Nasce Um Monstro, ou o bebê de Rosemary e Frankenstein foram caminhar um dia

por max 28. setembro 2011 13:03

 

Assim como like It!, com Roddy McDowall, tem a sua referência em Psycho de Alfred Hitchcock, é inevitável que Nasce Um Monstro (It's ALive!, 1974) esteja relacionado com O Bebê de Rosemary (1968) de Roman Polanski. É como se os produtores, roteiristas e o diretor de Nasce Um Monstro partissem da idéia de "O que acontecería se?" E se o bebê monstro ficasse de pé no berço, e pulasse para matar? Esta é talvez um pouco a premissa do último filme que vamos asistir nesta quinta-feira na temporada de B-Movies de Horror. É um filme dirigido por Larry Cohen, um dos grandes autores de filmes B, que como todo autor tem a sua marca, seu estilo, sua influência. Em sua própria cinematografia, Cohen trabalhou em filmes de ficção científica, de terror e de monstros, Nasce Um Monstro, é o primeiro da trilogia mais representativas de monstros da história do cinema B. Após isso, Cohen faria It's ALive! 2, Lives Again (1978) e It's ALive! 3: Island of the ALive, (1987). Cohen foi originalmente um roteirista para a televisão. Sua experiência sempre foi nos filmes policiais, de terror e de fantasia. Antes de fazer suas primeiras contribuições como diretor, escreveu capítulos para séries como Way Out (com Roald Dahl como apresentador), Arrest and Trial, Espionage, The Fugitive, The Rat Patrol, The Invaders y Columbo, entre outras. Como você vê, há uma abundância de questões legais, suspense policial e ficção científica. Seus três primeiros trabalhos para a tela (Bone, Black Caesar, Hell Up in Harlem, de 1972, o primeiro e do 73 os outros dois) estão diretamente relacionados ao aspecto criminal e policial, ao mesmo tempo dramático, com um toque de crítica social, especialmente Bone, que desvenda os segredos de um casal em crise. Mas não é até 1974 com Nasce Um Monstro, que Cohen usou seu conhecimento de horror e ficção científica. Ambos os sexos estão representados ali, como a pequena criatura que se esconde no famoso cartaz do berço, o filho monstruoso, torna-se o produto de um tratamento de fertilidade com algumas drogas ilícitas. Cohen, apesar de ser um diretor de cinema comercial, sempre tem um elemento de crítica social em suas histórias. Talvez seu trabalho nas séries de advogados plantaram alguma sensibilidade no seu espírito. Portanto, Nasce Um Monstro, apresenta um desafio não muito escondido a certas práticas da medicina, ao aborto e especialmente, a uma sociedade que despreza e mata qualquer coisa que possa parecer diferente, que não se encaixa no molde. A criatura neste filme é rejeitada até mesmo por seu pai, que vai mesmo caçar, para destruí-la. Somente quando o pai percebe que o pequeno monstro atua de forma violenta e criminosa por causa do medo, por causa do ódio e do terror que ele inspira, é quando o seu ponto de vista se transforma. Um monte de violência surge da incompreensão, do medo, do dano que já foi feito anteriormente pela violência. O tema do sofrimento da criatura é ainda marcado por outra referencia fílmica e literária. Durante o filme falam e nos levam até Frankenstein (1931) de James Whale. Na verdade, o grito de "Está vivo" é o grito de Dr. Frankenstein, quando a criatura ganha vida eventualmente. Como no filme de Whale e no romance original de Mary Shelley, a criatura, mesmo sem culpa de sua aparência e de sua força brutal, sofre por causa da incompreensão social, da mesma sociedade que de alguma forma o gerou. No entanto, deve notar-se, Nasce Um Monstro É basicamente um filme de monstros, de horror. Este é um filme feito para nos assustar e nos manter colados à telinha, que cumpre a sua missão perfeitamente. Nada como um bom susto à meia-noite, certo?

Nasce Um Monstro, de Larry Cohen, nesta quinta-feira 29 septiempre, na Max.

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