Bróder, o futuro versus o destino

por max 17. fevereiro 2012 06:12

 

Já sabemos que nem todos os destinos são iguais. Três homens, três amigos que nascem no mesmo lugar, que crescem juntos, que aproveitam a infância juntos e, no caso dos personagens do filme Bróder (2010), dirigido por Jeferson De, amigos que sofrem com a mesma pobreza juntos, podem ter diferentes possibilidades de futuro, apesar de compartilhar das mesmas origens: neste caso, uma região pobre em São Paulo. Reunir-se já adultos para comemorar é uma maneira de comparar vidas. Isso é o que fazem Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Silvio Guindane) no dia do aniversário de Macu: eles se reúnem e se deparam com o presente em que vivem e as recordações do passado. Nessas lembranças, existe muito de beleza, de ternura, de poesia. Porém, a realidade está ali fora: Macu continua vivendo no mesmo lugar, sem maiores esperanças de sair dali, e Pibe saiu de lá e se casou com a ex-namorada de Macu, mas não tem maiores esperanças de progredir. Diferente deles, Jaiminho joga futebol na Espanha e tem um grande futuro pela frente. Ter futuro não é o mesmo que ter destino. Isso Macu sabe. Ele sabe que tem um destino obscuro, porque deve dinheiro, muito dinheiro a uma gangue de delinquentes. Claro, a obscuridade rodeia o destino dos pobres e quem tem futuro é, muitas vezes, a vítima das obscuridades do passado. Alguém com futuro, saído da miséria, pode também ter um mal destino. O passado é o que faz o destino e pode matar seu futuro. E isso é o que ocorre neste drama de Jeferson De. A relação com o passado, a intolerância ao presente, a miséria como destino contra os desejos de ter um futuro melhor, o horror de vidas mergulhadas na pobreza, tudo se junta para criar o conflito maior, o sequestro e a possibilidade de morte de Jaiminho por causa das dívidas de Macu. Mas, além das responsabilidades de Macu, entende-se que Jaiminho, em sua condição de homem bom, de jovem inocente, procurou, porém, um mal destino. Entende-se que, talvez ele tinha tido culpa, por continuar ali, simplesmente fiel às suas origens. Ou talvez tenha a culpa porque quis sobressair-se e triunfar, apesar de vir de onde veio. O futuro desafia o destino, e o destino, carregado de invejas e complexos, sempre se encarrega de manchar. Macu, como Jaiminho, não é nada mais do que uma vítima do caos no qual ele vive, do desespero e do mal que reinam no mundo. As perguntas então são: Quanto de bom sobrevive? Quanto de bom pode triunfar no mundo? Quanto há de destino no futuro?

Bróder, neste sábado, 18 de fevereiro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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