Ciclo de filmes ganhadores em Cannes: Um Homem que Grita

por max 11. maio 2012 13:00

 

E nesta segunda-feira, dentro do ciclo de filmes ganhadores de prêmios em Cannes, teremos Um Homem que Grita (Un homme qui crie, 2010), de Mahamat-Saleh Haroun (Bye Bye Africa, Our Father, Daratt). O filme é africano mas não tem os temas típicos do que poderia ser a África, e nos situa em uma sociedade e seus conflitos (início da guerra civil no Chade), mas seu ponto central está na relação entre pai e filho, a vida íntima, suas tensões, enfrentamentos. O cineasta aposta na complexidade do ser humano na figura de um homem já mais velho que se vê obrigado a deixar o trabalho de toda a vida para doar-se, dedicar-se ao filho, e para ver-se enfrentando o drama de uma guerra que se aproxima. O trabalho, a velhice, a paternidade, a morte como uma grande presença, Um Homem que Grita é um filme honesto, simples, mas profundo, sensível mas não do tipo água-com-açúcar, que ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

Lembre-se, nesta segunda-feira, 14 de maio, Um Homem que Grita. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

Um Homem que Grita, ou as convicções do coração

por max 24. janeiro 2012 11:41

 

Em algum lugar, li um comentário sobre Um Homem que Grita (Un Homme qui crie, 2010), onde destaca-se que é uma produção do Chade, África, o que acaba sendo muito especial, mas, principalmente, que é um filme africano sobre a África, uma produção que não se acomoda nos lugares comuns, no folclórico, em tudo aquilo que, realmente, é a África, mas que, ao mesmo tempo, não representa tudo o que a África significa, não é tudo o que a África pode nos contar sobre o próprio continente. Seu diretor, Mahamat-Saleh Haroun (Bye Bye Africa, Our Father, Temporada de Seca/Daratt), sem dúvida, nos ambienta em uma sociedade e seus conflitos (no início da guerra civil), mas seu centro está na relação entre pai e filho, na vida íntima, em suas tensões, enfrentamentos. O cineasta aposta na complexidade do ser humano, ali onde amamos e, ao mesmo tempo, odiamos, onde sofremos e, ao mesmo tempo, nos alegramos. Um homem que se vê obrigado a deixar o trabalho de toda sua vida, um homem já de 55 anos e sem maiores recursos, não pode sentir-se feliz por seu próprio filho ter lhe tirado esse trabalho. Mas o que fazer quando a vida do rapaz talvez dependa da decadência do próprio pai? A freira Joana Inês da Cruz disse que o amor é um labirinto; também poderia ser dito que o amor é sacrifício. Assim, Mahamat-Saleh Haroun escapa das armadilhas que são lugar comum e "politicamente corretas", buscando aprofundar-se. Lembro, aliás, de uma resposta de Leonard Cohen em uma recente entrevista a respeito da estreia de uma nova produção. Cohen fala das ideias, diz que o que ele deseja quando escreve uma canção é desfazer-se das ideias, que não lhe atraem as canções com ideias. "Tendem a ser propaganda. Sempre estão do lado certinho das coisas: a ecologia ou vegetarianismo ou contra a guerra. Todas estas são ideias maravilhosas, mas gosto de trabalhar as canções que vão além dos slogans, com tudo o que de maravilhoso há nelas e com o que de importante elas promovam, e acabo encontrando-as nas convicções mais profundas no coração. Nunca escrevi uma canção didática. Somente minha experiência, tudo o que tenho que colocar em minhas canções é minha experiência."

Um Homem que Grita, um filme honesto, simples, mas profundo, sensível mas não fresco demais, que ganhou o prêmio do júri no Festival de Cannes. Estreia, quarta-feira, 25 de janeiro, no Max.

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