Clamor do Sexo, ou as tensões sexuais de Natalie Wood

por max 8. novembro 2011 04:45

 

Faltava algum tempo para maio de 68, o famoso Código Hays ainda estava valendo e Natalie era uma garota linda e agradável que fora, no passado, uma estrela-mirim, e que, como atriz-mirim, era genial. Orson Welles chegou a dizer: "Ela é tão boa que me assusta." Não se esperava muito mais dela, isso sim. As atrizes-mirins poucas vezes continuam suas carreiras, como adultas. No entanto, em 1955, aos 17 anos, Natalie Wood fez seu primeiro filme, como adulta, com James Dean: Juventude Transviada (Rebel Without a Cause).

Não foi fácil convencer os estúdios. Hollywood gosta de classificar seus atores, afinal, rotulá-los é uma maneira de controlá-los. Mas Dean havia trabalhado com ela na televisão e tinha gostado muito. Assim, propôs o nome dela para o filme. Os executivos não concordaram, mas, no final, a garota obteve o papel graças ao apoio do astro mais quente do momento e a insistência da mãe de Natalie, mulher teimosa e obsessiva, empenhada sempre em fazer com que sua filha alcançasse a fama. Sem dúvida, tinha diante dela um grande desafio. Ela precisava provar que sua carreira não terminava na infância, nem na televisão, onde havia trabalhado nos últimos anos. Devia sim, colocar-se à altura de seu coprotagonista, mostrar maturidade e todo seu talento. O resultado não demorou a aparecer: a química foi maravilhosa. Inclusive houve boatos de um romance entre eles, por trás das câmeras. Rapidamente, Natalie passou a ser a viva representação da garota bonita e certinha, que começa a sentir o que é o amor e os calores que ele provoca pelo corpo. Podemos dizer que uma menina bonita com grandes paixões represadas. Era perfeita para a época do Código Hays, que controlava com severidade as salas de cinema. O Código impunha coisas como nenhum filme podia rebaixar o nível moral dos espectadores, nem levar ninguém a cometer algum crime, ou fazer o mal, ou pecar. O caráter sagrado do matrimônio e do lar devia estar refletido, não podiam ser representadas formas grosseiras de relações sexuais, nada de adultérios e de comportamento sexual ilícito. As cenas de paixão deviam ser usadas somente quando necessárias (?) e não podiam conter beijos nem abraços onde pudesse notar um desejo excessivo. Isto, devo dizer, é apenas uma mostra do que foi aquela bobagem repressiva que nasceu em 1934, sob a condução do senador William H. Hays. Mas os tempos começavam a mudar, a juventude tomava para si o papel de protagonista, sua voz se fazia ouvir; fala-se de paz, amor e sexo. A liberdade criativa nas artes ganhava força. E, em Hollywood, perceberam que a tendência de violar as regras do Código Hays contribuía para aumentar as bilheterias dos filmes. Como consequência, o erotismo foi voltando mais permeável. Em 1960, Hitchcock mostrava Janet Leigh tomando banho – totalmente nua – em Psicose, e um filme de Roger Vardim, protagonizado por Brigitte Bardot, causava sensação. Tratava-se de E Deus Criou a Mulher (Et Dieu créa la femme), uma história com um forte conteúdo sexual, totalmente contrária aos princípios do Código Hays. Naquela época, Elia Kazan dirige Clamor do sexo (Splendor in the grass, 1961), exatamente quando Hollywood andava dando vazão a essas ousadias que geravam mais bilheteria. O jogo das tensões sexuais estava ali, à flor da pele. A sociedade e o mundo pediam essas coisas. Em referência à história do filme, aquele amor impossível entre Natalie Wood e Warren Beatty é uma clara metáfora disso tudo que fervilhava. Aqueles jovens, consumidos pelo desespero e pelo desejo, não podiam amar-se por causa da hipocrisia, do puritanismo e dos preconceitos. No entanto, o casal luta, se esforça para sustentar seu amor de alguma maneira; revolta-se, digamos, dentro do contexto, na medida das possibilidades. Do mesmo modo, Hollywood se rebelava com subterfúgios contra o que representava o Código Hays. Natalie Wood, uma garota baixinha e bonita, foi uma das armas secretas da indústria. Era perfeita, e como já dissemos: era, além de uma carinha linda, também uma excelente atriz. Não havia saído do Actors Studio, do qual Elia Kazan era fundador, mas, sob direção dele, ela podia explorar essa fragilidade somada à evidente tensão silenciosa que tanto caracterizou os atores daquela escola. Dean era um exemplo, e ali estava ela a seu lado. E, claro, temos Brando, o filho mais importante do Actors Studio. Mas por que cito Brando? Porque Warren Beatty, o protagonista de Natalie, se considerava um herdeiro de Brando. E até o próprio Beatty não tinha saído do Actors Studio, apesar de ter estudado, como Brando, com Stella Adler, seguidora das ideias de interpretação de Stanislavski (ideias que também adotaria o Actors Studio, mas que logo evoluíram para o método Strasberg). Kazan, vale dizer, foi o propulsor de uma das maiores mudanças no estilo de atuação nos Estados Unidos, e Natalie Wood estava ali sendo levada pelas mãos dele, nas primeiras fileiras, para fazer história, para alçar-se no imaginário da cultura como a garota mais linda e certinha, carregada de dor e paixão que só um grande ator pode carregar, dosar e converter em uma atuação magistral.

Nesta terça-feira, 8 de novembro, continue aproveitando o ciclo Ícones do Cinema, dedicado aqui a Natalie Wood e seu filme Clamor do Sexo. Em novembro, descubra seus ícones do cinema, descubra o Max.

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A beleza e a rebeldia de James Dean

por max 8. julho 2011 06:20



Vai parecer um pouco estranho tudo o que eu vou dizer. Mas vou falar: dizem que James Dean era um rebelde hipersensível, e que sua rebelião foi por causa dessa sensibilidade. Porque foi, como alguns disseram, um adolescente eterno. Aqui está o que o sociólogo Edgar Morin disse de Dean:


"James Dean é um modelo, mas o modelo em si é a expressão típica (ao mesmo tempo média e pura) da adolescência em geral, dos adolescentes americanos em particular. É compreensível que este rosto tenha se tornado um rosto-bandeira ou imitado, especialmente naquilo que tem mais para imitar: O cabelo, o olhar "

 

E também:


"James Dean também estabeleceu o que poderia ser chamado de panóplia da adolescência, a uniformidade da roupa, em que expressa a sua atitude na sociedade: o jeans azul, o suéter agasalhado, a jaqueta, a recusa de usar uma gravata, o desleixado voluntário, são alguns sinais com valor de crachás políticos de resistência, frente às convenções sociais no mundo dos adultos, da procura de sinais de virilidade e fantasia artística. "


Eu não sou ninguém para negar Morin, Deus não permita tal pretensões esnobes. Mas devo dizer que vejo alguma coisa mais além. Dean não era o que era apenas para ficar na adolescência eternamente, Dean era o que era porque era um homem bonito. Sim, eu disse meu comentário soaria estranho. Mas vamos continuar: James Dean era uma expressão de beleza, um belo rapaz como o mundo entende a beleza, essa que vem desde os gregos, ou a partir do Renascimento. É esse tipo de beleza da que a sociedade se apropria. Beleza objeto para ser enquadrada dentro das leis sociais. Beleza para ser admirada, para ser colocada em uma vitrine, e a partir dali ser apresentada como verdade e como moral. É isso mesmo, a Beleza vista como pureza. A Beleza quando está na vitrine, não tem alma, é para ser admirada, ou vamos dizer, que pressupõe uma alma. A beleza que é capturada pela sociedade deve ser como indica esta sociedade: uma ficção. A ficção de que deve ser exibida na tela, do outro lado. A beleza é uma ficção porque é uma caixa vazia que a sociedade enche. Nós não queremos saber o que ela realmente é, porque saber o que é seria realmente terrível. Nós não queremos saber que talvez não seja igual à verdade e moralidade, queremos inventar o que é, e que seja confortável estar dentro dessa ficção. James Dean, inteligente stage hand e comerciante de sua própria beleza, brincou de não ser bonito, buscando ser bonito de outra forma. Dean, como Elizabeth Taylor, sua grande amiga, se aproveitaram da própria beleza, mas ao mesmo tempo, lutavam contra ela (ele gostava e não gostava da vitrine). Sua rebelião, real e ficcional, ao mesmo tempo, era contra a sua beleza. Dean se rebelava contra essa beleza social que assumia a verdade e a moralidade generalizada, e pretendia a sua verdade, sua própria moralidade, sua própria inteligência. Ele se recusou a estar na vitrine, fabricou a sua própria vitrine, o seu gosto, que compartilhou com a sociedade, mas de longe, como um gato de rua que aceita a comida, mas que não dá permissão para ser tocado. Um gato lindo que diz: eu não sou vazio, eu sou único, original, eu quero ser feio, o feio que vocês dizem (o que vai contra as convenções), porque esse feio para mim, é lindo. Mas a sociedade é um monstro de mil cabeças, e diz: que bonito o nosso bonitão que brinca de não ser bonito. Assim, Dean era o bonitão que queria mostrar a sua inteligência sensível, a sensibilidade inteligente, e o mundo o deixava porque ele estava na vitrine.  Até permitia que ele fosse o bonitão que arriscava a deformação física na velocidade dos seus carros de corrida. O acidente com vida e deformação era o seu risco, não a morte. Em última instância, o plano não foi bem elaborado, não ficou deformado, morreu. James Dean, dentro da vitrine, como um tolo, aquilo com o que tanto lutava (na aparência). Por quê? Porque com sua morte permaneceu a beleza eterna. A sociedade, ou poderíamos dizer, os feios foram os vencedores. Dean é eternamente jovem e eternamente belo. Sua rebelião é bonita, como os outros querem que seja bonita a seu modo.

Algumas coisas sobre James Dean

por max 29. junho 2011 05:37



Seu nome era James Byron. As coisas não estavam indo mal para ele. Dean era intenso e foi lançado nas trevas, como o mesmo poeta Byron. Vamos dizer que Dean, como Lord Byron, era um romântico, não no sentido do amor, mas com respeito ao romantismo literário. O movimento que se levantou contra as leis da razão, e emitiu a busca de outros mundos na escuridão da alma do homem, no exótico, na natureza unida à alma do poeta. James Dean, como o poeta, era o que eles chamam de hipersensível, amava a beleza, era um galã (no estilo duro) e tinha certo gosto pela licenciosidade. Depois dizem que os nomes não fazem a pessoa. É claro, James Dean não era manco.

 

Diz-se que o amor de sua vida foi a atriz Pier Angeli. Ela e James se conheceram durante as filmagens de East of Eden. Era um romance impossível, e ela acabou se casando com o cantor Vic Damone. Dizem que ao ouvir a notícia, Dean bateu na garota. O dia do casamento, Dean parou sua moto em frente à porta da igreja, e acelerou e acelerou o motor, fazendo um barulho infernal.

Devido ao seu conflito com a atriz, Dean não compareceu à estréia de East of Eden.

Elizabeth Taylor e James Dean eram grandes amigos. A noite antes de sua morte, Dean deixou seu gato com a atriz para cuidar dele. Dean, segundo o que Taylor disse, temia que algo iria acontecer com ele, com Dean. Isso lhe disse o ator naquela noite.


Taylor declarou numa entrevista com o jornalista Kevin Sessums altamente respeitado, que o Rev. JamesDeWeerd, quem teve um papel muito importante na formação do ator -seus gostos pela velocidade e pelo drama, por exemplo, tinha abusado sexualmente dele várias vezes. Taylor disse que durante as filmagens de Gigante, ela e James Dean falaram sobre isso noites inteiras, e que o ator ficou atormentado por causa desses abusos. Tais confissões foram feitas pela Taylor em 1997 para a revista
POZ, mas pediu a Sessums não revelar nada sobre isso até a sua morte. Em 23 de março de 2011, o dia da morte da atriz, Sessums publicou as declarações no site da Newsweek, The Daily Beast.

 

Dizem que James Dean estava apaixonado por Marlon Brando, seu herói, a quem Dean seguiu seus passos no teatro e na vida.


James Dean odiava tomar banho e não gostava de trocar de cuecas.


James Dean apagava os cigarros no peito.


Eu ouvi recentemente um programa de rádio, onde comentavam que sir Alec Guinness, vendo o novo carro de James Dean (aquele infame Porsche 550 Spyder), começou a dizer nervoso, do lado de fora do restaurante onde tinham se conhecido há pouco tempo, para parar de andar naquele veículo imediatamente, que não o dirigise mais, que naquele carro teria um grave acidente. Dean pensou que era uma piada inglesa daquele homem que acabava de conhecer, e não levou aquilo a sério. Logo depois, o jovem ator de 24 anos, morreu quando bateu de frente com um Ford Custom Tudor. Aqui está uma foto do Ford, e aqui está uma foto do Porsche. Podem ver quem leva as de perder. Ah, e uma de como ficou o carro de Dean. Guinness, nunca mais teve visões assim.


Em julho, Max traz um especial de James Dean. Rebel Without a Cause (quarta-feira 20), East of Eden (quinta-feira 21) e Gigante (sexta-feira 22). 

Em julho, com James Dean descubra Max.

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