Meu Melhor Inimigo, ou a amizade traída e os jogos de RPG

por max 6. setembro 2013 17:35

 

Entre a comédia – a sátira –, o suspense e o drama, caminha o filme Meu Melhor Inimigo (Mein Bester Feind, 2010), dirigido pelo austríaco Wolfgang Murnberger. Ambientado na Áustria durante a Segunda Guerra Mundial, narra a vida de dois amigos de infância, Víctor Kaufmann (moritz Bleibtreu), filho de um próspero judeu dono de uma galeria de arte, e Rudi Smekal (Georg Friedrich), que após passar uns dias na Alemanha, se converte ao nazismo por conveniência. Rudi quer agradar seus novos mestres e também ajudar a família de seu amigo Víctor. Ele fala aos alemães de um raro desenho de Miguel Ángel Buonarroti que uma família de judeus possui. O desenho será destinado a Mussolini, como presente pessoal de Hitler. No entanto, as coisas não saem como o esperto Rudi imaginava: logo se descobre que o desenho é falso, e a família de Víctor, e o próprio Víctor, vão para um campo de concentração. Aparentemente, Víctor pode ser o único capaz de encontrar o desenho original, e isso dará início a um jogo de luta de poderes entre Víctor e Rudi, que vai fazer com que eles troquem de roupas, de papéis e de personalidade. Essa mudança de personalidades funciona além do óbvio: que é se colocar no lugar do outro, ver a realidade a partir de duas perspectivas, a de vítima e do agressor, que mudam diversas vezes. Não sei se vem ao caso, mas lembro da seguinte frase de León Bloy: "As alegrias deste mundo são os tormentos do inferno, vistos de cabeça para baixo, em um espelho". Talvez tenha um pouco disto em Meu Melhor Inimigo, que coloca no inferno quem o inferno criou. O melhor amigo se transforma no melhor inimigo e assim sucessivamente em um jogo de reviravoltas, em um enredo com grandes viradas que tentam manter a surpresa e o suspense durante todo o filme.

Meu Melhor Inimigo, domingo 8 de setembro. Sátira, suspense, drama, jogos que levam a abismos. O que você vê quando vê o Max?

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