O Quadrado, ou o abismo do mal

por max 18. julho 2012 07:08

 

Toda história começa com um conceito já conhecido. A arte está na mudança do que vem em seguida, em fazer algo diferente. No caso do filme australiano O Quadrado (The Square, 2008), dos irmãos Nash Edgerton e Joel Edgerton, a história começa trilhando os mesmos caminhos de O Destino Bate à sua Porta (The Postman Always Rings Twice, geniais as duas versões cinematográficas inspiradas em James M. Cain, a de 1946 e a de 1981): um casal de amantes decide aproveitar-se do marido sem piedade e cheio de dinheiro, mas algo sai errado. Aqui é onde os irmãos Edgerton têm que se sair bem. Certamente, no caso de irmãos, um escrevendo - Joel, e outro dirigindo - Nash, nos leva a pensar nos irmãos Coen. E neste outro começo de história também deveria seguir-se um caminho diferente, que seria o caminho da originalidade dos irmãos australianos como artistas. Segundo os críticos, os australianos foram bem sucedidos. No caso de O Quadrado, temos Ray (David Roberts) e Carla (Claire van der Boom), ambos casados. Ele tem um casamento violento, ela, um marido delinquente (Anthony Hayes) que a humilha. Como muitos amantes cansados de suas próprias vidas, sonham em fugir, em viver bem longe. Um dia, Carla descobre um saco cheio de dinheiro em sua casa. Claro, pertence ao marido bandido. Decidem então roubar o saco. É Natal, e o melhor a fazer é provocar um curto-circuito nas luzinhas de natal. A casa pegará fogo e o marido acreditará que o dinheiro queimou-se com ela. Um plano muito simples, não é? Para levá-lo a cabo, os amantes contratam Billy (interpretado por Joel Edgerton), supostamente um especialista nestas artes. As coisas, como se pode supor, se complicam e, no dia do incêndio provocado, por azar, a mãe do esposo mafioso está na casa. A mãe morre e o marido mafioso descobre que o dinheiro não foi queimado, mas que foi, na verdade, roubado. Começa, então, a busca pelos ladrões, começam também a chegar cartas com chantagens, começam as descobertas, as mortes, a obscuridade, uma obscuridade que se abre cada vez mais em torno dos personagens, como o buraco que Ray está abrindo em uma construção na qual trabalha. E os personagens, atrapalhados e desesperados, se aproximam cada vez mais desse abismo que eles mesmos, achando que saberiam controlá-lo, foram procurando.

Sem dúvida, uma excelente proposta de film noir australiano que busca seus próprios caminhos em um enredo de histórias já contadas. Excelente primeiro filme, que recebeu várias indicações em festivais internacionais e o reconhecimento de Melhor Roteiro (sem dúvida, o roteiro é fenomenal), dado pelo círculo de críticos cinematográficos da Austrália.

O Quadrado, sexta-feira, 20 de julho. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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