Notícias do cinema que o Max adora…

por max 20. fevereiro 2013 08:00

Michaël R. Roskam

 

Depois do bem sucedido Bullhead, que esteve entre os indicados ao Oscar de filme estrangeiro, o diretor belga Michaël R. Roskam, trabalha em vários projetos, inclusive um com a HBO chamado Buda Bridge. Outro é The Tiger, no início pensado para Darren Aronofsky (Pi, Réquiem para um Sonho, O Lutador, Cisne Negro). The Tiger é a história de um tigre que ataca e devora humanos em um povoado siberiano. O roteiro é de Guillermo Arriaga (Amores Brutos, 21 Gramas), e dizem que Brad Pitt está cotado para o elenco. Outra possibilidade é a adaptação de um conto de Dennis Lehane. O filme se chamaria Animal Rescue, sobre o dono de um bar que resgata um cachorrinho e acaba se metendo em problemas sérios por causa desse gesto tão simples. Qual desses projeto Roskam vai desenvolver?

 

Manoel de Oliveira é o diretor de cinema em atividade mais velho do mundo. Ele tem 104 anos, realizou 60 filmes e já planeja outro. Trata-se de A Igreja do Diabo, adaptação de um conto homônimo de Machado de Assis. O projeto de Oliveira reúne outros dois contos do escritor para compor uma trilogia que inclui a visita do diabo à Terra, um caso de adultério (Missa do Galo), e as desilusões de um ornitólogo (Ideias do canário).

 

O diretor e roteirista italiano Marco Bellocchio está cheio de projetos novos. Ele já desenvolve La Priggione di Bobbio, um drama do século 16 com orçamento de 1,5 milhão de euros. E para o próximo ano, planeja uma adaptação de 5 milhões de euros da Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo. La Priggione di Bobbio é ambientado nos tempos da Inquisição, e mostra uma mulher sedutora acusada falsamente de bruxaria. Pagliacci é a história de amantes, de uma infidelidade e da consequente tragédia e parece que Bellocchio transportou os fatos para um sanatório. No elenco, atores de ópera e uma orquestra tocando ao vivo durante a filmagem.

 

Não perca, este mês, no Max: Bullhead, de Michael R. Roskam, O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira, e Vincere, de Marco Bellochio. O que você vê, quando vê o Max?

 

Para reapresentações, clique aqui:

Bullhead: http://www.hbomax.tv/sinopsis.aspx?prog=CEL206301

O Estranho Caso de Angélica: http://www.hbomax.tv/sinopsis.aspx?prog=PYR198544

Vincere: http://www.hbomax.tv/sinopsis.aspx?prog=CEL188163

 

Bullhead, ou o Minotauro que perdeu seu paraíso

por max 15. fevereiro 2013 06:32

 

Os agricultores: há, em nós, uma conexão inocente, essencial com os símbolos da fazenda e do fazendeiro . Ambos estão relacionados com a natureza, com o trabalho na terra, com a criação de pitorescos animais. O fazendeiro, claro, tem uma fazenda. Entre os primeiros brinquedos de um menino sempre estará a fazendinha. Os primeiros quebra-cabeças, também uma fazendinha. É inevitável. A fazendinha, como símbolo, significa bondade, inocência, vida.

 

O fato: em 1995, na Bélgica, Karel Van Noppen foi assassinado. Van Noppen era um veterinário que trabalhava como pecuarista inspetor do governo, um homem honesto que esteve investigando uma situação irregular nas fazendas do país e descobriu algo parecido com uma máfia de hormônios. Ou seja, os fazendeiros injetavam substâncias em suas vacas para torná-las mais fortes e gordas. A partir desta morte, se descobriu toda uma rede ilegal de traficantes, fazendeiros e funcionários do governo. Conclusão: alguns fazendeiros podem ser gangsters, mafiosos, assassinos.

 

A ideia: Há um tempo, Michaël R. Roskam vinha pensando em temas como redenção e vingança. Inclusive escreveu contos e dirigiu curtas com os temas. Ao tomar conhecimento da notícia sobre máfias de fazendeiros, deu-se a alquimia. Ali existia um filme de suspense que ia além de ser original e no qual, de alguma maneira, iriam se encaixar os temas que tanto lhe interessavam.

 

O resultado da alquimia: Bullhead foi lançado em 2011 e indicado ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

 

O personagem: Bullhead é centrado em Jacky Vanmarsenille (Matthias Schoenaerts), um jovem fazendeiro com musculatura de sobra, um touro, um Minotauro que tem ataques repentinos de violência. Jacky está envolvido no tráfico de hormônios para o gado, e como se isso não fosse suficiente, também injeta em si mesmo as tais substâncias. Mas o horror não acaba aqui: seu passado esconde algo, um fato desonroso, que o faz agir dessa maneira autodestrutiva e violenta. Tudo piora quando personagens desse seu passado reaparecem. Eles são: Diederik (Jeroen Perceval), o amigo de infância que o abandonou em um momento crucial e agora é traficante de drogas e informante da polícia; e Lucía (Jeanne Dandoy), seu amor dos tempos de colégio. Eles vão despertar em Jacky dois desejos atávicos: o da vingança furiosa contra aqueles que o humilharam, e o da redenção, através do amor, da busca daquilo que se perdeu durante sua juventude. Um amor que, sem dúvida, torna-se difícil, pois Lucía é irmã de um daqueles que maltrataram o agora jovem Minotauro.

 

Minotauro: Diz o Dicionário dos Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant: «Esse monstro simboliza um estado psíquico, o domínio perverso de Minos. Mas o monstro é filho de Pasifae: ou seja, Pasifae é também a fonte da perversidade de Minos: esta simboliza um amor cheio de culpa, um desejo injusto, um domínio indevido, a falta, reprimidos e ocultos no inconsciente do labirinto.» Mais: «o mito do Minotauro simboliza, em seu conjunto, o combate espiritual contra a rejeição.».

 

(Pasifae, é bom dizer, era esposa de Minos. Farta das infidelidades do rei, Pasifae se apaixonou por um touro branco – algumas versões ligam este amor bestial ao castigo de Poseidon ou de Afrodite. O touro, logicamente, não prestou atenção à mulher, e por causa disso Dédalo – o mítico escultor— fez-lhe uma figura oca de uma vaca. Pasifae entrou ali dentro e o touro, acreditando que se tratava de uma vaca, transou com ela. Dali, nasceu o Minotauro.)

 

O enlace: o paraíso dos fazendeiros é um paraíso furado, tal como furada é a infância, essa distante terra dourada, de Jacky, o Minotauro.

 

Carne: São Jerônimo rasga sua própria carne com as mãos e até mesmo com uma pedra. A carne é potência diabólica, abismo, pecado, inferno. Mas a carne, fera indomável, busca saciar sua fome e sede. A luxúria, a ira, a avareza, o ódio, o puro prazer são alguns desses alimentos da carne. A partir dali, a carne necessita da purificação. A carne do Minotauro necessita da luz de Ariadna, que é a luz do amor. Mas o Minotauro perdeu-se em seu próprio labirinto, em seu labirinto de carne, nenhum paraíso.

 

Uma frase para finalizar: quem está ferido pode chegar a sentir que isso aconteceu porque merecia isso. Pode ser culpado e vítima. Pode sentir vontade de destruir e de se destruir. Quem incendeia paraísos acaba semeando infernos.

 

A estreia: Bullhead, neste domingo, 17 de fevereiro. Vingança, redenção, film noir, inocência ultrajada, paraísos perdidos. O que você vê, quando vê o Max?

 

Para reapresentações, clique aqui.

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