At Any Second, ou o fogo que leva a outro fogo

por max 1. fevereiro 2013 10:42

 

Um fogo leva a outro fogo. O fogo não morre, nem desaparece, ele se transforma. Em amor, por exemplo.

 

Mais vale arder com uma chama intensa, que apagar-se lentamente. Embora a última parte pareça ser a forma mais frequente de deixar-se morrer em vida, também a frase inteira pode ser uma maneira de destruir-se... em vida.

 

Quem não ama vai se apagando, vai tornando-se um bosque frio e cinzento.

 

Quem ama é belo, disse Platão em O Banquete, porque ele vive como um deus. Mas, por vezes, esse deus é um destruidor que aniquila o ser amado.

 

Então também há quem destrua amando. Possivelmente, quem destrói amando não ama e somente busca salvar-se ou, de qualquer forma, fundir-se com outro alguém.

 

«Ame-me, ame-me, ame-me, salve-me, salve-me, salve-me, destrua-se, destrua-se, destrua-se.»

 

O fogo do amor. Chama alta que atiça, que glorifica, que abraça e que mata.

 

Então, voltemos a quem vive no frio, no musgo, voltemos a quem teve responsabilidades demais, a quem não se permitiu nada nem por um momento. Voltemos a quem foi apolíneo demais e que, um dia, ao ver o abismo de Baco, lança-se de forma plena.

 

Geralmente, quem se deixa arder, depois de tantos séculos de bosque, explode nas mãos desse deus destruidor que diz amar.

 

Despertar pode ser uma forma de destruição.

 

O amor não é algo fácil, não se controla, não se pode racionalizá-lo. O amor se joga no bosque, morde-o todo, mastiga-o inteiro, pisa-o de cima abaixo, sobe e desce as ladeiras, raízes das árvores, os montes. O amor é um lobo selvagem, filhote que um dia crescerá e será tão grande quanto Fenrir da mitologia nórdica, esse animal que devora tudo.

 

Neste domingo, 3 de fevereiro, delicie-se com At Any Second (2011), de Jan Fehse, filme protagonizado por Sebastian Koch e Mina Tander. Amor, fogo, despertar, destruição. O que você vê, quando vê o Max?

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