Crematório, ou o Max se reinventa e imagina de novo, agora com séries

por max 6. março 2012 12:36

 

O Max imagina de novo, reinventa e descobre as séries de melhor qualidade. A partir de março, o canal abrirá as portas para um pacote completo de séries, que têm trama e produção fincadas na primeira fila da vanguarda da TV. A característica fundamental, já que se trata do Max, é a inspiração em fatos históricos ou em textos literários. Este mês, o canal inicia sua nova mania - e não há maneira de curar esse vício, nem você vai querer se curar - com a série espanhola Crematório (2011), produção do Canal+, que segue fielmente os padrões da HBO e os caminhos literários de William Faulkner, que sem dúvida, estão no romance que inspira a série, original do escritor Rafael Chirbes. E digo HBO porque a obra de Chirbes explora o universo da corrupção, das máfias, das armadilhas imobiliárias e outros negócios escusos; é neste ponto que a série, escrita e produzida por Jorge Sánchez-Cabezudo, busca a estética e as estruturas de roteiro encontradas também em Família Soprano (The Sopranos), Boardwalk Empire e A Escuta (The Wire), ótimas referências para uma série que se move em torno do thriller e do mundo do crime. E cito também Faulkner porque, uma vez mais, mesmo que a série seja baseada na novela de Chirbes, o recurso de criar uma cidade, um povo ou um lugar fictício tem sua raiz contemporânea mais conhecida em William Faulkner, com o condado de Yoknapatawpha (Gabriel García Márquez e seu Macondo também vêm à mente, mas lembremos a influência que teve Faulkner sobre o grande autor de Cem Anos de Solidão). Chirbes, muito "à la Faulkner", criou a cidade de Micent, à margem do Mediterrâneo, metáfora, sem dúvida, de cidades como Benidorm ou Marbella, e se propôs a interagir não com os Compsons, com os Sartoris ou os Snopes, mas sim com a família Bertomeu, encabeçada por Rubén Bertomeu, tenaz homem de negócios mergulhado em negociatas escusas. Chirbes trabalha muito como James Joyce em sua obra, com fluidez de pensamento e sem maiores precisões dramáticas, e isso na série se transforma em um complexo nó argumental, que recorrerá à agonia e ao êxtase de cada um dos Bertomeu e de seus agregados. Uma série que traz suspense, drama e até humor inteligente, mostrando o que, para muitos, é um reflexo da Espanha atual, ou da situação internacional em geral, em oito episódios dirigidos por Sánchez-Cabezudo e produzidos por Fernando Bovaira, produtor de Alejandro Amenábar — um dos diretores espanhóis mais próximos de Hollywood. Cabe destacar que Bovaira já havia trabalhado com Sánchez-Cabezudo em La Noche de los Girasoles (ou Angosto, 2006), seu primeiro e bem sucedido longa-metragem.

Crematório, nesta quarta, 7 de março (toda quarta, até o final da série). Iniciando as séries com toda força, reinvente, reimagine… Descubra o Max.

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