Especial sobre homens beta

por max 13. fevereiro 2012 07:17

 

Os homens beta já chegaram, e chegaram dançando o tcha-tcha-tcha, ou talvez não, porque os melhores homens beta não dançam, ou somente dançam música romântica. Os homens beta chegaram, sim, chegaram para destronar os metrossexuais, tão suspeitos... Os homens beta mais que estética, que o físico, são sensibilidade. Bem parecidos, ou não, mas não são absolutamente galãs, não são totalmente bem vestidos. Os homens beta, dizem, não temem seu lado feminino, mas são homens, atenção, homens que encantam as mulheres. São inteligentes e não lhes interessa ser líder, destacar-se como machos alfa. Estão bem onde e como estão, mas ainda assim são bem sucedidos, porque amam o que fazem. Deixam, sem qualquer problema, que uma grande mulher fique à frente deles. Ou seja, atrás de toda grande mulher, agora há um grande homem beta, um bom pai, um excelente amante, alguém tranquilo, sem bebedeiras e sem amores extremos pelo esporte, alguém espiritual, sem fanatismos religiosos.

Já chega de tanto homem que grita, brigão, que vai à guerra e à caça, já chega de tanto viking vendo esportes, já chega também daquele que quer ser mais lindo que elas, que fica até meio suspeito com tanto cuidado com a pele e a roupa; a mulher de hoje voltou seu olhar para o homem beta. Ela é trabalhadora, executiva, ela tem suas metas e liberdades claras, e ninguém vai sair por aí a pisoteando, muito menos competindo com ela no campo feminino. Desta forma, o homem beta está muito próximo do homem perfeito, o andrógino verdadeiro, o homem dos novos tempos, o excelente companheiro para a mulher de hoje. Que o homem beta seja bem-vindo, se é verdade que ele exista. E se não existe na realidade, pelo menos está no cinema, e o Max mostra isso nesta segunda-feira, em um especial de três filmes onde você poderá identificar se o homem que tem ao seu lado... é um homem beta.

 

 

Começamos com Amor sem Idade (Love Comes Lately, 2007). Esta comédia dramática do alemão Jan Schütte é baseada em vários contos de Isaac Bashevis Singer, premiado com o Nobel de literatura. Max Kohn (Otto Tausig), um escritor solitário, que gosta da solidão, que sabe que a solidão não é um tormento, um homem sensível, um herói da palavra, já de 80 anos, mas que vive apaixonado pelo amor, pela ideia do amor, e tem forças para amar ou pelo menos sonhar, para imaginar que ama. Um filme delicado, sóbrio, encantador, que apresenta este homem beta, já com certa idade, porém, segundo as groupies que o cercam, encantador.

 

Seguimos com Os Homens que Encaravam as Cabras (The Men Who Stare at Goats, 2009). Ewan McGregor, que já por si só tem pinta de homem beta, é um jornalista talentoso, sensível, que ama sua profissão e sua esposa, mas que foi deixado por ela. Bob (esse é o nome do personagem de McGregor) sente que sua (ex) mulher não o respeita, que ela acha que ele não é um homem e, assim sendo, ele vai para o Iraque (estamos em 2009), em plena guerra, para demonstrar para ela que sim, ele é um homem que honra suas calças. Lá conhecerá Lyn Cassady (George Clooney), que revelará que fez parte de um batalhão especial de Guerreiros Jedi, espiões psíquicos do chamado Exército da Nova Terra, uma unidade especial e, claro, secreta, das Forças Armadas norte-americanas. Trata-se de uma comédia inteligente, satírica, desconcertante, muito ao estilo dos irmãos Coen, Michel Gondry, Spike Jonze ou Charlie Kauffman.

 

 

E falando de Spike Jonze e Charlie Kauffman, encerramos com Adaptação (Adaptation, 2002), a história de um roteirista, Charlie Kauffman, interpretado por Nicolas Cage, que encontra-se em um momento crítico em sua carreira criativa. Confuso, mesmo no meio de um bloqueio criativo, ele precisa escrever um roteiro sobre um livro de não ficção de Susan Orlean, personagem interpretado por Meryl Streep. O livro trata sobre orquídeas e sobre um ladrão de orquídeas. E assim Cage apresenta-se como um possível homem beta, prestigiado, mas sensível e, nesse momento da história, bastante perdido em sua própria arte; inclusive, para mim, o verdadeiro homem beta é este ladrão de orquídeas do livro de Susan Orlean, um tal John Laroche, interpretado por Chris Cooper. Laroche, rústico, sem dentes, sujo, acaba sendo um homem de bons sentimentos, interessante, quase um poeta, a quem Susan prende-se e não digo mais nada. Chris Cooper recebeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por este filme. Adaptação, de Spike Jonze, com roteiro de Charlie Kauffman, é uma das produções raras, particulares, inteligentes, que devem fazer parte da história dos filmes que você sempre lembrará e admirará. Com homens beta incluídos.

Especial Homens Beta, nesta segunda-feira, 13 de fevereiro

Reinvente, imagine de novo... descubra o Max.

Estrada de Rei, ou as rotas de Valdís

por max 1. novembro 2011 07:38

 

Quando digo Valdís, você não lembra de nada, não é?! Se digo que Valdís é um nome, então não sabemos se trata-se de homem ou mulher. Se digo Valdís Óskardóttir, esse Óskar nos faz pensar em homem. Mas não, Valdís é nome de mulher. É um nome islandês e, para aprofundarmos o tema, Valdís remete a nomes como Thomas Vitenberg, Gus van Sant e Michel Gondry. Por quê? Porque Valdís é montadora. E uma montadora das boas, das melhores, porque para trabalhar com estes nomes tão importantes, teria mesmo que ser. Nada mais, nada menos que com um adepto do Dogma (foi a montadora de Festa de Família / The Celebration, de 1998, primeiro filme realizado pelo grupo Dogma 95, encabeçado por Thomas Vitenberg e Lars Von Trier), com um louco norte-americano, que nada nas águas do cinema independente e no cinema comercial com filmes como Drugstore Cowboy, Garotos de Programa (My Own Private Idaho), Elefante (Elephant) e Procurando Forrester (no qual Valdís trabalha) e com um diretor francês de comerciais, vídeos e filmes tão alucinantes como A Natureza Quase Humana (Human Nature) e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind). Mas Valdís também é diretora. Em julho, vimos no Max seu trabalho O Grande Dia (Country Wedding, 2008), a história de um casal de Reykjavik, que decide se casar no campo, e acaba enfrentando uma série de conflitos, segredos e alegrias familiares no ônibus onde estes noivos viajam com todos os convidados da festa. Um filme fatal e ao mesmo tempo divertido, com muito da herança de câmera na mão deixada pelo Dogma.

Este mês, voltaremos a ver o trabalho de Valdís Óskarsdóttir, graças ao filme Estrada de Rei (Kóngavegur, 2010), uma comédia (esse humor da diretora, triste, humor negro sempre está ali no fundo) com profundas marcas de drama, que nos mostra a face mais patética e empobrecida de um país como a Islândia. Na história de um retorno, um filho que volta para buscar ajuda do pai de quem se lembra como um banqueiro bem sucedido, mas que o acaba encontrando em um parque de trailers, totalmente arruinado, casado com uma deprimente ex-rainha de concurso de beleza, cercado por um bando de idiotas e pela decadência. São os personagens da periferia, os abortados da sociedade. Ali, a diretora foca, ali ela se aprofunda, ali também se diverte com seu particular senso de humor, para mostrar esse mundo, para falar de um país tão longínquo e desconhecido por nós. Ao conhecer estas pequenas histórias, entendemos que a Islândia é como qualquer parte do mundo, que seus sonhos e seus pesadelos são os de todos, de todos os seres humanos.

Estrada de Rei, quinta-feira, 2 de novembro, no Max.

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