Polissia, o mundo impuro do abuso infantil

por max 12. abril 2013 14:21

 

Como faz para resistir quem enfrenta todos os dias uma das piores trevas da humanidade, o abuso infantil? Essa parece ser a pergunta que faz a diretora, roteirista e atriz francesa que foi a esposa de Luc Besson, conhecida pelo nome único de Maiwenn.

Primeiro, dizem, ela viu documentários sobre o abuso infantil (os documentários de Virgil Vernier). Depois, decidida a fazer um trabalho a respeito, solicitou passar um tempo na unidade especial para o abuso ao menor de idade da polícia de Paris. A experiência que teve ali refletiu em seu roteiro que logo ficou completo com a também diretora, atriz e roteirista, Emmanuelle Bercot, e que mais tarde se tornou Polissia (Polisse – 2011). É um filme mosaico, totalmente coral, daqueles que entram nas casas, nos segredos, nas inocências e nas trevas que se movem ao redor do mundo do abuso infantil. Pedófilos, crianças batedoras de carteiras, pais abusivos, a violência sexual entre os adolescentes e crianças que, apesar dos abusos, sentem afeto pelos abusadores ("ele era bom comigo"). Os policiais que trabalham nesse departamento vêem diariamente tudo isso e muito mais. Suas vidas são mantidas ali, em um equilibrio precário que, como este filme, se movimenta entre a ficção e a realidade. Porque assim, a diretora realizou um filme que se move entre ambos os mundos, entre o cenário imaginário e o documental. Essa ficção funciona como um muro, uma forma de testemunhar o terrível. A ficção, como sempre, nos ajuda a continuarmos vivos. Porém, o muro desse mundo precário se rompe quando aparece uma fotógrafa e jornalista ministerial (interpretada pela própria Maïwenn), que se encarrega de documentar as atividades destes policiais. O segundo longa de Maïwen, que lembra um pouco a cultuada série policial A Escuta (The Wire), mergulha neste mundo onde não há mais que um realismo cru, mas ela faz, apesar do estilo documental, em proporção correta uma estética de cinema policial. A Alma suporta até onde suporta. A ficção é a ferramenta para conhecer e conscientizar as facetas do mal que os homens fazem e vivem.

Polissia (Polisse), ganhador do Prêmio do Júri em Cannes. Neste domingo, 14 de abril. Realismo brutal, ficção como salvação, vidas a flor da pele. O que você vê quando vê o Max?

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Three Quarter Moon, ou a lua do meio

por max 8. fevereiro 2013 10:58

 

Um amargurado motorista de táxi é o protagonista de Three Quarter Moon (2011), do diretor alemão Christian Zübert. Chama-se Hartmut Mackowiak (Elmar Wepper, ator conhecido na televisão alemã) e gira por Nuremberg, profundamente entristecido, pois foi trocado pela esposa depois de trinta anos, pelo elegante condutor de um Volvo. Ele vive a se queixar de seu infortúnio e, além disso, dos imigrantes que chegam ao seu país. Certo dia, uma menina de seis anos, chamada Hayat, cruza sua vida. A menina é turca. No começo, ela está acompanhada da mãe, uma cantora de cruzeiro, que deixa a pequena sob os cuidados da avó, enquanto ela completa sua temporada de trabalho. A avó da menina, claro, vive num bairro de imigrantes. Dominado pela raiva, Hartmut não para de falar mal dos estrangeiros. A mãe da menina, horrorizada, o chama de "nazista". A criança, naturalmente, não tem ideia do que isso significa. Quando a avó sofre um colapso, e se vê sozinha numa cidade que não conhece direito, ela lembra do senhor "Nazista", o único alemão que conheceu, e pega o táxi nas cercanias do hospital para onde haviam levado sua avó em coma. Aqui, naturalmente, começam o drama e a comédia em torno destes personagens que, por mais diferentes que se mostrem, no fundo parecem enfrentar uma crise semelhante. Ambos, sem dúvida, estão sozinhos no mundo e, dentro dessa solidão, estabelecem uma relação que ocupa um espaço particular, nem oriental nem ocidental, nem a lua daqui nem a de lá, mas uma lua do meio, uma lua que não vai aos extremos. Ali, dentro desse lugar, cada um deles vai conhecer a cultura do outro, levados, além disso, por uma espécie de maiêutica socrática em que se explorarão os assuntos da vida, da morte e do amor. Porque esta história, para dar um salto de Sócrates a Platão, é sobre o amor, sobre o amor que surge da amizade e da compreensão dos seres humanos.

Claro que o tema de um velho amargurado que se deixa enternecer por uma menina ou um menino não é nada novo. Pode-se pensar em Kolya, uma Lição de Amor (Kolja), filme checo dirigido por Jan Sverák, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1997. Ou também em O Profissional (Léon, de 1994), de Luc Besson, entre muitos outros. Mas a volta que o diretor Christian Zübert dá ao seu trabalho tem a ver com a Alemanha contemporânea, com esta relação de hoje em dia entre alemães e turcos. A mulher de Christian Zübert é turca, e é ali, nesse intercâmbio, nesse choque, nessa convivência amistosa, que se centra o diretor.

Three Quarter Moon, nesta sexta-feira, 8 de fevereiro. Diferenças, semelhanças, luas em quarto crescente, amizade, compreensão. O que você vê, quando vê o Max?

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Termina o ciclo de cinema de Bollywood com Motos Explosivas

por max 30. janeiro 2012 12:19

 

De O Selvagem (The Wild One, 1953) para cá, as motos têm sido um tema cinematográfico recorrente. Pode-se dizer que talvez a geração beat tivesse a ver com isso, com essa viagem pelas estradas da América. Possivelmente a imagem de Marlon Brando pese mais do que a de qualquer intelectual. Nessa linha também está Sem Destino (Easy Rider, 1969), entre outros. Claro que temos também Fúria em Duas Rodas (Torque, 2004), filme no qual sobram motos, e a série Taxi (1998, 2000, 2003, 2007), produzida por Luc Besson, repleta de táxis, claro, e que, aparentemente, foi a verdadeira inspiração do diretor Sanjay Gadhvi, filho de Yash Chopra, o Midas de Bollywood, para realizar Motos Explosivas (Doohm, 2004), um filme de ação, cheio de motos, tiros, perseguições e roubos. Filho de peixe, peixinho é e, com este filme, Sanjay Gadhvi mostra exatamente isso, pois Motos Explosivas foi, em seu lançamento, uma das produções mais bem sucedidas nas bilheterias indianas. Claro, não há somente motos e ação, o roteiro também traz danças e canções na batida da música eletrônica.

Motos Explosivas, encerrando com chave de ouro o ciclo de cinema de Bollywood, que o Max nos trouxe este mês. Assista na segunda-feira, 30 de janeiro. Reinvente, imagine de novo. Descubra o Max.

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