Passione, ou viagem ao centro da música de Nápoles

por max 15. agosto 2012 08:17

 

O que há de maravilhoso em um documentário como Buena Vista Social Club (1999), de Ry Cooder e Wim Wenders, é que, ao vê-lo se compreende que, para aqueles músicos cubanos, a música é vital, um modo de vida, um modo de entender a existência. No final das contas, sem música, essa gente não existe. Quando vemos Passione (2010), documentário dirigido pelo ator John Turturro, que explora a música da cidade de Nápoles, compreendemos também que a música é vital para esses italianos. Turturro conta que, depois de realizar um filme naquela cidade (ele é de origem italiana, dos lados da Sicília), sentiu-se fortemente atraído por suas raízes e pela música. Depois de entrar em contato com o musicólogo Federico Vacalebre, Turturro ouviu milhares de canções e ficou com as que o comoveram. Ele não conhecia seus intérpretes e, conta o ator-diretor, se sentiu agradavelmente satisfeito ao comprovar que os artistas eram tão bons quanto suas canções.

Entre o sensual, o tradicional, o sincrético e o universal, John Turturro nos vai levando, ele mesmo com a câmera, como empresário protagonista, guia turístico e alucinado diletante, através dos lugares mais prosaicos (ruas pobres, paredes cheias de grafites) aos mais belos daquela cidade italiana, onde as canções estão representadas, onde se vive a música (Fausto Cigliano toca o violão;, diante do óleo Sete obras de caridade, de Caravaggio, na igreja Monte Pio da Misericórdia, por exemplo).

Surpreende e entusiasma ver como toda essa música que se dança e que canta o amor, a perda, a traição e o desejo, tem ecos da Espanha, da África, do Islã, e vai fundida, além disso, com o jazz, o hip-hop e outros gêneros contemporâneos. Aqui nomeio alguns: Misia, o tunisiano M´Barka ben Taleb, Sppakka-Neapolis 55, Fiorello e Massimo Ranieri, Angela Luce, Max Casella (lembram-se de Família Soprano?) e James Senese que, além disso, tem uma história fascinante sobre suas origens para contar e que faz referência à influência americana em Nápoles, durante a Segunda Guerra Mundial, período no qual Turturro se atém especialmente.

O que se chama de globalização não é nada além de uma tendência natural das relações humanas, que não aconteceu apenas quando alguém criou o termo, mas sim desde muito tempo antes, quando os homens, ao longo de todo o mundo, neste caso ao longo do Mediterrâneo, começaram a conectar-se entre si por causa de guerras, ou comércio, ou simplesmente para conhecer-se, por curiosidade, pelo simples contato humano. Passione demonstra que isto é assim, que não há nada puro e que dessas misturas, desses contatos profundos é de onde vem realmente a beleza das coisas, da música. No início do filme Turturro diz: "Há lugares aonde você vai uma vez e é suficiente... e há Nápoles".

Passione, uma aventura musical no centro da música napolitana e do mundo, domingo, 26 de agosto. Reinvente, imagine de novo. Descubra o Max.

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