Deixe A Luz Acesa, ou o mapa de um rio chamado amor

por max 18. janeiro 2014 12:05

 

Erik (Thure Lindhardt) não é muito bom com dinheiro, um dinamarquês mimado pelos pais e que foi a Nova York (estamos em 1997) para realizar um documentário sobre um cineasta underground da cultura gay. Na verdade não conseguiu muita coisa e o documentário em questão acabou sendo mais elusivo que o próprio cineasta underground. Sua irmã (Paprika Steen) exige que ele se torne mais sério, porque já tem trinta anos e, por outro lado, sua melhor amiga (Julianne Nicholson) está muito preocupada com ele e sofre. No entanto, Erik se diverte. Ou tenta. Acaba de terminar um relacionamento e agora se dedica a conseguir encontros rápidos através de ligações telefônicas. Em um desses encontros, cruza com Paul (Zachary Booth), um advogado bem sucedido que trabalha em uma grande editora. Ambos se sentem atraídos fisicamente e aproveitam o que têm que aproveitar, mas, no final, Paul diz que tem uma namorada e assim Erick percebe que foi algo de momento e nada mais. Ira Sachs transforma a história para nos mostrar que não será bem assim. Erik e Paul terão uma relação duradoura, difícil, mas duradoura, por mais de uma década.

Deixe A Luz Acesa (Keep the Lights On, 2012), o quinto filme de Sachs, move-se dentro da herança deixada pelo New Queer Cinema da década de noventa, que buscava mostrar, por fora das concepções do poderio heterossexual, os rostos e as histórias reais que lançam a voz pelo movimento LGBT. Neste filme, Sachs nos leva pelo longo e tortuoso caminho das relações, escapando, sempre fugindo dos lugares comuns. De fato, quando acreditamos que algo acontecerá com Erik, que para ele caminhos piores estão preparados, acabamos percebendo que quem está perdido é Paul. Sua perdição: o prazer que tem com drogas. Claro, veremos como a relação se desintegra e também como se cruza, como é retomada, e como vai se perdendo. A separação, a reabilitação, a recaída, a infidelidade de ambos, a prepotência, a imaturidade, a agressividade, a distância, o tempo, o filme relata um mapa muito autêntico de um rio cheio de deltas, que não é nada além de uma relação de casal, um percurso de encontros, desencontros, egoísmos e afinidades, de ódios e paixões que acontecem com um casal em momentos de dois seres que se conhecem profundamente no amor, mas também com dois estranhos que se conhecem tanto que são capazes de ir muito além. Ferir ou amar, existe um dilema neste casal onde o sexo não parece ser o problema. Mas talvez para fora, em relação ao corpo dos outros em uma época (anos noventa) onde o armário é totalmente aberto e a AIDS não é um segredo, e sim uma grande verdade com forma de um imenso desejo sexual. Sachs nos trouxe isso, um mapa que flui, um mapa de um rio profundo, a relação de dois homens que se amaram e se prejudicaram com igual intensidade. Talvez tenham sido muito honestos com eles mesmos, talvez, em certas ocasiões, é melhor apagar as luzes e não ver o outro em seus piores momentos.

Deixe A Luz Acesa, domingo, 19 de janeiro, no Max.

O que você vê quando vê o Max?

Para reapresentações, clique aqui.

Etiquetas:

Geral

arquivos
 

nuvem