artista plástica que ganhou o Caméra D'or em Cannes 2005 por Eu, Você e Todos Nós, agora conta a história da crise de um casal que começa, por sua vez, com outra crise, a da idade. O que acontece quando o futuro já é o presente? O que acontece quando você percebe que tudo o que queria fazer ficou para trás? O que acontece quando talvez seja tarde demais? Para Jason (Hamish Linklater) e Sophie (Miranda July) esse momento chega com a adoção de um gato chamado Paw Paw. Diante do espectador, esse gato pensa, seu pensamento aparece em off, sobre o casal, e só se vê suas patas (e uma está ferida). Entre o que o felino está dizendo e o que se vê do casal, assiste-se o desmoronamento dos dois e como surge uma repentina necessidade de fazer algo com a vida em 30 dias, que é o suposto tempo de recuperação do gato na clínica, como se a volta do bichinho fosse o nascimento de uma criança, uma âncora que impedirá de realizar os sonhos, como se com essa volta toda oportunidade de crescer espiritualmente se apagasse para sempre.

Miranda July faz uso de sua bateria multidisciplinar. Ela aparece atuando e numa margem, onde fica difícil dizer se é ela ou a personagem. Ou melhor, se a personagem é ela. O Futuro é daquelas que não deixa nenhuma dúvida de que se trata um filme muito "pessoal".

O Futuro, domingo 7 de abril. Cinema independente, crises da idade, crises de casais. O que você vê quando vê o Max?

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