JC Comme Jésus Christ, ou el arte de hacer famosa a la gente

por max 6. junho 2013 13:52

 

Há pouco tive uma conversa em casa sobre crianças prodígio. Minha família reunida ao redor de sucos e doces, falando de um menino diagnosticado com Síndrome de Asperger e que, por isso, era um gênio da matemática com apenas 13 anos de idade, ou algo assim. Comentamos que ele tinha resolvido equações matemáticas dificílimas que ninguém havia conseguido resolver durante anos e que em física, acho que foi física, ele estava nem sei quantos anos na frente dos outros.

Somos propensos a cultuar crianças prodígio. Há séculos somos assim, porque, de fato, há séculos existem crianças com estas características. Wolfgang Amadeus Mozart, aos três anos de idade, tocava cravo e aos seis anos tinha escrito sua primeira composição musical. Morreu aos 35 anos. Aos cinco anos, o cientista William Rowan Hamilton falava latim, grego e hebraico. Aos 13 falava 13 idiomas. Aos onze anos de idade, o americano William James Sidis estabeleceu um recorde mundial como a pessoa mais jovem a entrar na prestigiada Universidade de Harvard. Mas antes, aos dois anos de idade, já havia aprendido a ler e aos oito anos falava fluentemente oito idiomas.

Como podem ver, há gênios por toda parte. Mas os gênios não têm culpa de nada, nem mérito de nada. Não pensem que sou invejoso ou algo no estilo, o que quero dizer é que eles não pediram para serem gênios, nem fizeram nada para ser. Não se esforçaram, nasceram assim, com algo no cérebro, com algo que os tornou excepcionais. Talvez este algo, por que não dizer, seja um "defeito", alguma coisa que não está certa no cérebro, quem sabe. Mas este não é realmente o tema que me ocupa. O que é interessante nisso tudo é como nos colocamos diante destes pequenos gênios.

Nossa admiração, nossa surpresa é tanta que esquecemos que, mais que crianças prodígio, eles também são seres humanos, com seus defeitos, suas paixões e, até mesmo, a incapacidade para lidar com aquilo que os tornou famosos. Nestes tempos de domínio da cultura de massa, nestes tempos de publicidade desmedida, do mundo virtual total, neste mundo de cópias onde o verdadeiro valor de tudo gira no vazio, o que importa é a condição de atração de circo, o potencial que se tem para virar notícia, ficar em exposição pública, ser famoso por alguns minutos, virar espetáculo.

Uma visão crítica que aponta para estes aspectos das crianças prodígio está em JC Comme Jésus Christ (2011), filme de estreia, escrito e dirigido pelo ator Jonathan Zaccaï. Trata-se de um falso documentário, ou mockumentary, de produção franco-belga que explora a vida de um jovem diretor de 17 anos, Jean-C-Christophe Kern (interpretado por Vincent Lacoste, indicado ao César de ator revelação em 2010) que, aos 15 anos, ganhou a Palma de Ouro e, aos 16, um César. Mais que um falso documentário, o filme toma a forma de um reality show (a pior forma de televisão) para mostrar este garoto que é uma mistura de Peter Sellers, Godard e Justin Bieber. A câmera o segue por todos os lados, até no banheiro, e o apresenta como ele é: um adolescente que deu um salto para a fama, mas que continua sendo um simples adolescente, com os problemas típicos da idade, mas exacerbados pela fama que conquistou, essa fama que talvez seja baseada mais no fato de ser um menino prodígio do que em sua obra.

JC Comme Jésus Christ, sexta, 7 de junho. Olhar crítico, fama, cinema europeu, cinema de autor. O que você vê quando vê o Max?

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