Avé, ou os caminhos da verdade e da fantasia

por max 4. janeiro 2013 10:37

 

A realidade e a fantasia, a mentira e a verdade, Dom Quixote e Sancho Pança, um caminho para percorrer e ir descobrindo, a catarse do roadmovie. Avé (2011), filme de estreia de Konstantin Bojanov, búlgaro que mora em Nova York. Para explorar a verdade e a mentira, suas bifurcações, o diretor utiliza uma estrada e Kamen e Avé, dois jovens búlgaros. Kamen (Ovanes Torosian) se apresenta como um rapaz que viaja para homenagear um amigo que morreu. Para ele, a verdade é indispensável, é um jovem filósofo, por assim dizer, alguém que não sorri, que vive atado à "verdade", à realidade. Kamen quer ser verdadeiro e ser real. Avé (Anjela Nedyalkova), por sua vez, viaja, supostamente, na mesma rota de Kamen, às margens, na fronteira. Mas em Avé nada está claro. A garota vai transformando suas histórias à medida em que conhece as pessoas pelo caminho. Avé mente, poderíamos assim dizer, porque protege algo. Porque se protege, mas também porque protege os demais deles mesmos. Avé é uma alienada da sociedade e de sua família, por causa dessa pressão exercida pelo mundo, ela foge. Foge com suas histórias. Mas, no fundo, não é isso que faz a literatura? A literatura mente para modificar a realidade um pouco e deixá-la um pouco mais ao nosso gosto, a literatura nos ajuda a escapar de nós mesmos. Avé é o Quixote e Kamen, Sancho Panza. Esta loucura loucura do filme está carregada de significados opostos, como a realidade também está: por um lado, temos a mentira como algo daninho, como um lugar no qual nos refugiamos para não enfrentar a obscuridade, um lugar que machuca e anula, até mesmo aniquila. Por outro lado, essa mentira é vista como um caminho de salvação, de beleza, de luz, pois essa mentira é a mentira da fantasia, da imaginação, da arte, da literatura, da liberdade espiritual. Precisamos da mentira, precisamos da verdade. Mas quanta verdade é má, quanta mentira é boa? Bojanov explora esses caminhos.

Avé, começando o ano de 20123, neste sábado, 5 de janeiro. O que vê, quando você vê o Max?

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