Brilho de uma Paixão, ou o Romantismo segundo Jane Campion

por max 22. novembro 2011 12:46

 

O Romantismo bem entendido foi uma das primeiras crises da modernidade, uma de suas primeiras críticas. O Romantismo ia contra os princípios radicais de seu tempo, pois via a razão (filha do Iluminismo) como um meio para conhecer o mundo e o homem. O Romantismo eleva o poder dos sentimentos, foge do presente, cava o exotismo oriental, nas obscuridades do passado e do espírito, busca, na natureza e nos arroubos da natureza, a identificação da alma humana. O Romantismo é incendiário, um fósforo que arde com tanta força que o sentimento consome a alma.

Podemos dizer que Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2009), da diretora Jane Campion, é uma história de amor romântico, onde romântico não é um pleonasmo, mas sim a expressão de um amor levado pelo pensamento do Romantismo literário que é, por sua vez, uma paixão existencial. Para contar esse amor, Campion elege um poeta romântico por excelência: John Keats (Ben Whishaw), um dos maiores representantes do movimento no Reino Unido, um jovem artista incompreendido à sua época, que morreu jovem e teve seu talento somente reconhecido depois de sua morte. A vida de Keats foi marcada pela doença, pelo sacrifício e pela melancolia. A tuberculose de seus familiares e a sua própria deixaram-no cheio de privações. Durante muito tempo, ele se viu obrigado a cuidar de seu irmão. Muito se criticou o que ele escrevia, e somente três anos antes de sua morte conheceu aquele que seria o grande amor de sua vida, Fanny Bawne (Abbie Cornish), um amor que durou pouco, intenso, alimentado por impossibilidades, tristezas, doença, morte e poesia. Jane Campion recria este amor, estes momentos, com uma fotografia delicada, com uma história contemplativa, campestre e silenciosa. Todos os fortes da diretora de O Piano estão aqui: sua força para criar imagens melancólicas e charmosas, o amor e seus tormentos, o drama histórico, a força da mulher.

Brilho de uma Paixão, de Jane Campion, este mês, no Max.

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