A Gangue dos Jotas, uma comédia de humor negro da genial Marjane Satrapi

por max 13. agosto 2014 06:26

 

Marjane Satrapi, a diretora iraniana que mora em Paris e comoveu o mundo com a graphic novel Persepolis e depois com o filme que leva o mesmo nome, volta com seu terceiro filme - o segundo foi Frango com Ameixas (Poulet aux Prunes, 2011), separando-se de seu tradicional codiretor, Vincent Parannaud, e saindo completamente do mundo da animação. Estamos falando de A Gangue dos Jotas (La Bande des Jotas, 2012), comédia que Satrapi não apenas dirige, mas que também escreve (como é comum para ela) e atua como protagonista. E quanto à locação, a diretora também faz outro movimento diferente, mas, neste caso, para fora do Irã e de suas temáticas, para se instalar na Espanha. Ainda que instalar não seja exatamente a palavra, porque na realidade este filme não para de se mover ao longo de estradas, desertos e pequenas cidades no melhor estilo de um road movie com algo, devo acrescentar, de bang-bang italiano de Sergio Leone, pois a paisagem árida que constitui as ações nos levam para isso.

Estamos diante de uma comédia de humor negro, pequena, mas inteligente, que começa com a confusão de uma bagagem. Quem cometeu o erro foi uma mulher misteriosa (a própria Marjane Satrapi), que, com a suposta finalidade de devolver a bagagem, recruta dois amigos, interpretados por Mattias Ripa e Stéphane Roche (que também são o produtor e editor do filme), inocentes jogadores de badminton que não sabem em que estão se metendo, pois esta mulher que em princípio se parece como vítima de um grupo de mafiosos cujos nomes começam todos com "J", na verdade, e para alegria do público, é outra coisa. A misteriosa mulher esconde algo mais e, além disso, é uma grande contadora de histórias que vão entreter tanto os personagens como o espectador.

Uma comédia de humor negro que diverte a própria diretora, que afirma que, entre um filme e outro, alternará com projetos menores e divertidos como este.

A Gangue dos Jotas, domingo 17 de agosto, no Max.

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Persepolis ou como a alma cai

por max 17. abril 2011 19:37

 

 

O filme Persepolis  (2007), dirigido por  Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, é a história de várias quedas. Quedas políticas e quedas espirituais. Quedas na mais profunda escuridão humana e, talvez por isso, tanto o romance gráfico como o filme foram desenhados em branco e preto. O texto original é, realmente, uma obra artística da mais alta qualidade, um romance gráfico, em quatro livros, escrito e desenhado pela iraniana Marjane Satrapi (co-diretora da versão cinematográfica), que se inicia com a queda do Xá do Irã, em 1979 e, continua ao longo do processo revolucionário e de radicalismo islâmico que se iniciou no país após o governo monárquico ter sido derrubado. A protagonista é Marji, uma menina de dez anos, da classe média, que crê que pode falar com Deus (idêntico a Marx este Deus) e que também pensa que é a última grande profetisa depois de Cristo e Mahoma. Esta menina faz comentários muito inteligentes sobre o processo de mudança: a redução da liberdade de expressão, a volta ao uso do véu pelas mulheres, a proibição de escolas particulares e também do ensino de outras línguas; e outros muito fortes como o incêndio de um cinema com as pessoas dentro, só porque estavam vendo um filme estrangeiro, apenas um filme. Como disse ao início, Persepolis vai nos mostrando as quedas. As quedas na ignorância, alienação e a loucura de uma suposta revolução para o bem dos homens. Não obstante, apesar destas quedas, o personagem de Marji evolui e descobre Iron Maiden e o grupo ABBA e, também é enviada para estudar fora, onde poderá estabelecer incríveis pontos de comparação.

Trata-se de uma ótima adaptação do romance gráfico. Um trabalho que nos leva com um fino humor através da insensatez do homem, uma denúncia cinematográfica, uma voz que já percorreu muitos festivais de cinema e levou uma grande quantidade de prêmios, entre eles o Prêmio do Júri, em Cannes.

Persepolis, segunda-feira 16 de maio, com mais do ciclo em homenagem ao Festival de Cannes.

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