Educação, ou a ética do amor e da vida

por max 8. setembro 2011 09:02

 

Não vamos mencionar que os tempos variam muito, talvez não seja assim. Mas hoje, vamos dizer que se uma garota encontra um homem mais velho e o homem a convida para jantar, para ir ouvir jazz, para visitar outros países. A única coisa que talvez seja importante é que a menina tem 16 ou 17 anos. Fora disso, tudo o resto é bom, certo? Se a menina tivesse 20 anos de idade e o homem 50, não seria tão ruim. Diríamos, assim, o velho está levando vantagem. Iamos zombar, iamos ficar chocados. Sim, eu sei, não é igual em todos os lugares, mas casos como estes abundam, sem dúvida. O homem de 50 anos de idade ia levar a menina para fazer todas essas coisas, e finalmente acabaria largando a garota. Ela ia sofrer, mas também ia ficar com a alegria da experiência. Teria conhecido Paris e depois ia continuar com a sua vida, acabar com os seus estudos, ter um outro namorado, conseguir um bom emprego, fazer sucesso. Quero dizer, que o evento seria só uma coisa a mais em sua vida, uma recordação, uma experiência mais ou menos dolorosa e mais ou menos perceptível "bonita". Mas voltando à idéia de que a menina tivesse 16 anos e o homem tivesse uns 30 anos de idade. Em nossos tempos, o escândalo seria legal e ideológico. Estamos em tempos de movimentos, bandeiras, direitos e protestos que envolvem um elemento sempre legal, constitucional. Tudo estaria centrado na questão da diferença de idade, o mais velho seria um monstro, a menina uma vítima. O assunto seria exemplar para as boas causas, bucha de canhão. Na Inglaterra, em 1961, um caso similar conheceu outras formas, outras implicações, outras conotações, como é refletido no filme Educação (An Education, 2009) pela diretora Lone Scherfig (Italiano para Principiantes, Wilbur Wants to Kill Himself). Aqui, paradoxalmente, é a família, especialmente o pai, interpretado por Alfred Molina, que dá permissão para a relação desigual. Jenny Mellor (Carey Mulligan) é uma menina inglesa de 16 anos de idade, muito inteligente, acima da média no seu subúrbio e o sonho dos seus pais é usar a sua inteligência para que possa ir estudar em Oxford, onde vai continuar a sua educação, mas acima de tudo, pelo seu avanço social. E é aí que está o busílis. Jenny não está sendo educada para se tornar uma futura profissional que pode ser integrada a um sistema de trabalho e se manter a si mesma. Não, Jenny é enviada para Oxford para que lá, entre a nata da sociedade britânica, conheça um companheiro que possa fazê-la subir de nível social e portanto, por sua vez, elevar a sua família. A mulher continua a ser um objeto, uma propriedade do sistema do poder masculino. Então, quando você vê este homem de 30 anos, David Goldman (Peter Sarsgaard) que começa a cortejar a jovem Jenny, as negativas são de curta duração. Goldman é um cavalheiro, charmoso, rico, torna-se uma oportunidade para avançar na promoção da família. Jenny, por sua vez, é muito sonhadora e inteligente. Esta necessidade de aprender mais e mais, leva a sonhar mais do que deveria e isso aumenta o desejo de deixar o subúrbio. Isto a torna uma presa fácil, pois quando a oportunidade se apresenta, seu desejo é grande. Mas a questão é a seguinte: ela é completamente uma vítima? Não está também se aproveitando da situação? A decepção no final é uma farsa? Não sei se cabe aqui falar de moralidade. É o sopro da vida em que os personagens fazem coisas, uma ética de fazer para crescer, para viver, para aprender com a vida, resistir contra o vazio de tédio existencial. O que é dado e o que não é dado, o tabu e a verdade, a verdadeira educação, o crescimento, o engano, o interesse social. Educação é uma fábula com uma queda cheia de leituras e performances magistrais. Porque em termos de ações, devemos lembrar que Carey Mulligan foi indicada ao Oscar por este desempenho excelente, e ganhou o BAFTA, o British Independent Film Awards, o Independent Spirit Awards, o London Film Awards Critics Circle, entre outros prêmio na categoria de Melhor Atriz.

Educação, em setembro descubra a Max.

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