Motores Sagrados, misterioso e apaixonante filme do diretor francês cult Léos Carax

por max 9. abril 2014 03:32

 

Quem é o senhor Oscar? O senhor Oscar é um ator que não ganha prêmios do Oscar, mas que está muito ocupado atuando no misterioso e apaixonante filme Motores Sagrados (Holy Motors, 2012) do cineasta Léos Carax, antigo "enfant terrible" do cinema francês, que volta à grande tela após três anos de ausência. Seu último trabalho foi Pola X (1999), filme selecionado à Palma de Ouro em Cannes. Na verdade ele já era conhecido por lá desde 1984, quando foi agraciado com o Prêmio da Juventude (claro, ele tinha apenas 24 anos).

Carax tem feito poucos filmes, mas, cada vez que termina um, recebe a aprovação da crítica e de seus seguidores. Sangue Ruim (Mauvais Sang, 1986), estrelado por Juliette Binoche e Denis Lavant, levou vários prêmios no Festival de Berlim e Os Amantes de Pont-Neuf (Les amants du Pont-Neuf, 1991), também estrelado por Binoche e Lavant, foi selecionado para o BAFTA e para o Prêmio César. Sem medo, poderíamos dizer que Léos Carax entra na categoria de autor cult.

Mas do que trata Motores Sagrados? É sobre um ator chamado Oscar (interpretado por Denis Lavant), que passeia em uma limusine e que, durante as horas que andamos com ele, faz novas citações, assume novos papeis, ou pelo menos é o que afirma Céline (Édith Scob), a dama ruiva que dirige a limusine. Não podemos deixar escapar os seguintes detalhes: o filme começa com o próprio Léos Carax acordando e passando através de uma fenda a uma sala de cinema. Carax, aqui o grande detalhe, na realidade se chama Alex Oscar Dupont, Léos Carax é um anagrama de Alex Oscar.

Continuamos: assim como foi um assassino de aluguel, o senhor Oscar essa noite irá a diversas locações de Paris e interpretará diferentes papeis. A única diferença é que ali não tem diretor, nem público, nem câmeras: ele simplesmente interpreta com outras pessoas (outros atores?) cenas onde os limites entre a atuação e a realidade se misturam. Assim, no percurso da noite, este ator interpretará uma idosa que pede esmolas, um outro ator que vai usar uma roupa que captura os movimentos do corpo para transformar em cinema ou jogos 3D – dançará como em um filme musical, fará piruetas ao estilo pastelão, representará movimentos de artes marciais e até mesmo se exercitará em uma sessão pornográfica -, um mendigo meio monstruoso que se apaixona por uma modelo (interpretada por Eva Mendes) e a sequestra, um idoso em seu leito de morte, um pai que discute com sua filha após pegá-la em uma festa e talvez a ele mesmo quando se encontra com Jean (interpretada pela estrela pop australiana Kylie Minogue), outra atriz com quem, ao que parece, ele teve um romance no passado.

O senhor Oscar interpreta seus papeis à perfeição, mas também se vê afetado por essa falta de fronteira entre a arte e a realidade. Em algum momento ele dirá que a única coisa que ainda permanece é a beleza do gesto, esse motor que impulsiona sua vida.

Motores Sagrados é uma joia cinematográfica do gênero fantástico que perturba, encanta e, sem dúvida, surpreende e dá vontade de saber o que vai acontecer depois.

Motores Sagrados, este mês no Max.

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