O futuro, ou um filme pessoal de Miranda July encerrando o ciclo EUA Independentes

por max 25. setembro 2013 03:07

 

Muito estilo, muita pesquisa para contar, de outra forma, grandes momentos de sonhos e outros poéticos, é o que Miranda July traz em seu segundo filme, O Futuro (The Future, 2011). A diretora, atriz, escritora e artista plástica que ganhou em 2005 A Câmara de Ouro em Cannes por seu filme Eu, Você e Todos Nós, agora nos mostra a história de uma crise de um casal que começa, por sua vez, com outra crise, a da idade. O que acontece quando o futuro já é o presente? O que acontece quando você percebe que tudo o que queria fazer ficou para trás? O que acontece quando talvez seja tarde demais? Para Jason (Hamish Linklater) e Sophie (Miranda July) esse momento chega com a adoção de um gato chamado Paw Paw. Diante de nós, espectadores, este gato pensa, tem pensamentos em "voice over" perto do casal, e nós só vemos suas patas (e uma está ferida). Entre o que este felino está nos dizendo e o que vemos no casal, assistimos um momento de crise e somos testemunhas de como surge uma repentina necessidade de fazer algo com a vida em 30 dias, que é o suposto tempo de recuperação do gato na clínica, como se a volta do mascote fosse o nascimento de uma criança indesejada, uma âncora que impedirá realizar os sonhos, como se, com esta volta, toda oportunidade de crescer espiritualmente fosse apagada para sempre.

Miranda July fez uso de sua bateria multidisciplinar. Vemos que ela atua, vemos que ela está em uma margem onde não dá para saber se ela é o seu personagem, ou melhor, se o seu personagem é ela. Assim, no caso de O Futuro (The Future, 2011), não devemos ter nenhuma dúvida sobre a afirmação de que estamos diante de um filme muito "pessoal".

O Futuro, quinta, 26 de setembro, encerrando o ciclo de filmes independentes que o Max preparou para este mês. Cinema independente, crises da idade, crises de casais. O que você vê quando vê o Max?

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Início do Ciclo EUA Independentes com o filme 28 Quartos de Hotel

por max 4. setembro 2013 12:27

 

Isso que tem entre os ancestrais de Roger Corman, Orson Welles, Samuel Fuller, John Cassavetes, entre outros. Isso que chegou ao auge com os novos cineastas de Hollywood (Scorsese, Coppola, entre outros) e que todavia, sob o controle dos estúdios tinha seu ar de independente. Isso que promoveu e promove com sucesso o festival de Sundance (paradoxalmente como negócio que Hollywood havia descoberto). Isso que relacionamos com Tarantino, mas talvez não seja Tarantino. Isso que se caracteriza por filmes sem enredo convencional, por contar histórias de famílias disfuncionais, por acumular personagens fora do comum que lutam para se manterem dignos neste mundo quadriculado e cruel. Isso que pode ser encurralado por prostitutas, homossexuais, anões, pessoas solitárias e drogas. Isso com raras músicas de fundo; com preservação de diálogos ou com diálogos agudos. E claro, isso qye não faz festa com grandes orçamentos e nem efeitos especiais… ou pelo menos, não ao estilo dos grandes estúdios. Isso que chamamos de cinema independente, esse amplo espectro de maravilhas, terá seu espaço este mês de setembro, no Max, com exibição toda quinta. Começa nesta com 28 Quartos de Hotel (28 Hotel Rooms, 2012), de Matt Ross. Na próxima semana, quinta dia 12, tem Inverno de Alma (Winter´s Bone, 2010), de Debra Granik, e dia 19, 96 Minutos (96 Minutes, 2011), de Aimee Lagos. E o ciclo EUA Independentes encerra com O Futuro (The Future, 2011), de Miranda July, na quinta, dia 29.

 

 

Para começar, 28 observações sobre 28 Quartos de Hotel do estreante Matt Ross:

 

  1. Uma história de amor que no início não pretende o amor, é uma verdadeira história de amor.
  2. Os amantes se calam, não dizem que se amam. Seus corpos falam por eles. Seus corpos gritam o amor.
  3. Lá fora está o mundo, o mundo que esmaga.
  4. Entra, vê a porta aberta e entra. Depois não sabe como sair. Assim é o amor que cresce dentro dos amantes.
  5. Existe um pacto. Que não iriam se apaixonar. Mas começam a sonhar outra vida. Neste instante, eles sabem, estão perdidos.
  6. Um quarto de hotel não salva de nada. Desta porta o amor também tem as chaves.
  7. Quarto de hotel, pacto de não se apaixonar. Fracasso certo... do pacto.
  8. Quarto de hotel, refúgio atômico contra a realidade. A realidade é o Apocalipse dos amantes.
  9. Os amantes querem ser como os aeroportos. Esquecem que os voos sempre atrasam, que sempre ficam mais tempo do que realmente era necessário.
  10. Para os corpos nada é passageiro.
  11. Não saber nada do outro não garante o esquecimento.
  12. Nada é certo, menos que se apaixonará.
  13. E a morte.
  14. Mas o amor é como a morte.
  15. Quando percebe que comprou uma passagem sem volta. Ali, naquele lugar.
  16. Quando começa a não saber o que fazer com sua vida. Ali, naquele lugar.
  17. Quando quer uma bola de cristal. Ali, naquele lugar.
  18. Quando entende que o destino existe, mas a vida é sua inimiga. Ali, naquele lugar.
  19. O amor ri dos que dizem: "Não vamos nos apaixonar".
  20. O amor os faz dizer: "Não vamos nos apaixonar".
  21. O amor tem três pernas. É uma mesa de mago. Um mago é um ilusionista... e uma fraude fascina.
  22. Quando foi isso? Foi ontem que disse que não se apaixonaria?
  23. Ontem sim.
  24. E hoje já.
  25. E hoje não há remédio.
  26. Você já esteve em 26 quartos, e desde o primeiro você já sabia.
  27. 28 Quartos de Hotel, quinta, 5 de setembro, no ciclo EUA Independentes. No Max.

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