Kaboom, ou uma lista explosiva e pós-moderna

por max 14. novembro 2012 04:04

 

Niilismo

Carpe Diem

Juventude

Universidade

Sexo

Bissexualidade

Pansexualidade

David Lynch

Luis Buñuel

John Waters

Bret Easton Ellis

Ficção científica

Comédia

Gore

Cinismo

Magia negra

Conspiração

Fim do mundo

Sexo explícito (ou quase)

Surfista chamado Thor mais gay que um gay sem ser gay

Máscaras de porcos

Desaparecimentos, assassinatos

Experimentação com drogas

Mais sexo

Sexo outra vez

Cores explosivas, azul e rosa bem fortes

Transmodernidade, pós-modernidade

O universo inteiro

Explosão

Kaboom, de Gregg Araki, nesta quinta-feira, 16 de novembro.

Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Las Viudas de los Jueves, ou o isolamento seguro e a imortalidade falsa

por max 29. junho 2012 14:42

 

O tema do isolamento na sociedade tem uma origem. O isolamento, como narra o escritor uruguaio Horácio Quiroga em seu conto "A Realidade" é, no início da história do homem, uma busca por refúgio. O isolamento na caverna foi uma necessidade de segurança. Evidentemente, o isolamento como forma de segurança parece absolutamente compreensível. Mas este mesmo isolamento é entendido de outras maneiras, por exemplo, na obra de Platão, que vê a compreensão da realidade pelo homem como um jogo de sombras. O grupo de homens que Platão imagina, aprisionados em uma caverna, veem somente as sombras do real. As sombras que se projetam na parede da caverna. Aqui, a imagem do isolamento se distorce, torna-se obscura. O isolamento, a segurança da caverna, vira um equívoco. Em "O Anjo Exterminador", de Buñuel, o "confinamento" inexplicável dos burgueses na sala de uma casa abre portas para o cineasta mostrar toda a fúria animal que se esconde por trás dos códigos sociais. Naquela ruptura dos costumes sociais, percebe-se a crítica à cegueira burguesa, à cegueira produzida pela própria reclusão em busca de segurança. A segurança, a sombra da segurança, produz cegos sociais. Isso é o que Buñuel parecia dizer. Em "Malpertuis", livro de Jean Ray, e também na versão cinematográfica de Harry Kümel (1971), a ideia do aprisionamento como elemento de distorção também está muito presente. O isolamento é uma forma de esquecimento eterno, a segurança é uma espécie de falsa imortalidade e também de endeusamento. Em "Malpertuis", os confinados na mansão são deuses gregos, deuses em decadência. Jung dizia que aqueles que foram deuses se transformaram em doenças. O autor colombiano Álvaro Mutis, em "La mansión de Araucaíma", também mostra o aprisionamento como uma fonte infinita do mal; um romance gótico nos trópicos, um romance sobre o mal, que fez Mutis ganhar uma aposta de Buñuel, acertada em uma noite regada a martinis. Essa era fácil ganhar: o mal, gótico ou não, o mal dos cegos está em todos os claustros, em toda segurança com forma de imortalidade, até mesmo nas terras quentes de nossa América (Buñuel dizia que um romance gótico seria impossível por nossos lados).

No cinema latino-americano, existem algumas referências neste aspecto. O filme mexicano Zona do Crime (La Zona, 2007), dirigido por Rodrigo Plá, gira em torno da vida em uma área residencial de classe alta, super protegida onde, um dia, aparecem alguns ladrõezinhos "inocentes" e, por azar, morrem várias pessoas. Aquela região residencial é o lugar dos deuses falsos, daqueles que pensam estar acima do bem e do mal, e que acreditam que podem agir por conta própria, fazer justiça com as próprias mãos.

Outro filme latino-americano que também trata do tema do confinamento seguro como gerador de poderes falsos é Las Viudas de los Jueves, do cineasta argentino Marcelo Piñeyro. Piñeyro é um diretor prestigiado, que ganhou vários prêmios Goya por seus filmes O que Você Faria? (El Método) e Plata Quemada, este último baseado em um dos romances fundamentais do autor Ricardo Piglia. Las Viudas de los Jueves, seu mais recente filme (produção de 2009, Piñeyro é um diretor que se dá seu tempo), centra-se também em um condomínio fechado de luxo, onde moram famílias ricas. Um dia, em "Altos de la Cascada", aparecem três cadáveres flutuando em uma piscina. Para evitar intrusos ou incômodas intromissões, os moradores logo rotulam as mortes como acidentes. Porém, o horror destas três mortes inicia um proceso que irá desnudando todas as verdades, em um filme carregado de boas doses de suspense. Os atores Pablo Echarri, Ana Celentano, Leonardo Sbaraglia, Ernesto Alterio, Gloria Carrá e Juan Diego Botto, entre outros, interpretam os personagens desta obra em conjunto, que serve ao diretor para mostrar um reduto social que, em muitos casos e apesar do tamanho pequeno, pode até controlar ou ditar grandes pautas de comportamento em um país. A partir do isolamento, da cegueira, da falsa eternidade, eles querem o Olimpo e, do Olimpo, lançam seus tentáculos para o mundo.

Las Viudas de los Jueves, neste sábado, 30 de junho. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Continua o ciclo Sensos de Humor com Estrada de Rei e A Mulher do Meu Amigo

por max 14. dezembro 2011 13:50

(John William Waterhouse, A Tale from Decameron, 1916)

 

E em dezembro, o Max continua explorando o sentido do que a vida tem de sem sentido, no ciclo Sensos de Humor. Para a sexta-feira, dia 16 e para a sexta-feira, dia 23, os filmes são os seguintes:

 

 

Estrada de Rei (Kóngavegur, 2010): Uma comédia amarga que se esquenta com o drama das frias terras da Islândia. Levados pelas mãos da cineasta Valdis Óskarsdóttir, entramos em um caminho descampado para caravanas, deprimente, arruinado e cheio de personagens patéticos, espantalhos que não chegam a ser totalmente divertidos nem totalmente detestáveis. A família, a paternidade, a memória, a fortuna são os temas centrais deste filme que retrata um mundo de fantasmas e sombras no meio da neve, do frio e da distante Islândia.

Estrada de Rei, nesta sexta-feira, 16 de dezembro.

 

 

A Mulher do Meu Amigo (2010): Inspirado em uma peça de teatro, de humor, de Domingos de Oliveira, o filme tem, certamente, o clima teatral, pois tudo transcorre em uma casa de campo, onde os personagens vão se fechar para não querer sair por um bom tempo. Como se fosse um Decameron ou O Anjo Exterminador de Buñuel, ao contrário, e como se tratasse de um A Morte do Demônio sem mortes nem livros diabólicos, os dois casais desta história se trancam (alguns saem e não voltam) para viver na nudez de suas obscuridades, como costuma acontecer em todos estes relatos de pessoas fechadas em algum lugar. Porém, todas essas obscuridades, segredos e desejos vão se mostrando de forma engraçada, divertida e muito bonita, pois seu diretor, Cláudio Torres, trabalhou durante anos em publicidade e essa estética cheia de preciosismo do publicitário se reflete tanto neste filme como em Redentor (2004), seu primeiro longa-metragem. Em Redentor, o tema social estava muito presente, enquanto que em A Mulher do Meu Amigo, ainda que a estética persista, a intenção muda, pois o mesmo Torres afirma que o que visa é entreter, fazer rir, oferecer um passatempo às pessoas. Ainda assim, sente-se que há certo elemento muito francês no que diz respeito a esse tratamento das relações de casais para criticar a sociedade burguesa. Vale destacar que Torres foi também diretor da série original da HBO, Mandrake, magnífica série inspirada no personagem de Rubem Fonseca, protagonizada por Marcos Palmeira (como Mandrake, claro), e que, não por acaso, protagoniza A Mulher do Meu Amigo. Palmeira repete o papel de advogado, pois tanto Mandrake como Thales exercem a mesma profissão. No caso de Thales, trata-se de um personagem bem sucedido que, já farto de seus negócios ilegais com seu sogro, decide deixar de trabalhar e ficar na casa de campo onde vai passar férias, com a esposa de seu amigo e os filhos dela. Mas não se assustem, os respectivos cônjuges nem se incomodam, e voltam de lá juntos e felizes da vida porque são amantes há dez anos. Aquela partida, obviamente, abre as portas para o romance... dos dois que acabam ficando. E assim a história começa.

A Mulher do Meu Amigo, na sexta-feira, 23 de dezembro, no Max.

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