A Feiticeira da Guerra inicia o ciclo de oito dias em homenagem ao Oscar no Max

por max 19. fevereiro 2014 12:49

 

A partir de sábado, 22 de fevereiro, até sábado 1º de março, o Max faz uma prévia aos prêmios da Academia com o ciclo Na Mira do Oscar, filmes e documentários indicados e ganhadores do prêmio mais importante e glamouroso da indústria cinematográfica.

Você vai ver toda noite – Atenção: todas as noites! – durante oito dias, um filme diferente. A Feiticeira da Guerra, Pina, Tão Forte e Tão Perto, O Artista, A Separação, Cinco Câmeras Quebradas, À Procura de Sugar Man, Meia-Noite Em Paris e para finalizar, Escuridão.

 

O filme canadense A Feiticeira da Guerra (Rebelle, 2012), do diretor Kim Nguyen, vai abrir este magnífico ciclo que o Max traz para todos os amantes do cinema e do Oscar. A Feiticeira da Guerra foi indicado como Melhor Filme Estrangeiro e também ganhou o Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Berlim, e a jovem protagonista Rachel Mwanza ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz.

A história se passa na África, em tempos de caos e guerra, e nos apresenta Komona (Rachel Mwanza), uma jovem de quatorze anos grávida, que conta ao seu bebê, que ainda não nasceu, a história de sua vida. Tudo começou quando um dia "cães de guerra" a obrigaram a matar a tiros os seus pais. E ela teve que obedecer, porque se não fizesse eles atirariam nela, e então seus pais morreriam horrivelmente a facadas. A partir de então, conheceremos uma grande lista de infortúnios, ou melhor, de tragédias com alguns restos de beleza e inocência.

Em certo momento desta história ela sobreviverá ao massacre de um combate e, então, quem a rodeia a chamará de "feiticeira da guerra", uma espécie de talismã dos combatentes.

Esta garota, ungida com esse estranho mérito, será nossa guia através de todo o mundo cruel e terrível da guerra civil, ao mesmo tempo em que a conheceremos na transformação da adolescência para a vida adulta.

Em sua jornada sangrenta, Komona conhecerá um garoto albino que diziam ser um Mago. Cabe dizer que os albinos, entre alguns africanos, são seres, precisamente, mágicos, sagrados, e os bruxos os buscam para matá-los e usar seus ossos e cabelos como objetos de boa sorte. Com ele, Komona percorrerá um caminho em busca dos restos mortais de seus pais – que não descansam e aparecem constantemente como fantasmas – com a finalidade de lhes dar uma sepultura digna, que será o foco deste fascinante filme de Kim Nguyen.

A Feiticeira da Guerra, iniciando o ciclo Na Mira do Oscar, sábado 22 de fevereiro, no Max. O que você vê quando vê o Max?

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A Feiticeira da Guerra, ou a inocência que salva

por max 6. dezembro 2013 09:37

 

Existe a ideia do que perdemos, do que o homem perdeu em algum momento de sua história mítica. Existe a ideia de que os deuses foram para outra parte e nos deixaram sozinhos nesta terra. Quando em algum momento estiveram juntos, o homem foi feliz. Era o paraíso. Existe um lugar paradisíaco. Para substituir esta perda, geralmente o homem procura na religião, no amor, nas felicidades materiais. Mas a palavra chave aqui é busca. O homem busca essa felicidade perdida e, em certas ocasiões, se perde buscando essa felicidade. Geralmente acredita-se que há um momento da vida em que algo desse contato entre os deuses e os homens sobrevive, um tempo da vida do homem em que tudo flui de outra maneira, um mundo, digamos, mágico, onde prevalece o pensamento mágico, um mundo que segue a doutrina animista, um mundo sem fronteiras entre este e o outro, mas, sobretudo, um mundo onde tudo é permeável e possível: esse mundo é, como sabemos, a infância. A infância é nosso momento de felicidade suprema, dentro dela somos inocentes, absolutamente inocentes, ingênuos e felizes. A infância é entendida como um poder sobre a vida, que pode voltar como adulto, um identificador para subsistir sobre toda crueldade do mundo. Mas o que acontece quando a infância é arrancada? O que acontece quando, por exemplo, na África, as crianças são transformadas em soldados, em assassinos terríveis? Há ainda, talvez, nesta criança que foi privada de seu mundo, um resto desta magia? O filme canadense A Feiticeira da Guerra (Rebelle, 2012), do diretor Kim Nguyen, parece explorar este afiado e difícil tema. Komona (Rachel Mwanza) é uma garota de quatorze anos que está grávida e que conta para seu bebê que ainda não nasceu a história de sua vida. Perceba que significativo, seu bebê que ainda nem nasceu, que está em seu ventre, esse ser que está no paraíso de todos os paraísos, é quem recebe a história, a terrível história que sua mãe tem vivido. Tudo começou quando um dia as hienas da guerra a obrigaram a matar a tiros os seus pais. E ela teve que obedecer, porque se não fizesse eles atirariam nela, e então seus pais morreriam horrivelmente a facadas. A partir de então, conheceremos uma grande lista de infortúnios, ou melhor, tragédias que atravessarão a alma da pequena Komona. Poderíamos pensar até aqui que o filme não nos mostrará mais que uma série de perversidades, de momentos horríveis da vida de uma garota de qualquer país africano em guerra. No entanto, o diretor segue por caminhos a que nos referimos anteriormente: Komona não se perde totalmente, Komona guarda um pedaço de sua infância e com ela sobrevive a tudo ao longo de sua jornada infernal. A magia está em Komona, alguns, com espírito civilizatório, poderiam pensar que esta magia desapareceu na ignorância dos africanos, que essa magia pertence a um passado ignorante de superstições e atraso. Talvez, de certa maneira, Nguyen lança sua voz contra essa opinião: talvez esse pensamento mágico, essa maneira de ver o mundo não deveria se perder totalmente. Talvez haja certos respeitos, certos olhares místicos ou religiosos que mantêm certo equilíbrio entre os homens. Talvez a perda disso fez com que o caos tomasse o mundo destes homens. Ou talvez esse seja apenas um fio para Nguyen, e o que na verdade lhe interessa é ir além, ir até a alma da infância, mergulhar neste lugar das inocências, onde também habita a magia, o primeiro amor, os fantasmas premonitórios, a própria vida. Komona não se perdeu porque nela habita uma luz, essa mesma luz que agora carrega em seu ventre, e a quem Komona conta toda a força de sua profunda experiência. Ela fala do mundo mau, mas o mundo mau não a matou, porque nada matou sua inocência.

A Feiticeira da Guerra, domingo, 8 de dezembro.

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